POLÍTICA
Audiência pública discute período de semeadura da soja em MT
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O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Fernando Cadore, posicionou-se contrário à decisão que alterou o calendário de plantio
Foto: ANGELO VARELA / ALMT
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizou audiência pública, na tarde desta segunda-feira (17), para discutir o período de semeadura da soja no estado. A audiência foi requerida pelo deputado estadual Gilberto Cattani (PL).
Decisão liminar proferida em setembro deste ano pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) suspendeu norma do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que estendia o calendário de plantio do grão para até 3 de fevereiro. Com isso, voltou a valer o período de 16 de setembro a 31 de dezembro para a semeadura da soja em Mato Grosso.
A Ação Direta de Inconstitucionalidade com pedido de liminar foi proposta pelo diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) de Mato Grosso, que argumentou que a decisão que estabeleceu o novo prazo não levou em consideração “os estudos técnicos realizados para combater o fungo da ferrugem asiática da soja, colocando a população e a atividade agrícola mato-grossense e brasileira em grave risco de danos irrecuperáveis, com a oportunização de desenvolvimento de resistência por parte do fungo com relação aos fungicidas ora existentes”.
A promotora de Justiça Ana Luiza Peterlini participou da audiência pública e destacou a preocupação do Ministério Público Estadual (MPE) acerca da disseminação da ferrugem asiática e dos eventuais prejuízos que isso pode causar ao meio ambiente e ao estado. Tal posicionamento, segundo ela, baseia-se em informações levantadas junto a instituições como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Instituto de Defesa Agropecuária (Indea/MT), a fundação Mato Grosso e o Consórcio Antiferrugem.
O deputado Gilberto Cattani (PL) reforçou o posicionamento apresentado pelos pesquisadores e pela Aprosoja e informou que apresentou um projeto de lei (PL 835/2022) com o objetivo de estabelecer o período de semeadura de soja em MT
Foto: ANGELO VARELA / ALMT
“Há posicionamentos de instituições renomadas que são manifestamente contra a extensão do calendário pelos riscos que isso implica à produção e também às questões ambientais e econômicas. Existem números que nos mostram que pode haver uma quebra de 10% na safra de Mato Grosso”, disse.
O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Fernando Cadore, e produtores rurais presentes na audiência posicionaram-se contrários à decisão que alterou o calendário de plantio e ressaltaram a existência de estudo científico que corrobora a viabilidade do plantio de soja em fevereiro.
“O produtor de soja depende da soja para sua subsistência, então a Aprosoja jamais defenderia uma pauta que não fosse sanitariamente segura e representasse risco à produção”, ressaltou Cadore.
Os pesquisadores da Universidade de Viçosa (MG) Erlei Melo Reis e Laércio Zambolim apresentaram detalhes de estudo do qual participaram e que comprovou que o cultivo da soja em fevereiro é viável tecnicamente, além de ser econômica e ecologicamente sustentável.
O estudo foi realizado durante três safras, em oito regiões de Mato Grosso e, segundo eles, demonstrou duas principais vantagens do cultivo da soja em fevereiro: menor intensidade da ferrugem e menor número de aplicação de fungicidas. Os motivos para isso, conforme os pesquisadores, é que no mês de fevereiro há menor frequência de chuvas, declínio da temperatura, menor tempo no campo, menor tempo de armazenamento e melhor qualidade da semente.
O deputado Gilberto Cattani (PL) reforçou o posicionamento apresentado pelos pesquisadores e pela Aprosoja e informou que apresentou um projeto de lei (PL 835/2022) com o objetivo de estabelecer o período de semeadura de soja em Mato Grosso entre os dias 16 de setembro a 3 de fevereiro de cada ano.
“Estudos científicos comprovam que o plantio em fevereiro é muito melhor, até mesmo pela questão sanitária das plantas e para o meio ambiente, porque você usa menos defensivos e, para o pequeno produtor, isso significa muito, porque a única maneira dele ter a semente dele, que a gente chama de semente crioula, é ele plantando em fevereiro. Então, essa decisão vai prejudicar diretamente o pequeno produtor e vai beneficiar os grandes produtores que vendem a semente para os pequenos. É um monopólio que nós não queremos no estado Mato Grosso”, afirmou o parlamentar.
A deputada Janaina Riva (MDB) também se manifestou contrária à decisão do TJMT que, em sua opinião, favorece os grandes conglomerados e prejudica os pequenos e médios produtores. A parlamentar informou ainda que a Assembleia Legislativa deverá ingressar com medidas legais para reverter a situação.
“Nós estamos defendendo o direito do produtor de salvar a sua semente no mês de fevereiro, sabendo da segurança, que foi comprovada por esse estudo muito bem feito por professores e pesquisadores da Universidade de Viçosa. Eu já tinha conversado com o presidente Botelho e ele nos deu a garantia de que a Assembleia vai usar das suas ferramentas legais para defender o interesse do estado e o interesse do estado é que, assim como nos demais estados brasileiros, o produtor possa salvar a sua própria semente como segurança econômica para ele, como segurança da produção”, declarou.
Fonte: ALMT
POLÍTICA
Moretto participa da beatificação de Padre Nazareno e destaca legado de fé e serviço em Jauru
Foto: ALEX RODRIGUES DA COSTA E OLIVEIRA
Foto: ALEX RODRIGUES DA COSTA E OLIVEIRA
O deputado estadual Valmir Moretto (Republicanos) participou neste sábado (13), em Jauru, da cerimônia de beatificação do Padre Nazareno Lanciotti. O evento reuniu milhares de fiéis para celebrar o reconhecimento oficial da Igreja Católica ao missionário que dedicou sua vida à evangelização e ao desenvolvimento humano da região Oeste de Mato Grosso.
A cerimônia contou com a presença do ex-governador Mauro Mendes; do governador Otaviano Pivetta; da ex-primeira-dama de Mato Grosso, Virgínia Mendes; do deputado federal Fábio Garcia; além de prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias e representantes da Igreja Católica de diversas regiões do estado.
Entre as autoridades presentes estiveram os prefeitos Odair Vargas (Conquista d’Oeste), Mirim (Figueirópolis d’Oeste), Passarinho (Jauru), Odirlei Faria (Porto Esperidião), Pabollo Victor (Rio Branco), Mauto Espíndola (Salto do Céu) e Cláudio Scariote (Sapezal).
Acompanhado de sua mãe, Carmen Moretto, o parlamentar destacou a importância histórica da celebração para Jauru e para Mato Grosso.
“Padre Nazareno deixou um legado que vai muito além da evangelização. Sua missão contribuiu para fortalecer a educação, a saúde, a assistência social e o cuidado com as pessoas. É um exemplo de fé e serviço que continua inspirando gerações”, afirmou Moretto.
Missionário italiano, Padre Nazareno chegou a Jauru na década de 1970 e se tornou uma das figuras mais importantes da história do município. Sua atuação marcou a vida de milhares de pessoas por meio do trabalho religioso, social e comunitário desenvolvido ao longo de décadas.
Para Moretto, a beatificação representa não apenas o reconhecimento da trajetória do sacerdote, mas também da força da fé e da história construída pela população de Jauru.
“Jauru preserva esse legado e demonstra como a fé pode caminhar junto com a solidariedade, a educação, a saúde e o cuidado com o próximo. É um momento de orgulho para toda a região Oeste”, destacou.
O reconhecimento da trajetória de Padre Nazareno também ganhou repercussão internacional. Durante a oração do Angelus deste domingo (14), no Vaticano, o Papa Leão XIV recordou a beatificação realizada em Jauru e destacou a missão do sacerdote. “Ontem, no Mato Grosso, foi beatificado Nazareno Lanciotti, sacerdote romano e missionário, mártir da fé”, afirmou o Pontífice. Para Moretto, a menção do Papa reforça a dimensão histórica do evento para Jauru, para a região Oeste e para todo Mato Grosso.
A beatificação de Padre Nazareno entra para a história de Mato Grosso como um dos maiores eventos religiosos já realizados no estado.
Fonte: ALMT – MT
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