VÁRZEA GRANDE
Livro que resgata história e cultura da cidade será lançado em Paris, no próximo mês
VÁRZEA GRANDE
A segunda maior cidade de Mato Grosso acaba de escrever mais um capítulo de sua história, num retrato cuidadoso e elaborado de forma lúdica, simples e que a cada página vai apresentando tudo de bom que Várzea Grande oferta ao tarde turístico, seja sob o ponto de vista histórico ou cultural.
Lançado há menos de um mês, o livro ‘Conhecendo Várzea Grande’ da professora e ex-vice-prefeita de Cuiabá, Jacy Proença, traz ilustrações que lembram uma revista em quadrinhos e escrita em dois idiomas – português e espanhol – já tem como destino a França, onde será apresentado no início de abril aos parisienses. “A cultura, as tradições e a história de Várzea Grande ganham o mundo”, comemora Jacy.
O anúncio da ‘viagem’ da obra foi feito pela autora na manhã de ontem (6), durante um evento realizado na sede da secretaria de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Turismo (SMDETT) que entregou em primeira mão dezenas de exemplares do ‘Conhecendo Várzea Grande’ aos representantes do Sindicato de Guias de Turismo de Mato Grosso (Singtur). Os guias somam 330 profissionais no Estado, sendo 60 atuando em Várzea Grande. Todos eles são credenciados pelo Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur), do Ministério do Turismo.
Como explica a presidente da entidade, Susy Miranda, o livro apresenta um material extremamente rico em informações, com dados atualizados e que vai servir de referência aos guias. “Quanto maior o conhecimento, melhor, aliás, conhecimento nunca é demais. O material é um presente e com certeza vai atrair à atenção dos próprios várzea-grandenses, do turista de outras cidades de Mato Grosso, como do País”.
A professora Jacy fez questão de destacar que o livro, além de um atrativo pedagógico, foi pensando em atrair e reter à atenção das crianças, dos estudantes. “Esse perfil didático se potencializa a partir do momento que o livro pode ser colorido. Ele não está em preto e branco para ser mais barato, ele foi concebido nesse formato para despertar o interesse de todas as idades”.
A solenidade que marcou a entrega de exemplares e contou com autógrafos da autora, contou com a participação do secretário de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso, Jeferson Neves. Como ele disse, iniciativas como essas da professora Jacy devem ser apoiadas porque revelam rumos certeiros para o direcionamento de políticas públicas. “É um trabalho multifacetado que mostra o quão importante é a gente conhecer a própria história. Popularmente, esse livro vai atingir pessoas que nasceram aqui, que vieram para cá e estão de passagem pela cidade. Várzea Grande poderá conhecer e ter orgulho de tudo o que foi construído até aqui”.
O Titular da Pasta municipal, o secretário Charles Caetano Rosa, pontua que o próprio livro traz no titulo a sua proposta: ‘Conhecendo Várzea Grande’. “A prefeitura, na pessoa do prefeito Kalil Baracat, apoiou desde o princípio essa iniciativa por entender sua importância, sua representatividade e sua valia para a melhoria constante de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do turismo de Várzea Grande”.
O secretário fez questão de ratificar que a obra leva conhecimento aos mais jovens que desconhecem a história e que passam despercebidos por pontos turísticos de Várzea Grande. “Ao conhecer, passam a admirar e absorver essas informações, assimilam o conhecimento, descobrem a origem da cidade e de seus pontos turísticos e passam a dar valor a sua própria história, tradição e cultura”.
Ao falar do perfil voltando ao incentivo do trade turístico de Várzea Grande, Jacy Proença, explica que o livro pode sim contribuir para atrair, divulgar aspectos da cidade, sejam eles históricos, culturais e ou turísticos. “Traz proposta de roteiro aos guias. Os guias são realizadores de sonhos. Porque quem vem para conhecer uma cidade, vem para realizar um sonho. Essa obra é lúdica, fruto de pesquisas. Organizou e mapeou atrações e conta suas histórias. Como está no prefácio do ‘Conhecendo Várzea Grande’, o livro vem revelar o que se viu e não se enxergou; o que se ouviu e não se escutou. Isso tanto em relação ao passado, preservado pela convicção e determinação do seu povo, como aspectos atuais que vêm sendo adotados e que a colocam nos trilhos do avanço e da modernidade, sem perder o seu jeito próprio de ser”.
PONTOS TURISTICOS – Integram as ilustrações das obras, feitas por Ricardo Leite de Almeida, pontos turísticos e históricos conhecidos e ‘desconhecidos’ da cidade como a Orla da Alameda, o Cristo Rei bairro que abençoa quem chega com uma réplica do Cristo Redentor de braços abertos, o quilombo Capão de Negro, o aeroporto Marechal Rondon, Bonsucesso, Passagem da Conceição, Poço do Urubu, Parque Bernardo Berneck, Cacimba Pau D’ Óleo, Igreja Nossa Senhora da Guia, Praça Sarita Baracat, Limpo Grande e as suas redeiras, e ainda as letras dos hinos de Várzea Grande e de Mato Grosso e também atividades lúdicas, como palavras-cruzadas.
VÁRZEA GRANDE
Prefeita decreta calamidade financeira em Várzea Grande e no DAE após bloqueio de R$ 19 milhões e avanço da dívida bilionária de precatórios
Município, que arrecada cerca de R$ 2 bilhões por ano, acumula aproximadamente R$ 1 bilhão em precatórios e passou a desembolsar cerca de R$ 6 milhões por mês para quitar a dívida judicial. Além disso, sofreu o bloqueio de recursos do ICMS e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A medida determina cortes de gastos e prioridade à manutenção dos serviços essenciais.
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, decretou situação de calamidade financeira e fiscal em toda a administração municipal e também no Departamento de Água e Esgoto (DAE). Os dois decretos foram publicados em edição extra do Diário Oficial dos Municípios nesta quinta-feira (16) e estabelecem uma série de medidas de contenção de despesas para evitar o agravamento da crise fiscal.
A decisão foi motivada pelo bloqueio judicial de R$ 19 milhões nas contas do município, atingindo recursos do ICMS e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), além do elevado comprometimento das finanças com o pagamento de precatórios. Embora tenha arrecadação anual em torno de R$ 2 bilhões, Várzea Grande acumula uma dívida de aproximadamente R$ 1 bilhão em precatórios, situação que tem comprometido a gestão financeira. Atualmente, o município desembolsa cerca de R$ 6 milhões por mês para cumprir o cronograma de pagamentos judiciais, valor muito superior aos cerca de R$ 500 mil mensais pagos pela gestão anterior.
Antes da publicação dos decretos, na quarta-feira (15), a prefeita reuniu secretários municipais e vereadores para apresentar o cenário financeiro da administração e explicar as medidas adotadas.
Segundo Flávia Moretti, a gestão conseguiu recursos por meio de emendas parlamentares para áreas como Saúde, Assistência Social e Infraestrutura, mas a falta de aprovação de um projeto de remanejamento orçamentário pela Câmara Municipal impediu a utilização desses valores.
“Desde 2025 busquei emendas para custear principalmente a Saúde, a Assistência Social e a Infraestrutura. Quando precisei de um remanejamento orçamentário, o dinheiro ficou parado na Câmara Municipal por ‘brio’ do presidente daquela Casa. Por isso, tive que utilizar recursos próprios para pagar despesas que poderiam ser custeadas com as emendas”, afirmou.
A prefeita informou ainda que o bloqueio judicial ocorreu após o não pagamento de três parcelas de precatórios, de aproximadamente R$ 6,5 milhões cada, referentes a débitos acumulados nos exercícios de 2023 e 2024.
Ela também afirmou que o município enfrenta outros passivos herdados de gestões anteriores, como uma dívida de R$ 19,4 milhões em créditos tributários e outra de R$ 36 milhões, que impedem a emissão de certidões fiscais. Segundo a gestora, sem a aprovação de um projeto pela Câmara Municipal autorizando o parcelamento desses débitos, Várzea Grande continuará impossibilitada de acessar recursos provenientes de emendas parlamentares.
Durante a reunião, Flávia Moretti pediu o empenho dos secretários na redução de despesas e afirmou que a prioridade será manter os serviços essenciais.
“Agora é hora de apertar os cintos. Precisamos reduzir despesas, cortar tudo o que não for essencial e concentrar esforços para garantir os serviços básicos à população.”
Os decretos determinam a suspensão da criação de novas despesas, da realização de eventos e festividades, da aquisição de bens permanentes sem caráter urgente e da celebração de novos contratos, salvo em situações indispensáveis. Todas as secretarias terão cinco dias úteis para apresentar um plano de redução de gastos administrativos.
Saúde, Educação, Assistência Social, folha de pagamento, limpeza urbana e abastecimento de água passam a ter prioridade absoluta na destinação dos recursos públicos.
DAE em situação crítica
Em outro decreto, a prefeita também declarou estado de calamidade financeira no Departamento de Água e Esgoto (DAE/VG), apontando que a autarquia enfrenta um grave desequilíbrio econômico que ameaça a continuidade do abastecimento de água no município.
O documento cita decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), que apontou irregularidades nas contas da autarquia, déficit orçamentário de R$ 28,7 milhões, dívida de R$ 172,2 milhões com a concessionária de energia elétrica, créditos não inscritos em dívida ativa que somam R$ 158,8 milhões e um passivo em precatórios superior a R$ 314 milhões.
O DAE terá prazo de 60 dias para apresentar um Plano de Recuperação Econômico-Financeira contendo diagnóstico da situação, metas para aumento da arrecadação, cronograma de investimentos e medidas para restabelecer a sustentabilidade da autarquia.
Procuradoria explica alcance do decreto
O procurador-geral do Município, Maurício Magalhães, explicou que o decreto tem caráter administrativo e busca criar condições para reorganizar as contas públicas sem interromper a prestação dos serviços essenciais.
“O decreto estabelece um regime extraordinário de gestão fiscal para enfrentar uma situação financeira extremamente delicada. O objetivo é preservar os serviços essenciais, reorganizar as finanças do município e implementar medidas de recuperação fiscal, sempre dentro da legislação e dos princípios da responsabilidade fiscal.”
Segundo ele, a decretação da calamidade financeira não produz, automaticamente, os efeitos previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
“O reconhecimento administrativo permite a adoção imediata de medidas de contenção e reorganização das despesas. Já os efeitos específicos previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal dependem do reconhecimento pelos órgãos competentes, conforme estabelece o próprio decreto.”
A situação de calamidade financeira terá validade inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada caso os indicadores fiscais e financeiros não apresentem melhora no período.
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