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Relatório do TCE-MT expõe precariedade no enfrentamento à violência contra a mulher

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A auditoria operacional sobre violência contra a mulher foi anunciada pelo conselheiro-presidente, Sérgio Ricardo, no Dia Internacional da Mulher de 2024.

O relatório preliminar da auditoria operacional sobre Violência Contra a Mulher do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) evidencia como uma série de falhas estruturais, de planejamento e gestão resultaram em altos índices de feminicídios. No estado, 90% dos municípios não possuem Secretaria da Mulher ou unidade similar, 52% não contam com Conselho Municipal, 85% não têm um protocolo de atendimento às vítimas e 75% apontam falhas na integração de serviços da rede de atendimento. 

“Nós temos que mudar esse quadro e isso começa pela indignação, porque é preciso se indignar. Mas depois precisamos conhecer os números e foi por isso que fizemos esses auditórios. Os números são muito ruins. Em Várzea Grande, que é a segunda maior cidade do estado, não temos uma delegacia especializada unicamente para a mulher, por exemplo. E pelo interior é pior ainda”, destacou o presidente do Tribunal, conselheiro Sérgio Ricardo, ao avaliar os índices.

Anunciado em março de 2024 por Sérgio Ricardo, a fiscalização considera os altos índices de feminicídios registrados no estado, líder no ranking nacional de 2023 com 2,5 mortes para cada grupo de 100 mil mulheres, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). “A mulher está sendo espancada, está sendo morta, está sendo tirada do mercado de trabalho. Mato Grosso é campeão em feminicídio e isso é resultado da ausência de política pública ao longo dos séculos”, afirmou o presidente. 

Crédito: Tony Ribeiro/TCE-MT
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O relatório preliminar da fiscalização foi apresentado às instituições ligadas à temática em fevereiro.  Clique  aqui  para ampliar.

Os auditórios incluíram visitas in loco a 12 municípios e uma coleta de dados em 141 prefeituras, sendo que 88 delas responderam ao questionário eletrônico. A amostra foi selecionada com base em critérios populacionais, regiões do estado, índices de violência e feminicídio, além de informações extraídas do Sistema Aplic do TCE-MT e dos portais de transparência municipal. Assim, o levantamento atingiu um nível de confiança de 90%, com margem de erro de 5%.

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Constatou-se ainda que 82% dos municípios não têm um Fundo Municipal da Mulher e apenas 8% incluem previsão orçamentária específica para enfrentamento da violência de gênero em seus Planos Plurianuais. Além disso, algumas prefeituras incluem o tópico “mulheres” de forma genérica no orçamento, sem apontar a devida destinação dos recursos.

Segundo a auditora pública externa Simony Jin, que coordena a ação, o problema da falta de recursos é agravado pela falta de planejamento: apenas três prefeituras contam com Plano de Metas relacionado ao tema e o Plano Estadual, que deveria orientar as ações, não é atualizado desde sua criação, em 2017. “É claro que os recursos são importantes. No entanto, existem outras ações igualmente importantes, como o planejamento e o envolvimento das instituições que executam”, explica.

Boas práticas

Apesar das dificuldades, a equipe técnica do TCE inclui algumas iniciativas exitosas em 12 municípios que receberam visitas in loco. Entre os exemplos que poderão nortear as ações futuras está a lei municipal de Sinop que proíbe a nomeação de servidores condenados com base na Lei Maria da Penha. Em Sorriso, a notificação compulsória de casos de violência é feita de forma anônima diretamente às autoridades e, em Lucas do Rio Verde, foi criada um Botão do Pânico para mulheres com medidas protetivas.

Em outra frente de atuação, há ainda a Casa de Acolhimento Feminino “Casa Belbellita”, em Cáceres, que assim como a Casa Sarita, em Várzea Grande, oferece abrigo humanizado às vítimas de violência doméstica. Já em Barra do Garças e Rondonópolis, há grupos reflexivos para homens agressores e, em Cuiabá, única cidade que conta com uma Secretaria da Mulher em todo o estado, também há espaços de acolhimento às vítimas dentro das unidades de saúde. 

Determinações e recomendações do TCE-MT

 Na maioria dos casos, contudo, o levantamento indica a urgência de planejamento estratégico, financiamento adequado e, sobretudo, integração entre os diversos órgãos de assistência. “É necessário o movimento em conjunto das instituições e uma sensibilização dos gestores, principalmente agora que passamos por uma troca de prefeitos em quase 50% dos municípios, para que possam ser traçadas a partir de um novo governo políticas públicas que realmente atinjam quem precisa”, explicou Simony.

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Diante desse cenário, o relatório preliminar prevê uma série de recomendações ao Governo do Estado, aos municípios, ao Judiciário, à Defensoria Pública e outras instituições que atuam na defesa dos direitos das mulheres. Vale destacar que o trabalho está em andamento e que as medidas serão deliberadas pelo Plenário do TCE-MT. Nas próximas semanas os gestores deverão se manifestar sobre os apontamentos e só então o processo retornará ao TCE para as considerações finais da equipe técnica e avaliação dos conselheiros. 

A auditoria é conduzida pela 2ª Secretaria de Controle Externo (Secex), com apoio da Comissão Permanente de Segurança Pública, presidida pelo conselheiro Waldir Teis, que também é o relator do processo.  

Trabalho já traz resultados 

Crédito: Tony Ribeiro/TCE-MT
Ilustração
Reunião entre o presidente Sérgio Ricardo e representantes da Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica. Clique aqui para ampliar.

Mesmo antes de ser concluído, os auditórios já trazem conquistas fundamentais para o estado. Na semana passada, o presidente do TCE-MT anunciou que os dados subsidiarão um ponto de controle na análise das contas anuais de governo dos municípios, o que contribuirá para o cumprimento das recomendações e garantirá uma rede de proteção mais estruturada para as mulheres mato-grossenses.

O ponto de controle deve considerar uma previsão orçamentária para políticas públicas e a execução de programas de combate à violência de gênero. Desta forma, o Tribunal poderá identificar eventuais contingenciamentos ou subutilização de recursos. “Quando formos julgar as contas, verificaremos se há delegacia especializada, se foi feito algum movimento para melhorar os índices, se houve dinheiro destinado, se o gestor estava atrás de recursos. Cada um vai ter que se adaptar e executar”, concluiu Sérgio Ricardo.

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Vencedores destacam a força do rádio e estimulam novas inscrições

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Os trabalhos da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) chegam diariamente aos ouvidos de muitos mato-grossenses pelas ondas do rádio. As notícias alcançam cidadãos apegados ao aparelho antigo e também aqueles mais conectados, que acompanham suas emissoras preferidas pela internet. Todos podem conferir boas reportagens em áudio sobre o que se passa no Legislativo estadual, como demonstraram os vencedores da categoria Radiojornalismo na primeira edição do Prêmio ALMT de Jornalismo – Troféu Parlamento.

Os profissionais responsáveis pelas três matérias premiadas garantem que vale a pena apresentar bons trabalhos para concorrer ao prêmio, cuja segunda edição foi lançada recentemente. A nova edição traz o tema: “Onde a lei nasce, a cidadania cresce”, mantém as categorias da edição anterior e amplia a premiação em dinheiro para R$ 300 mil. As inscrições estarão abertas entre 30 de junho e 9 de novembro de 2026.

Primeira colocada na categoria Radiojornalismo na edição pioneira, a jornalista Verônica Rakel, da Rádio Vila Real, venceu com a reportagem “Audiência Pública: A Assembleia Legislativa de Mato Grosso trabalhando em parceria com o cidadão”. O material nasceu da observação das audiências públicas promovidas pelo Parlamento estadual e buscou mostrar como a participação popular contribui para a construção de políticas públicas e decisões que impactam diretamente a sociedade.

Para ela, receber o reconhecimento representou um marco em sua trajetória profissional. “Ter o meu trabalho escolhido entre tantos outros no estado me trouxe a certeza de que estou no caminho certo e fazendo o que mais amo, que é comunicar através das ondas do rádio. E, por ser a primeira edição, teve um sentimento ainda maior de emoção e alegria”, afirmou.

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Foto: MARCOS LOPES/ALMT

O segundo lugar ficou com o jornalista Vinícius Antônio, da TRT FM, autor da reportagem “Valorização cultural – Judiciário e Legislativo reforçam a luta dos quilombolas em MT”. O trabalho destacou ações desenvolvidas em apoio à comunidade quilombola Mata Cavalo e a atuação conjunta de instituições públicas na promoção da cidadania.

“Sou do rádio desde muito cedo e ter sido agraciado com um prêmio em que outros grandes comunicadores também produziram materiais com muito profissionalismo reforça o entendimento de que o rádio permanece vivo e presente, mais que qualquer outro veículo, no dia a dia do cidadão”, destacou.

Segundo ele, a pauta surgiu da intenção de dar visibilidade à cultura quilombola e mostrar como as ações do poder público chegam às comunidades.

O terceiro lugar, por sua vez, foi conquistado pelos jornalistas Simone Guedes e Eduardo Cardoso, da Rádio Bom Jesus FM, com a reportagem “ALMT revisa limites urbanos para destravar serviços e dar segurança jurídica”. A produção acompanhou os debates promovidos pela Casa sobre a atualização das divisas municipais em Mato Grosso e os impactos da medida para moradores de regiões de fronteira.

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“Gostei do olhar da Assembleia para essa pauta e da preocupação com quem está na base, especialmente as comunidades rurais que convivem diariamente com essas dificuldades”, relatou Simone.

A reportagem buscou mostrar como a revisão dos limites territoriais pode contribuir para ampliar o acesso a serviços públicos e garantir maior segurança jurídica para milhares de cidadãos.

Os três profissionais de comunicação são unânimes ao afirmar que a experiência foi positiva e que vale a pena participar da nova edição do prêmio, o que todos pretendem fazer. “Já estou selecionando algumas produções e pensando em qual delas pode representar meu trabalho nesta nova edição”, revelou Vinícius.

Verônica também confirmou que pretende concorrer novamente. “Hoje tenho a grata satisfação de estar aqui incentivando que mais profissionais se inscrevam”, declarou. Simone garantiu que quer brigar pelo prêmio novamente. “Com toda certeza vou participar da segunda edição. Agora vou buscar o primeiro lugar”, brincou.

Criado para reconhecer produções jornalísticas que aproximam a sociedade do Poder Legislativo, o Prêmio ALMT de Jornalismo recebeu, em sua primeira edição, 293 trabalhos produzidos por profissionais de 19 municípios mato-grossenses, consolidando-se como uma das maiores iniciativas de valorização da comunicação regional.

Fonte: ALMT – MT

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