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Comissão de Saúde realiza audiência para debater a regulação de pacientes no SUS

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A Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou, nesta terça-feira (24), audiência pública para discutir os principais problemas e as possíveis soluções para a regulação de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado. 

Em Mato Grosso, a demanda reprimida de cirurgias de urgência é de 7.314 e eletivas, 6.362; num total de 13.676 pessoas aguardando na fila de regulação. Os dados foram apresentados pela secretária adjunta executiva de Saúde, Kelluby de Oliveira.

“As informações que trouxemos nessa audiência pública apontam os avanços nas ações e o que nós estamos fazendo para depurar a fila. Grande parte desses números tem várias motivações, são pacientes que às vezes mudaram de telefone, ou já fizeram o procedimento, ou infelizmente foram a óbito. Ampliamos os serviços para a redução de pessoas na fila de espera para cirurgias”, explicou.

Entre as ações, a partir da intervenção do estado, Kelluby destacou a retomada dos serviços que estavam paralisados, o aumento no atendimento do Hospital Estadual Santa Casa e no Metropolitano.

O presidente da Comissão de Saúde, deputado Lúdio Cabral (PT), cobrou da Central de Regulação quais os tipos de cirurgia que esses pacientes necessitam e qual o tempo de espera dos procedimentos, e afirmou que o complexo regulador tem o dever de racionalizar os procedimentos do estado. 

“Esses números são um descritor de carência no atendimento de urgência. Recebemos pedidos de socorro de pessoas em todo o estado aguardando na fila para realizar algum tipo de procedimento, internação clínica, cirurgia, casos graves de cardiologia e oncologia e é um dever nosso pautar esses temas para entender o que de fato acontece. É papel da Assembleia Legislativa acolher as necessidades das pessoas e mobilizar o poder público, o responsável por atender as demandas”, cobrou Lúdio.

O parlamentar pediu também aos representantes da regulação do SUS dados dos locais que esses pacientes necessitam de atendimento, que problemas de saúde eles têm, “para que possamos cobrar mais e pensar em novas iniciativas, como, por exemplo, fazer debates específicos como a gente tem feito na oncologia”.

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Já em Cuiabá, a representante do gabinete estadual de intervenção da saúde de Cuiabá, Deisi de Cássia Bocalon Maia, afirmou que a demanda do município é de 28.122 pacientes na fila, sendo 4.046 de urgência e 24.076 eletivos.

Deisi afirmou que desde 14 de março de 2023, com a intervenção estadual no município de Cuiabá, algumas ações diárias são realizadas, como a reestruturação do setor de triagem, cruzamento do Sistema Nacional de Regulação (Sisreg) e o Sistema de Mortalidade (SIM), que oportunizou a retirada de 17 mil usuários da fila de espera de procedimento hospitalar que já estavam em óbito.

“Criamos uma central de biópsia e zeramos a demanda de exames de próstata, dando mais agilidade na realização dos procedimentos cirúrgicos que estavam na fila. Implantamos o serviço de hemodinâmica no Hospital São Benedito, entre outras ações”.

O promotor de Justiça, Milton Mattos da Silveira Neto, da 7ª Promotoria de Justiça Cível de Tutela Coletiva da Saúde de Cuiabá, disse que o serviço de regulação do SUS mostra uma desorganização na questão de prestação de serviço ao cidadão. 

“Existe um sistema oficial que é o Sisreg, que necessita ser melhorado e muito, porque ele não permite, até por uma questão da própria natureza do serviço. A ideia é trazer uma maior previsibilidade para o cidadão e principalmente que ele saiba exatamente qual  é o lugar dele na fila”, enfatiza o promotor de Justiça. 

Milton disse também que está em tratativas com o Ministério Público do Distrito Federal para importar uma tecnologia mais eficaz e transparente que permita coletar dados importantes oriundos das ações judiciais e oferecer esse serviço ao estado e municípios.

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“Com a implantação desse sistema, será possível saber qual o medicamento está sendo mais demandado em ações judiciais, qual a cirurgia que está sendo judicializada. Esse serviço será oferecido a Secretarias de Estado de Saúde e à Secretaria Municipal de Saúde, que concentram as demandas de alta complexidade, e que elas possam direcionar esse serviço oriundos de todas as especialidades, dentro de um prazo razoável para todo cidadão brasileiro”. 

Para o promotor, “o estado tem que saber gerir os recursos de maneira mais eficiente no que é mais urgente, no que salva mais vidas. Fiz um levantamento e nenhum município de Mato Grosso investe menos que o mínimo constitucional na saúde, que é de 15%. Em média, os municípios investem 20% do seu orçamento na saúde, e o estado, 14%”.

De acordo com Milton de Matos, o Ministério da Saúde paga dez reais numa consulta médica, um procedimento de biópsia, cerca de 30 reais. “Isso não paga nem a agulha usada no serviço, e os Ministério da Saúde tem que voltar a colocar mais dinheiro e melhorar essa tabela, a saúde tripartite é responsabilidade do Ministério da Saúde, da União, do governo do estado, municípios e do Congresso Nacional”, concluiu. 

Na audiência pública, Luzinete Siqueira Rosa, assessora técnica da Comissão de Saúde e Assistência Social do Tribunal de Contas do Estado (TCE), fez uma palestra sobre o tema “Fragilidades do Sistema de Regulação”.

“Nos últimos anos, o termo regulação vem progressivamente tomando a agenda da gestão do SUS nas discussões e na sua normalização legal e operativa que envolvem a relação entre os serviços públicos e privados, por isso a necessidade de detectar as fragilidades do sistema de regulação e apontar as recomendações necessárias para a melhoria do serviço do SUS”, explicou.

Fonte: ALMT – MT

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CST debate desembargos ambientais à agricultura familiar em Mato Grosso

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A Câmara Setorial Temática (CST) do Desembargo Ambiental da Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizou, nesta quinta-feira (16), uma reunião com a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, para discutir os procedimentos relacionados aos desembargos ambientais e ao licenciamento ambiental simplificado.

O debate teve como foco a implementação da Lei Complementar nº 830/2025 e da Lei nº 13.349/2026, que estabelecem regras para a regularização ambiental e o licenciamento simplificado destinados a agricultores familiares e pequenos produtores rurais. Também foram discutidos os desafios enfrentados pelo Estado na execução do Código Florestal e na consolidação de um modelo que concilie proteção ambiental, segurança jurídica e inclusão produtiva.

A Lei Complementar nº 830/2025 estabelece tratamento diferenciado, simplificado e proporcional para infrações ambientais cometidas por agricultores familiares e proprietários de imóveis rurais com até quatro módulos fiscais que desenvolvam atividades agrossilvipastoris. A norma busca conciliar a regularização ambiental com a permanência da produção no campo.

Já a Lei nº 13.349/2026 instituiu o regime de Licenciamento Ambiental Simplificado para atividades agropecuárias desenvolvidas por agricultores familiares e pequenos produtores rurais. A medida é destinada às propriedades que atendam aos critérios de sustentabilidade estabelecidos pelo órgão ambiental estadual, com o objetivo de tornar mais ágil o processo de licenciamento, sem abrir mão das exigências legais.

Para aderir ao novo regime, os proprietários deverão cumprir uma série de requisitos, entre eles manter o imóvel inscrito e regular no Cadastro Ambiental Rural (CAR), não possuir embargos ambientais vigentes na área da propriedade e apresentar declaração de conformidade ambiental, assumindo responsabilidade civil e administrativa por eventuais danos ambientais causados.

A secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, afirmou que os desafios enfrentados por Mato Grosso na regularização ambiental e nos desembargos refletem um problema nacional relacionado à implementação do Código Florestal. Segundo ela, o tema tem sido debatido em nível federal, em reuniões realizadas em Brasília com representantes do Ministério da Gestão e da Inovação, do Serviço Florestal Brasileiro e dos estados da Amazônia Legal e de Mato Grosso do Sul, em busca de soluções para aperfeiçoar a execução da legislação ambiental.

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A gestora apresentou dados do Painel de Regularização Ambiental, que apontam mais de 8,3 milhões de imóveis inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR) em todo o país, mas com menos de 10% das análises concluídas. Em relação à área cadastrada, apenas 7,25% tiveram a análise finalizada.

Para a secretária, os números demonstram a complexidade da implementação do Código Florestal e as dificuldades enfrentadas pelos órgãos ambientais diante de lacunas na legislação, da pressão da sociedade e de orientações divergentes dos órgãos de controle, o que exige equilíbrio para cumprir a lei sem comprometer a segurança jurídica e a efetividade da política ambiental.

Mauren Lazzaretti afirmou que Mato Grosso construiu um modelo próprio para conciliar a proteção ambiental com a realidade dos pequenos produtores rurais, transformando o desembargo ambiental em uma oportunidade de regularização. Segundo ela, o objetivo é promover a inclusão produtiva sem abrir mão dos compromissos com o desenvolvimento sustentável, destacando que as medidas adotadas pelo Estado não representam anistia nem retrocesso na legislação ambiental.

A secretária também defendeu que as iniciativas previstas na Lei Complementar nº 830/2025 sejam adotadas de forma mais homogênea pelos demais entes federativos. De acordo com ela, a falta de uniformidade na aplicação das normas pode levar ao questionamento, em âmbito nacional, de atos administrativos praticados por Mato Grosso, como embargos, desembargos e licenças ambientais. Por isso, pediu o apoio da Assembleia Legislativa para fortalecer a defesa do modelo adotado pelo Estado.

Ela afirmou ainda que Mato Grosso se consolidou como referência nacional na regularização ambiental de imóveis rurais, independentemente do tamanho das propriedades. Segundo ela, levantamentos do Climate Policy Initiative (CPI), organização que acompanha, desde a implementação do Código Florestal, o desempenho dos estados na análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Programa de Regularização Ambiental (PRA), colocam Mato Grosso entre os estados mais inovadores e com avanços contínuos tanto na validação dos cadastros quanto na regularização ambiental.

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Lazzaretti destacou que os maiores avanços na validação dos cadastros ocorreram em Mato Grosso, São Paulo e, mais recentemente, no Paraná, resultado da adoção da análise automatizada dos processos. Ela ressaltou que, diferentemente dos estados das regiões Sul e Sudeste, Mato Grosso enfrenta desafios muito maiores em razão da dimensão territorial e da complexidade ambiental, o que torna os resultados ainda mais expressivos.

A secretária também enfatizou que o trabalho desenvolvido pelo Estado recebeu reconhecimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que acompanha, por meio da ADPF 743 (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental), a implementação do Código Florestal nos estados da Amazônia e do Pantanal. Segundo ela, decisões do ministro André Mendonça destacam os avanços de Mato Grosso no cenário nacional da regularização ambiental.

Entre os encaminhamentos definidos durante a reunião está a parceria entre a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) para atuar, por meio da Câmara Setorial Temática (CST) do Desembargo Ambiental, na criação de uma mesa técnica destinada à discussão de soluções relacionadas aos desembargos ambientais.

A iniciativa tem como objetivo construir propostas e aperfeiçoar a legislação, buscando garantir maior segurança jurídica e mecanismos que favoreçam a regularização ambiental e beneficiem os proprietários rurais.

Fonte: ALMT – MT

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