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Operação policial e política explode em Cuiabá: vereador Chico 2000 é afastado por esquema de desvio de emendas

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Na manhã desta terça-feira (27), a Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou a Operação “Gorjeta” — uma ação de grande impacto que envolve polícia, poder legislativo municipal e empresários em um esquema de desvio de emendas parlamentares que atinge diretamente a Câmara Municipal de Cuiabá e o Legislativo local.

O vereador Chico 2000 (PL) — ex-presidente da Casa — foi afastado do cargo por decisão judicial por 60 dias, em meio ao cumprimento de mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e outras medidas cautelares. A ação apura a articulação de um grupo para desviar recursos públicos via emendas parlamentares, direcionando quantias a uma entidade e a uma empresa, com retorno financeiro indevido ao parlamentar responsável pela destinação das verbas.

Esquema sob investigação

Segundo a Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), a quadrilha organizou o repasse de emendas a entidades aparentemente beneficiárias de projetos esportivos e, em seguida, parte dos valores teria sido “devolvida” ao vereador Chico 2000. Para investigadores, há indicativos de crimes graves como peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

As diligências envolveram 75 ordens judiciais, incluindo mandados de busca e apreensão, acesso a dispositivos eletrônicos e o bloqueio de R$ 676.042,32 em contas de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao esquema. Foram apreendidos ainda veículos, imóveis e outros bens de suspeitos envolvidos.

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Os nomes confirmados como alvos da Operação “Gorjeta” incluem:

  • Chico 2000 – vereador (PL) afastado do mandato por 60 dias;

  • Rubens Vuolo Júnior – chefe de gabinete de Chico 2000;

  • Joaci Conceição Silva – servidor e assessor parlamentar ligado ao vereador Mário Nadaf (PV);

  • Alex Jones Silva – presidente do Instituto Brasil Central (Ibrace);

  • Magali Gauna Felismino Chiroli – ligada à empresa Chiroli Uniformes;

  • João Nery Chiroli – empresário, também apontado na investigação;

  • Michelle Cruz Silveira – identificada como uma das pessoas envolvidas no contexto das apurações.

Além dessas pessoas físicas, duas empresas e uma entidade — Chiroli Uniformes, MT Mensura e o Instituto Brasil Central — também foram incluídas nas diligências.

Política local em turbulência

Este é o segundo afastamento judicial de Chico 2000 em menos de dois anos. Em 2025, ele já havia sido afastado por suspeitas de corrupção em outro caso e retornou ao mandato após cumprir medida cautelar. Sua carreira parlamentar agora volta a ser questionada no centro de um novo escândalo.

Apesar do afastamento, o vereador continuará a receber o salário de cerca de R$ 26 mil mensais, conforme decisão que considerou a medida cautelar sem caráter punitivo — respeitando a presunção de inocência até definição final do caso.

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A presidente da Câmara Municipal, vereadora Paula Calil (PL), emitiu nota afirmando que a Casa não é alvo da investigação, mas colaborou com todas as diligências determinadas pela Justiça com total transparência e respeito às decisões judiciais.

Repercussão e implicações políticas

O impacto da Operação Gorjeta reverbera no cenário político municipal: suplentes já se movem para assumir a vaga de Chico 2000, e os adversários políticos não perdoam, questionando a conduta ética de lideranças locais. Este episódio pode influenciar alianças e candidaturas nas eleições municipais e estaduais em 2026.

Analistas ouvidos por 360fatos apontam que o caso pode desencadear investigação mais ampla sobre a destinação de emendas e parcerias com entidades intermediárias, elevando o olhar sobre transparência na gestão das verbas públicas em municípios brasileiros.

Ação coordenada e continuidade das investigações

A Operação Gorjeta, coordenada pela Delegacia de Combate à Corrupção, segue em andamento. A Justiça determinou também a suspensão das atividades da entidade investigada e auditorias pela Controladoria Municipal em todos os termos de parceria associados ao caso.

Defesa dos investigados ainda não se manifestou oficialmente. 360fatos seguirá acompanhando os desdobramentos desta investigação policial-política que expõe a complexa trama entre poder público, interesses privados e desvio de recursos públicos no coração do Legislativo cuiabano.

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TJMT suspende desocupação em condomínios após pedido da ALMT

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Em resposta ao pedido encaminhado pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) nesta sexta-feira (17), a Corregedoria-Geral da Justiça do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) decidiu suspender a medida de desocupação e determinou o encaminhamento do processo à Comissão Regional de Soluções Fundiárias para análise técnica do caso envolvendo famílias que residem nos condomínios Villas das Minas e Villas das Lavras do Sutil I e II, em Cuiabá. A decisão do Judiciário ocorreu após solicitação formal da Assembleia, diante da preocupação com os impactos sociais da medida.

A decisão considera que o caso apresenta potencial impacto social relevante, especialmente diante da possibilidade de cumprimento de medida de imissão na posse envolvendo famílias em situação de vulnerabilidade, e reforça a necessidade de adoção de etapas preparatórias antes de qualquer decisão de desocupação coletiva.

“Recebemos uma decisão muito importante da Corregedoria do Tribunal de Justiça, que representa uma vitória significativa para as famílias dos condomínios Minas e Lavras do Sutil. Ainda não vencemos a guerra, mas conquistamos uma batalha importante, que traz tranquilidade aos moradores que estavam vivendo momentos de angústia. Quero agradecer à Procuradoria da Assembleia e ao Poder Judiciário pela sensibilidade em olhar para essa situação. Esse resultado é fruto de um trabalho conjunto. Agora, vamos continuar dialogando e trabalhando para construir uma solução justa e definitiva para essas famílias. Contem com a Assembleia Legislativa, porque estaremos ao lado de vocês”, comemorou o deputado estadual Max Russi (Podemos), presidente da Assembleia Legislativa.

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O procurador da Assembleia Legislativa, Ricardo Riva, explicou que a decisão da Corregedoria do Tribunal de Justiça foi resultado direto do pedido formal apresentado pela Casa, que apontou a necessidade de cumprimento de etapas legais e sociais antes da execução da medida de desocupação.

Segundo ele, a Assembleia solicitou a suspensão da imissão na posse justamente para garantir que o processo observe as exigências previstas na legislação e nas normas que tratam de conflitos fundiários coletivos.

“A Assembleia oficiou a Corregedoria do Tribunal pedindo a suspensão do cumprimento da imissão na posse, ou seja, da retirada das famílias dos apartamentos, porque existem etapas legais e sociais que precisam ser cumpridas antes de qualquer desocupação coletiva. A decisão da Corregedoria foi tomada a partir dessa solicitação e determinou o encaminhamento do processo à Comissão Regional de Soluções Fundiárias para análise técnica do caso”, explicou o procurador.

Ricardo Riva destacou ainda que a medida busca assegurar que qualquer decisão judicial seja precedida de avaliação técnica e de diálogo institucional, garantindo segurança jurídica e proteção às famílias envolvidas.

O pedido da ALMT – No documento encaminhado ao Judiciário, o presidente Max Russi alerta que o cumprimento da ordem de imissão na posse, decorrente de um processo de falência iniciado em 2003, pode resultar na retirada imediata de moradores de suas residências sem que haja medidas adequadas de acolhimento social às famílias afetadas. O ofício destaca que a execução da decisão, da forma como está prevista, pode gerar consequências sociais graves, especialmente para pessoas em situação de vulnerabilidade.

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A Assembleia também argumenta que a condução do processo deve observar normas e diretrizes que tratam da proteção de direitos humanos e da mediação de conflitos. Entre os dispositivos citados estão o Provimento nº 23/2023 do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, a Resolução nº 510 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e orientações do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelecem que desocupações coletivas precisam ser precedidas de diálogo entre as partes e da definição de estratégias de atendimento às famílias atingidas.

De acordo com o documento, essas normas determinam que, antes da execução de despejos coletivos, sejam realizadas reuniões preparatórias e elaborados planos de ação que considerem a situação social dos moradores, garantindo alternativas de acolhimento e encaminhamento a programas habitacionais ou de assistência social, sempre que necessário.

Visita aos condomínios – Na noite de quinta-feira (16), Russi esteve pessoalmente nos residenciais para ouvir os moradores e acompanhar de perto a situação. Durante a visita, o parlamentar conversou com os condôminos e manifestou preocupação com a possibilidade de retirada imediata das pessoas de suas casas, destacando o clima de insegurança e aflição vivido pelos moradores. A presença do deputado no local ocorreu após relatos de que centenas de famílias temem perder suas moradias em razão de decisão judicial.

Fonte: ALMT – MT

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