AGRONEGÓCIO
LEITE/CEPEA: Em movimento atípico, preço do leite captado em janeiro sobe 5%
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Cepea, 28/02/2023 – O preço do leite captado em janeiro subiu 5% na “Média Brasil” líquida do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, chegando a R$ 2,6619/litro, sendo 17,6% maior que o registrado em janeiro do ano passado, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de janeiro/23). Trata-se, também, da maior média real para um mês de janeiro, considerando-se a série histórica do Cepea, iniciada em 2004.
A elevação dos preços em janeiro é algo atípico, pois, historicamente, o começo do ano é marcado por baixas nas cotações, tendo em vista o aumento sazonal da produção. Contudo, neste início de 2023, verifica-se justamente o oposto: limitação da produção, em consequência do clima adverso, resultado do fenômeno La Niña.
O Índice de Captação Leiteira do Cepea (ICAP-L) recuou 2,1% de dezembro para janeiro na “Média Brasil”. Nos estados do Sul, houve retração média de -0,2%, o que, por sua vez, esteve atrelado à estiagem na região. Nos estados do Sudeste e do Centro-Oeste, houve queda de 2,3%, já que o excesso de chuvas prejudicou a produção.
Além da questão climática, é importante destacar que os preços firmes dos insumos, sobretudo da ração, têm limitado as margens de produtores leiteiros, dificultando investimentos na atividade. Pesquisas do Cepea mostram que o Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira subiu 0,68% em janeiro.
Com a produção limitada no campo, a média mensal do leite spot em Minas Gerais vem subindo desde a segunda quinzena de dezembro, com alta de 22,4% em janeiro, quando chegou a R$ 2,81/litro, conforme pesquisa do Cepea. A valorização da matéria-prima resultou em aumento dos preços dos lácteos em janeiro. No atacado paulista, o preço médio do UHT subiu 4,2%; o da muçarela, 3,3%; e o do leite em pó, 1%, em termos reais.
Também é importante observar que a oferta interna limitada e o aumento dos preços ao longo de toda a cadeia estimularam o crescimento de 2,8% nas importações de dezembro para janeiro. De acordo com dados da Secex, as compras externas somaram 156,9 milhões de litros em equivalente leite em janeiro, volume 2,3 maior que o internalizado no mesmo mês do ano passado. As exportações, por outro lado, caíram 30,1% em janeiro, totalizando 5,7 mil litros em equivalente leite.
PERSPECTIVA – Segundo colaboradores do Cepea, a oferta no campo continuou limitada em fevereiro. Em Minas Gerais, o leite spot registrou média mensal de R$ 3,05/litro, alta de 8,3% em relação a janeiro. Porém, é importante observar que a valorização no spot se deu na primeira quinzena do mês – na segunda quinzena, a média recuou para R$ 2,96/litro, pressionada pela demanda enfraquecida por lácteos na ponta final da cadeia, que limitou as negociações das indústrias com os canais de distribuição, diminuindo o apetite das indústrias pelas compras no spot. Agentes de mercado consultados pelo Cepea relataram aumento dos estoques depois do dia 20 de fevereiro e sinalizaram preocupações com a fragilidade do consumo por lácteos. Outro ponto que pode frear a intensidade da valorização no campo é o aumento das importações, já que os preços internacionais dos lácteos seguem tendência de queda.
Gráfico 1. Série de preços médios recebidos pelo produtor (líquido), em valores reais (deflacionados pelo IPCA de janeiro/2022)
Fonte: Cepea-Esalq/USP.
ASSESSORIA DE IMPRENSA: Outras informações sobre o mercado lácteo aqui, por meio da Comunicação do Cepea e com a pesquisadora Natália Grigol: [email protected].
Fonte: CEPEA
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Alta dos insumos e eventos climáticos ampliam pressão sobre o agronegócio
O avanço dos custos de produção e a maior frequência de eventos climáticos extremos estão entre os principais desafios enfrentados pelo agronegócio mineiro em 2026. A avaliação é de que o setor convive simultaneamente com os reflexos das tensões geopolíticas internacionais, que afetam o mercado global de insumos, e com fenômenos climáticos cada vez mais imprevisíveis, capazes de comprometer a produtividade no campo.
Segundo dados apresentados durante evento realizado em Belo Horizonte, os custos dos insumos agrícolas acumularam alta de cerca de 70% desde 2019. O aumento atinge diretamente a rentabilidade dos produtores rurais e acaba repercutindo ao longo da cadeia, influenciando os preços dos alimentos que chegam ao consumidor.
A pressão sobre os custos ocorre em um contexto de forte dependência de fertilizantes e outros insumos importados. Conflitos internacionais, restrições comerciais e oscilações nos mercados globais têm provocado instabilidade nos preços e aumentado a preocupação de produtores e entidades do setor.
Diante desse cenário, uma das apostas para reduzir a vulnerabilidade das propriedades rurais tem sido a ampliação do uso de bioinsumos e o desenvolvimento de tecnologias adaptadas às condições brasileiras. A estratégia busca diminuir a dependência de produtos importados e aumentar a eficiência produtiva das lavouras.
O incentivo ao uso de variedades mais resistentes também integra esse movimento. A expectativa é que cultivares com maior tolerância a estresses climáticos e menor exigência de determinados insumos possam contribuir para reduzir custos e ampliar a resiliência das atividades agrícolas.
Minas Gerais ocupa posição de destaque na agropecuária nacional, com forte participação em cadeias como café, leite, batata, citros e diversas outras culturas. Essa diversidade produtiva ajuda a distribuir riscos e fortalece a participação do agronegócio na economia estadual.
Nos últimos anos, o setor registrou crescimento das exportações e ampliou sua contribuição para a geração de renda e empregos. Ainda assim, produtores continuam enfrentando desafios relacionados ao acesso ao crédito, à incorporação de novas tecnologias e à gestão das propriedades diante de um ambiente de negócios cada vez mais complexo.
Entre as preocupações mais imediatas está a influência do clima sobre as lavouras. Em regiões produtoras de café, episódios recentes de chuva de granizo têm gerado apreensão entre agricultores devido ao potencial de danos às plantações. Além das perdas diretas, eventos desse tipo aumentam a incerteza sobre a produção e podem afetar a qualidade dos grãos.
A combinação entre custos elevados e instabilidade climática reforça a necessidade de investimentos em inovação, pesquisa e gestão de risco. Para especialistas do setor, a capacidade de adaptação será cada vez mais determinante para manter a competitividade da agropecuária brasileira nos próximos anos.
Mesmo diante das dificuldades, o agronegócio segue como um dos principais motores da economia mineira. A expectativa é que o avanço de tecnologias, a adoção de práticas sustentáveis e a busca por maior eficiência produtiva permitam ao setor enfrentar um cenário marcado por desafios globais e mudanças cada vez mais rápidas no ambiente de produção.
Fonte: Pensar Agro
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