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Flamengo empata com Ceará no Castelão e garante liderança do Brasileirão
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Em um confronto de duas metades distintas na Arena Castelão, o Flamengo empatou em 1 a 1 com o Ceará neste domingo, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro. O resultado garantiu ao Rubro-Negro a manutenção da liderança da competição, ainda que de forma provisória, consolidando um ponto crucial na corrida pelo título. O uruguaio Arrascaeta marcou para o time carioca na primeira etapa, enquanto Pedro Raul, aproveitando uma falha do goleiro Rossi no segundo tempo, igualou o marcador para o Vozão.
Com o empate, o Flamengo, que tem um jogo a menos, soma 37 pontos, igualando o Cruzeiro em pontuação, mas levando vantagem no saldo de gols. A Raposa havia vencido o Botafogo por 2 a 0 nesta mesma rodada. O Ceará, com o resultado, alcançou 22 pontos e ocupa a 11ª colocação na tabela.
Primeiro Tempo: Domínio e Eficiência Rubro-Negra
Mesmo com desfalques importantes, como Pedro, Wallace Yan e Luiz Araújo, o técnico Filipe Luís promoveu as estreias de Emerson Royal e Samuel Lino como titulares. O Flamengo exibiu superioridade desde o apito inicial, controlando as ações com mais posse de bola e qualidade técnica, criando diversas oportunidades. Plata, em um chute de fora da área, parou em boa defesa de Bruno Ferreira. Bruno Henrique e Samuel Lino também tiveram suas chances, mas foi a genialidade de Arrascaeta que abriu o placar aos 36 minutos. Em uma bela jogada coletiva, Léo Ortiz lançou para Plata, que ajeitou de cabeça para o camisa 10. Cara a cara com o goleiro, o uruguaio finalizou com precisão de canhota para fazer 1 a 0.
Segundo Tempo: Mudança de Cenário e Reação Cearense
O intervalo trouxe uma má notícia para o Flamengo: com um incômodo muscular, Arrascaeta foi preservado e não retornou para a segunda etapa. A ausência de seu principal articulador foi sentida, e o Flamengo perdeu o controle do jogo. O Ceará, por sua vez, cresceu e começou a pressionar. Aos 10 minutos, Lucas Mugni acertou o travessão de Rossi, no que foi o primeiro grande susto para a defesa rubro-negra.
O castigo pela queda de rendimento veio aos 21 minutos, em um lance de bola parada. Após cobrança de escanteio na segunda trave, o goleiro Rossi ficou indeciso na saída do gol, não foi na bola, e viu Pedro Raul subir livre para cabecear e empatar a partida, para a festa da torcida cearense.
Ao final, o empate, embora frustrante pela forma como o jogo se desenrolou e pela perda do controle no segundo tempo, acabou sendo um resultado matematicamente valioso para o Flamengo. A equipe retoma a liderança do Brasileirão e agora se concentra totalmente em uma semana decisiva, com o confronto pela Copa do Brasil ditando os próximos passos da temporada.
Próximos confrontos
A partir de agora, o foco do Flamengo se volta inteiramente para a Copa do Brasil. Na próxima quarta-feira, a equipe carioca terá um desafio decisivo em Belo Horizonte, enfrentando o Atlético-MG no jogo de volta das oitavas de final. O Rubro-Negro precisa reverter a desvantagem de 1 a 0 sofrida no Maracanã. Pelo Campeonato Brasileiro, o time de Dorival Júnior volta a campo no sábado, recebendo o Mirassol no Maracanã para defender a ponta da tabela. Já o Ceará terá um duro compromisso no próximo domingo, visitando o Palmeiras pela mesma competição.
FICHA TÉCNICA
Ceará 1 x 1 Flamengo
Local: Castelão, no Ceará (CE)
Data: 03/08/2025
Hora: 18h30 (de Brasília)
Competição: 18ª rodada do Campeonato Brasileiro 2025
Árbitro: Rodrigo José Pereira de Lima (PE)
Assistente 1: Neuza Ines Back (SP)
Assistente 2: Francisco Chaves Bezerra Junior (PE)
VAR: Ilbert Estevam da Silva (SP)
Público: 57.887
Cartões amarelos: Marllon, Richardson e Fernando Sobral (CEA) e Jorginho e Bruno Henrique (FLA)
Gols: Arrascaeta (FLA), aos 36 do 1º tempo e Pedro Raul (CEA), aos 21 do 2º tempo
Ceará: Bruno Ferreira; Fabiano Souza, Marllon, Willian Machado e Matheus Bahia (Nicolas); Richardson (Fernando Sobral), Lourenço (Lucas Mugni), Diego (Lucas Lima) e Pedro Henrique (Aylon); Pedro Raul e Galeano. Técnico: Léo Condé
Flamengo: Rossi; Emerson Royal (Varela), Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Jorginho (Allan), Everton e Arrascaeta (Saúl); Bruno Henrique (Juninho), Plata (Victor Hugo) e Samuel Lino. Técnico: Filipe Luís
Fonte: Esportes
ESPORTES
A Reforma Tributária Pode Destruir o Esporte Brasileiro Fora do Futebol Bilionário
O governo federal vende a reforma tributária como um marco de modernização econômica, simplificação fiscal e justiça tributária. No papel, o discurso parece sedutor. Na prática, porém, quando aplicada ao esporte brasileiro, a proposta revela um cenário alarmante: ela cria um sistema que privilegia o futebol-empresa e condena o esporte formador, olímpico e social à asfixia financeira.
A partir de 2027, o Brasil poderá assistir à institucionalização de um modelo perverso: clubes transformados em empresas pagarão menos impostos do que entidades que historicamente sustentaram atletas olímpicos, categorias de base e projetos sociais em todo o país.
E isso não é exagero retórico.
É matemática tributária.
O Debate Ganhou um Novo Símbolo: Leila Pereira
A discussão ganhou ainda mais força após a declaração da presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras, Leila Pereira, em defesa do modelo SAF e do aumento da tributação para clubes associativos.
Durante entrevista à Cazé TV, Leila afirmou:
“Tudo o que for para influenciar e fazer com que os clubes se transformem em empresas, eu estou de acordo. ‘Ah, mas as associações vão pagar mais.’ Que paguem mais. Não quer pagar mais? Transforme-se em SAF.”
A frase escancarou aquilo que muitos dirigentes de clubes formadores já enxergavam nos bastidores:
a reforma tributária está deixando de ser apenas uma mudança fiscal e passando a funcionar como mecanismo de pressão estrutural para empurrar o futebol brasileiro rumo à “empresarialização” completa.
A mensagem implícita é direta:
“O modelo associativo tornou-se um problema a ser eliminado.”
E isso representa uma ruptura histórica no esporte brasileiro.
O Estado Está Punindo Quem Forma Atletas
Hoje, os clubes associativos — como Clube de Regatas do Flamengo, Sport Club Corinthians Paulista, Minas Tênis Clube, Esporte Clube Pinheiros e tantos outros — operam em um modelo híbrido.
O futebol profissional financia modalidades deficitárias, mas essenciais para o esporte nacional:
natação, ginástica, judô, vôlei, atletismo e esportes paralímpicos.
É o chamado subsídio cruzado.
Foi esse modelo que ajudou o Brasil a produzir medalhistas olímpicos, atletas pan-americanos e milhares de jovens que encontraram no esporte uma alternativa à criminalidade e à exclusão social.
A reforma tributária ignora completamente essa realidade.
Ao elevar a carga dos clubes associativos de cerca de 5% para algo próximo de 16%, o governo retira diretamente recursos que hoje mantêm centros de treinamento, bolsas esportivas, salários de técnicos, viagens e infraestrutura esportiva.
Na prática, Brasília está tributando o futuro olímpico do país.
A SAF Vira o Modelo “Premiado” Pelo Sistema
Enquanto os clubes associativos sofrerão uma avalanche tributária, as SAFs continuarão protegidas por um modelo significativamente mais vantajoso.
O Regime de Tributação Específica do Futebol (TEF) mantém alíquota reduzida para estruturas empresariais do futebol profissional.
O resultado cria uma distorção evidente:
- o clube que mantém esportes olímpicos, projetos sociais e categorias de base poderá pagar quase três vezes mais;
- já estruturas voltadas prioritariamente ao futebol-negócio continuarão inseridas em um ambiente tributário favorecido.
A fala de Leila Pereira praticamente legitima essa lógica ao defender explicitamente que o aumento de impostos seja usado como ferramenta de transformação forçada dos clubes.
O problema é que essa lógica ignora uma pergunta central:
quem sustentará o esporte olímpico brasileiro quando os clubes associativos perderem capacidade financeira?
Porque a SAF não nasce para manter modalidades deficitárias.
Ela nasce para gerar eficiência econômica no futebol.
E são coisas completamente diferentes.
O Discurso da “Compensação por Créditos” Não Se Sustenta
O argumento técnico utilizado para defender a reforma é que os clubes poderão recuperar parte da tributação através dos créditos do IBS e da CBS.
Na teoria, parece razoável.
Na prática esportiva, é quase uma ficção contábil.
Clubes associativos arrecadam grande parte de suas receitas através de:
- bilheteria;
- mensalidade de sócios;
- programas de associados;
- escolinhas;
- atividades esportivas.
Essas receitas geram baixa recuperação de créditos.
Quem possui maior capacidade de compensação tributária são estruturas empresariais com cadeias complexas de fornecimento, contratos corporativos robustos e operações comerciais amplas.
Ou seja:
o modelo SAF.
O sistema foi desenhado para favorecer estruturas empresariais.
Não entidades esportivas de função social.
O Governo Está Tratando Clubes Formadores Como Empresas Comuns
Existe uma diferença fundamental entre um clube esportivo associativo e uma empresa tradicional:
um deles possui função social.
Clubes formadores:
- desenvolvem atletas desde a infância;
- mantêm modalidades deficitárias;
- oferecem inclusão social;
- representam o Brasil internacionalmente;
- reduzem impactos sociais em comunidades vulneráveis.
Taxar essas entidades como agentes econômicos comuns é um erro estratégico de Estado.
Mais grave ainda: é uma demonstração clara de desconexão entre política fiscal e política esportiva. O Brasil não possui estrutura pública suficiente para substituir o papel exercido pelos clubes na formação esportiva. Se essas entidades perderem capacidade financeira, não haverá rede estatal pronta para absorver esse vazio.
O Impacto Pode Ser Irreversível
O risco mais grave da reforma não está no futebol profissional. Está no desaparecimento silencioso de modalidades olímpicas inteiras. Menos recursos significam:
- fechamento de departamentos esportivos;
- cortes em categorias de base;
- redução de bolsas;
- fuga de talentos;
- abandono de projetos sociais;
- enfraquecimento dos clubes regionais e sociais do interior.
Os primeiros atingidos não serão os gigantes bilionários. Serão justamente os clubes médios e formadores que sustentam a base do esporte brasileiro longe dos holofotes. O país pode voltar décadas no desenvolvimento esportivo.
Uma Reforma Que Contradiz o Interesse Nacional
O mais contraditório é que o próprio Estado brasileiro utiliza constantemente o esporte como ferramenta institucional:
- campanhas sociais;
- programas educacionais;
- diplomacia esportiva;
- inclusão juvenil;
- projeção internacional.
Mas, simultaneamente, cria um sistema tributário que enfraquece quem sustenta essa estrutura na prática. A reforma tributária, da maneira como foi construída para o setor esportivo, não promove justiça. Promove concentração.
- Concentra recursos no futebol empresarial.
- Enfraquece o esporte social.
- Penaliza clubes formadores.
- E ameaça diretamente o futuro olímpico brasileiro.
O Congresso Ainda Pode Evitar Esse Erro Histórico
A mobilização de dirigentes, atletas olímpicos e entidades como o Comitê Brasileiro de Clubes não é corporativismo.
É sobrevivência institucional.
Quando medalhistas olímpicos alertam para os riscos da reforma, não estão defendendo privilégios.
Estão alertando para a destruição gradual da principal base esportiva do país.
O Congresso Nacional ainda possui tempo para corrigir essa distorção através de:
- imunidade tributária específica para clubes formadores;
- tratamento diferenciado ao esporte olímpico;
- preservação fiscal das entidades esportivas sem fins lucrativos;
- mecanismos de proteção às categorias de base;
- reconhecimento formal da função social dos clubes associativos.
Sem isso, o Brasil caminhará para um modelo onde apenas o futebol bilionário sobreviverá.
E o custo dessa escolha será pago não pelos dirigentes — mas por gerações inteiras de atletas que talvez nunca tenham a oportunidade de existir.
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