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Parlamento homenageia cidadãos que constroem o presente e o futuro de Mato Grosso

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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), por iniciativa do deputado estadual Wilson Santos (PSD), realizou uma sessão especial nesta segunda-feira (2), em reconhecimento ao mérito de personalidades que contribuíram para o desenvolvimento social e econômico do estado. Na cerimônia, foram entregues as comendas Filinto Müller, Marechal Cândido Rondon, Dante de Oliveira, títulos de Cidadão Mato-Grossense e moções de aplausos, representando o reconhecimento de todo o povo mato-grossense.

Em seu discurso, o parlamentar destacou o papel dos homenageados e a importância de reconhecer aqueles que ajudaram a construir a história do estado, inclusive os que não nasceram em Mato Grosso, mas que escolheram fazer dele sua terra. “Mato Grosso tem história. Conceder o título de cidadão mato-grossense a alguém que não nasceu aqui é um gesto muito significativo. Durante muito tempo, este foi um estado distante de tudo e de todos. Meu pai, topógrafo, chegou aqui em 1962 para medir terras, se apaixonou por Mato Grosso e passou três anos tentando convencer minha mãe de que este era o futuro do Brasil”, relatou o parlamentar, natural de Dracena (SP), que chegou a Cuiabá com quatro anos de idade, em 1965.

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Na ocasião, cinco Títulos de Cidadão Mato-Grossense foram entregues. Entre os homenageados estavam o professor Kilwangy Kya Kapitango-a-Samba, natural da República de Angola, que chegou ao Brasil em 1997 e, nove anos depois, tornou-se servidor efetivo da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat), em Barra do Bugres. Também foi agraciado com a honraria, o padre João Batista Diniz Ferreira, natural de Sobral (CE), reconhecido por seu notável trabalho como Capelão Católico Militar do Exército Brasileiro, prestando apoio espiritual à Polícia e Corpo de Bombeiros Militar e à Diocese de Cuiabá.

Ao todo, 85 personalidades foram homenageadas com Moções de Aplausos, por suas contribuições em áreas como educação, segurança pública, comunicação, política, esporte e do setor empresarial. Entre os destaques, a desembargadora e presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE), Serly Marcondes Alves, foi reconhecida por sua trajetória exemplar no Judiciário, marcada pela ética, dedicação e compromisso com a justiça.

“Conheço o Wilson Santos há muito tempo. Um dia consegui uma vaga em um cursinho pré-vestibular com ele e eu não tinha dinheiro, graças a ele, eu passei. E olha, a coincidência, hoje sou presidente do Tribunal Regional Eleitoral. A história de Mato Grosso faz parte da minha identidade e faço parte desta história. Nós temos que dar continuidade para o futuro ser de benefícios para conosco. Nós temos que levar a nossa história pela frente, com grau de responsabilidade, nós temos que cuidar bem e gerar recursos e distribuir riquezas. É uma conquista de todos nós, um direito coletivo. Essa moção tem o sentido da memória do universo e cada vez que eu fizer uma ação, eu estou pensando nos 3,8 milhões de mato-grossenses e nas futuras gerações. Eu faço parte de um Estado maravilhoso”, pronunciou a desembargadora.

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“Precisamos avançar e parabéns para todos aqueles que fizeram o seu trabalho de forma anônima e por tudo que contribuíram para Mato Grosso. Seja você nascido aqui ou não. Muito obrigado! É uma justa homenagem por tudo que fizeram por essa terra de Marechal Rondon, de Dutra, de Dante de Oliveira, de Dom Aquino, dos índios Terena, do Raoni, do Pantanal e da Amazônia”, concluiu Wilson Santos.

Fonte: ALMT – MT

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Mulheres na ALMT: trajetória iniciada há quase sete décadas ganha novo capítulo

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Vera Lúcia Araújo - Verinha -15ª Legislatura (2003-2017).

Vera Lúcia Araújo – Verinha -15ª Legislatura (2003-2017).

Foto: Helder Faria

Teté Bezerra -17ª Legislatura (2011-2015).

Teté Bezerra -17ª Legislatura (2011-2015).

Foto: Helder Faria

A participação feminina na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) atravessa quase sete décadas desde a eleição de Oliva Enciso, em 1958. No último domingo (4), essa história ganhou um novo capítulo com a eleição de Samantha do Abilio (PL) e Alessandra Ferreira (Podemos), que ocuparão duas das 24 cadeiras da Casa a partir de 2027.

Oliva foi a primeira mulher eleita deputada estadual em Mato Grosso, 26 anos depois da conquista do direito ao voto feminino no Brasil. Professora, atuou na educação e na assistência social e também foi vereadora de Campo Grande antes de chegar à Assembleia para a 4ª Legislatura, entre 1959 e 1963, quando Mato Grosso ainda não havia sido dividido.

A historiadora Dejenana Keila Oliveira Campos explica que a participação institucional das mulheres na política mato-grossense começou a ganhar espaço ainda nas décadas de 1920 e 1930, influenciada pela luta e conquistas dos direitos sociais e políticos. Em Mato Grosso, organizações de mulheres, a educação e a imprensa contribuíram para ampliar a presença feminina na vida pública.

A conquista do direito ao voto, porém, não significou acesso imediato aos cargos eletivos. Dejenana aponta que a estrutura política estadual foi historicamente marcada pelo coronelismo, pelas relações familiares e por uma organização patriarcal. Enquanto os homens tiveram o acesso à política tratado como algo natural, as mulheres precisaram construir reconhecimento público por outros caminhos, como a educação, a escrita e a atuação social.

A coordenadora do Núcleo de Estudos sobre a Mulher e as Relações de Gênero da Universidade Federal de Mato Grosso (Nuepom-UFMT), Madalena Rodrigues, também relaciona a baixa representação feminina às estruturas sociais construídas historicamente. “A política de Mato Grosso é uma política patriarcal, cercada pelos homens”, afirma. Segundo ela, as barreiras estão relacionadas não apenas ao gênero, mas também à classe e à raça.

Diferentes caminhos — Ao longo das décadas, as mulheres chegaram à política por diferentes trajetórias. Dejenana aponta que, em Mato Grosso, uma delas foi o capital político familiar, com candidaturas construídas a partir da trajetória de pais, maridos ou outros homens da família. Educação, movimentos sociais e sindicais, atuação profissional e mandatos municipais também se consolidaram como portas de entrada.

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A ex-deputada estadual Vera Araújo, a Verinha, percorreu uma trajetória ligada à educação e ao movimento sindical. Professora e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), foi eleita vereadora de Cuiabá em 2000 e, dois anos depois, conquistou uma cadeira na ALMT, sendo a única mulher entre os 24 deputados estaduais eleitos.

Verinha relata que ocupar um espaço predominantemente masculino significava conviver com cobranças sobre sua capacidade. “Se você faz essa opção, essa decisão de disputar o poder, você tem que provar que você dá conta, que você é competente. Senão eles vêm, dizem: ‘Ah, não deu conta porque é mulher’”, afirma.

Mãe de três filhos, ela também se preocupava que algum problema familiar fosse relacionado à decisão de estar na política. “Eu sempre me preocupei muito com isso, porque eu percebo que, quando a mulher faz essa disputa de poder, ela acaba carregando com ela essa culpa de que nada dê errado com seus filhos, com a sua casa, com a sua família. Porque, se alguma coisa dá errado, ela vai ser culpada porque saiu para o espaço público”, relata.

Mesmo dividindo os cuidados com os filhos e as tarefas domésticas com o companheiro, Verinha afirma que a preocupação permanecia. “Quando a mulher faz essa opção de sair para disputa do espaço de poder, ela acaba sendo responsabilizada duplamente”, acrescenta.

Registros produzidos durante o mandato mostram iniciativas em áreas como educação, saúde e fiscalização do poder público. Entre elas estão a legislação relacionada ao tempo de espera em filas de bancos, uma proposta de combate ao nepotismo e a lei que instituiu o Dia Estadual de Controle à Anemia Falciforme. Outra proposta que se tornou lei instituiu a meia-entrada para professores da rede pública estadual em estabelecimentos de lazer, entretenimento e difusão cultural.

Da candidatura à permanência — A cientista política Christiany Fonseca avalia que a maioria feminina no eleitorado não se transforma automaticamente em presença equivalente nos espaços de representação. O caminho até o mandato envolve acesso aos partidos, recursos de campanha, redes políticas, apoio e condições efetivas de competição. “É preciso conseguir entrar, competir, vencer e depois permanecer na política”, resume.

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Para Christiany, analisar apenas o número de candidaturas não é suficiente, pois estar registrada na disputa não significa necessariamente ser tratada pelo partido como uma candidatura prioritária e competitiva. A divisão das responsabilidades de cuidado, a disponibilidade de tempo e as redes construídas ao longo da trajetória também interferem nesse processo.

Nas eleições gerais de 2026, as mulheres corresponderam a 34% das candidaturas registradas em Mato Grosso, mesmo percentual de 2022. Entre as 24 cadeiras da próxima legislatura estadual, duas serão ocupadas por mulheres.

A eleição de Samantha do Abilio e Alessandra Ferreira ocorre 16 anos depois do último pleito em que duas mulheres foram eleitas simultaneamente para mandatos titulares na ALMT. Em 2010, Luciane Bezerra e Teté Bezerra foram escolhidas para a 17ª Legislatura, entre 2011 e 2015.

Quase sete décadas depois da eleição de Oliva Enciso, a chegada de Samantha e Alessandra acrescenta um novo capítulo a uma trajetória marcada pela ampliação das formas de participação feminina e pela permanência do debate sobre acesso, condições de disputa e presença das mulheres nos espaços de poder.

Mulheres que ocuparam cadeiras na ALMT

4ª Legislatura (1959–1963)
Oliva Enciso

9ª Legislatura (1979–1983)
Sarita Baracat

11ª Legislatura (1987–1991)
Thaís Bérgo Duarte Barbosa

12ª, 13ª e 14ª Legislaturas (1991–2003)
Serys Slhessarenko

12ª Legislatura (1991–1995)
Malba Varjão — suplente

13ª Legislatura (1995–1999)
Zilda Pereira Leite — suplente

15ª Legislatura (2003–2007)
Vera Lúcia Araújo
Ana Carla Muniz

16ª Legislatura (2007–2011)
Chica Nunes
Vilma Moreira — suplente

17ª Legislatura (2011–2015)
Luciane Bezerra
Teté Bezerra

18ª, 19ª e 20ª Legislaturas (2015-2027)

Janaina Riva

20ª Legislatura (2023–2027)
Marildes Ferreira — suplente
Profa. Graciele (Graciele Marques dos Santos) — suplente
Valdeníria Dutra — suplente
Sheila Klener — suplente
Sandy de Paula — suplente
Priscila Dourado — suplente

Edna Sampaio — suplente
Eliane Xunakalo — suplente e primeira mulher indígena a assumir temporariamente uma cadeira na história da ALMT.

*Os períodos indicados correspondem às legislaturas, não necessariamente ao tempo de exercício de cada parlamentar.

Fonte: ALMT – MT

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