POLÍTICA
Fechamento de turmas do ensino fundamental é tema de audiência pública
POLÍTICA
Foto: JLSIQUEIRA / ALMT
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), por intermédio do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), realizou quinta-feira (24) audiência pública para discutir o fechamento de turmas dos anos iniciais de 1º ao 5º do ensino fundamental nas escolas estaduais e a transferência dessa responsabilidade para escolas municipais, como parte do chamado redimensionamento.
Lúdio Cabral convidou para explicar esse assunto, e outras assuntos (processo seletivo para escolha de diretores e diretoras das escolas estaduais), o secretário de Estado de Educação, Alan Porto, mas não compareceu e enviou o secretário-adjunto, Amauri Fernandes, para explicar as mudanças que vem ocorrendo no Estado desde 2020.
Além da participação dos pais de alunos, outro convidado para o debate foi o presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep), Valdeir Pereira. Ele lamentou a forma como o estado vem conduzindo a escolha dos gestores das unidades educacionais de todo o Estado.
“Hoje, não há mais eleições para a escolha dos gestores das escolas públicas. A escolha é política, antes eles ficavam dois anos à frente da gestão escolar, agora é um ano. É uma decisão de governo e não de Estado. A regra do jogo precisa ser respeitada” afirmou Pereira.
Ele criticou ainda a medida de o estado entregar o ensino fundamental de 1º ao 5º ano para as prefeituras municipais. “Com essa medida, os pais não têm condições de matricular seus filhos próximos de casa. Em relação ao processo seletivo houve um avanço, mas os docentes estão encontrando dificuldades na hora de fazer suas atribuições”, disse.
O deputado Lúdio Cabral afirmou ser favorável à gestão democrática e das eleições dos diretores nas unidades escolares. Mas segundo ele, o processo seletivo realizado pelo Estado apresentou várias inconsistências e questionamentos sobre a lisura do certame.
“A eleição foi dividida em três etapas. Primeiro foi a nota de classificação, segundo a análise de documentos e terceira das entrevistas. Nessa última etapa, muitos candidatos foram desclassificados. Não sabemos o critério desse item à reprovação no certame”, explicou Cabral.
Caso não haja entendimento entre os profissionais da educação e o Governo, o parlamentar afirmou que o Estado precisa esclarecer os critérios que foram adotados para a entrevista. Se há possibilidade de recursos, por que o edital não define essa possibilidade e nem os critérios que foram feitos para analisar as entrevistas? Questionou Lúdio Cabral afirmando ainda que não abre mão da gestão democrática para as escolhas de professores da educação que vão gerir as unidades escolares.
Com a transferência da gestão nas unidades de ensino do 1º ao 5º às prefeituras, o secretário-adjunto da Seduc, Amauri Fernandes, afirmou que o Estado abre mão de recursos financeiros por causa do redirecionamento dos alunos para o município.
Enquanto isso, Valdeir Pereira fala que o Estado deixará de receber R$ 1,033 bilhão de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Mas para Lúdio Cabral, o problema é maior que o financeiro.
Segundo ele, muitas famílias perderão o vínculo com as unidades escolares. “A quebra do elo é abrupta. Porque não está sendo feita de forma planejada, para que a ruptura não seja traumática tanto para os alunos e quanto às famílias”, questionou Cabral.
O representante da Comissão de Pais de Alunos de Rondonópolis, Victor Folmer, as unidades escolares, que hoje são de responsabilidade do Estado, serão transferidas aos municípios. Segundo ele, os municípios não têm infraestrutura física e nem técnica para abrigar os alunos do 1º ao 5º ano.
“Essa transição começou em 2020, em pleno período da pandemia de Covid-19, pegando muitos pais de surpresa, quando muitas escolas municipais começaram a ser fechadas. Nesse contexto, o prefeito Zé do Pátio disse que o município não pode perder recursos financeiros. Mas os alunos não podem ser moedas de trocas entre o Estado e o município. Como fica a logística dos pais que precisam levar os filhos às escolas?”, questionou Folmer.
A angustia dos pais presentes na reunião está com a possibilidade de o governo, a partir de 2024, não oferecer mais educação aos alunos do ensino fundamental do 1º ao 5º ano. Então, os pais sugerem ao governo manter convênio com os municípios e, com isso, não deixar de oferecer o ensino próximo às suas residências. Para eles, os municípios não têm infraestrutura física de qualidade para abrigar os estudantes.
A advogada e mãe de aluno da Escola Souza Bandeira – Cuiabá/Coxipó, Mircielly Sant’Ana, afirmou que a iniciativa de o governo do Estado, a partir de 2023, implantar as mudanças nas atribuições de matrículas de alunos do ensino fundamental do 1º ao 5º ano.
“Até ontem, o secretário Alan Porto afirmou que a 1ª série e a 2ª série do Souza Bandeira iriam sair do ano letivo de 2023 para receber os alunos do 6º ano de outras escolas do município. Esse é o nosso principal questionamento. Mas o secretário garantiu aos pais que os alunos do 2º ano não vão sair em 2023. Mas para 2024, vão sair os alunos do 2º ao 6º ano. A nossa luta agora é para permanecer o ensino do 1º ao 9º ano”, explicou Sant’Ana.
De acordo com Sant’Ana, o ensino fundamental é de responsabilidade dos municípios, enquanto o ensino médio é do estado. Segundo ela, o redirecionamento em Mato Grosso, feito por meio de um decreto em 2021, que “o estado tem que atualizar nessa dinâmica até 2027. Por isso, o estado deveria fazer redirecionamento de forma paliativa, devagar para não impactar os alunos. O estado está fazendo isso de forma impositiva, prejudicando tantos os alunos quanto os pais”, disse.
Fonte: ALMT
POLÍTICA
ALMT lança livro com indicadores climáticos e propostas para o futuro de Mato Grosso
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) lançou o livro Indicadores do Clima em Mato Grosso – Cenários da Crise Climática e a Formulação de Políticas Públicas na tarde desta segunda-feira (1º) A publicação é resultado dos trabalhos da Câmara Setorial Temática (CST) de Mudanças Climáticas, encerrada em 2025. A obra reúne estudos, diagnósticos e projeções sobre os impactos das mudanças climáticas no estado, além de apontar caminhos para a formulação de políticas públicas de mitigação e adaptação.
O deputado estadual Júlio Campos (União), que presidiu os trabalhos da câmara, destacou o caráter preventivo do documento. Segundo ele, o material foi construído com a participação de universidades, cientistas, órgãos públicos e organizações da sociedade civil.
“Estamos hoje publicando esse livro que mostra o cenário da situação que vai ocorrer a partir de agora, em especial a partir de 2030, quando haverá uma grande virada, com impacto no clima em todo o mundo e também em Mato Grosso”, afirmou o parlamentar. Campos também adiantou que pretende apresentar um projeto de lei para a implantação de um Plano Estadual de Mudanças Climáticas, como forma de iniciar um diálogo junto ao governo buscando a tomada de ações.
A secretária da CST e editora da obra, Juliana Arini, explicou que o objetivo é levar o debate para além dos espaços técnicos e aproximá-lo dos gestores municipais. “A proposta é tirar essa discussão da Assembleia e trazer para o gestor público, principalmente para prefeitos e vereadores, porque são eles que lidam diretamente com as consequências da crise climática”, destacou.
De acordo com Juliana Arini, o livro será distribuído aos 142 municípios mato-grossenses e às respectivas câmaras municipais. A publicação reúne, de forma acessível, o conteúdo debatido ao longo do funcionamento da Câmara Setorial. “Fizemos uma síntese das discussões para que o gestor público tenha acesso a esse conhecimento de forma facilitada, com uma linguagem menos técnica e mais compreensível”, explicou.
Entre os alertas apresentados na obra estão projeções de aumento das ondas de calor em todos os municípios do estado até 2030. “O calor a gente não tem como evitar, mas tem como mitigar. Precisamos discutir arborização urbana, transporte público climatizado e alternativas para proteger a população mais vulnerável”, observou Juliana.
A professora da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Carolina Joana da Silva, que participou da elaboração do material, ressaltou que a publicação reúne diferentes perspectivas sobre os impactos das mudanças climáticas nos biomas mato-grossenses. “É um documento que facilita a compreensão da população sobre um fenômeno global e mostra a necessidade de estarmos preparados para enfrentar essas mudanças. Isso demonstra o interesse da Assembleia Legislativa em discutir um tema importante para Mato Grosso e para o Brasil. É um material que reúne informações e alertas que precisam chegar à sociedade”, afirmou.
Já a suplente de deputada, Sheila Klener (PSDB), destacou que o estudo servirá como instrumento de apoio à tomada de decisões governamentais. “Essa publicação vai ajudar a preparar e desenvolver políticas públicas para enfrentar as mudanças climáticas, que estão cada vez mais perceptíveis no nosso dia a dia”, avaliou a geóloga, servidora da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). “Mato Grosso não tem o mesmo nível de emissão de CO₂ de estados mais industrializados, mas nós temos o desmatamento e a pecuária como fatores que precisam ser observados. As pessoas precisam entender que sem floresta e sem água não haverá produção”, alertou.
Durante o lançamento, os participantes reforçaram a importância da preservação ambiental, da proteção das nascentes e da adoção de estratégias de adaptação para enfrentar desafios como o aumento das temperaturas, períodos prolongados de seca e a pressão sobre os recursos hídricos. O livro apresenta indicadores climáticos, mapas e diagnósticos que poderão subsidiar ações de planejamento em diferentes áreas.
Fonte: ALMT – MT
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