POLÍTICA
Assembleia Legislativa instala CST para discutir Desembargo Ambiental em Mato Grosso
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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), por iniciativa do deputado Valdir Barranco (PT), instalou na manhã desta segunda-feira (11) a Câmara Setorial Temática (CST) destinada a discutir o Desembargo Ambiental no estado. O grupo terá um prazo de 180 dias para apresentar propostas que visem soluções para o desembargo ambiental da agricultura familiar em Mato Grosso.
Durante a cerimônia de instalação da CST, autoridades e representantes de diversas instituições ligadas à pauta ambiental e ao setor produtivo foram convidados a compor a mesa de trabalhos. Entre os presentes estavam o presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheiro Sérgio Ricardo; o presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Leonardo Bortolini; e o vice-prefeito de Bom Jesus do Araguaia, Sílvio Maria Dantas.
O deputado Valdir Barranco (PT), autor da proposta que instituiu a Câmara Setorial Temática do Desembargo Ambiental, destacou que a criação da CST representa um passo decisivo para corrigir uma das maiores injustiças enfrentadas no campo mato-grossense: os embargos ambientais que, segundo ele, condenam agricultores familiares à miséria, mesmo sendo legítimos proprietários da terra onde trabalham.
Barranco relembrou que, em audiência pública realizada em 10 de março, foram definidos encaminhamentos importantes, entre eles a instalação da CST e o Projeto de Lei 1.065/2025, que extingue a ação de bloqueio de função, aguardando apenas a sanção do governador. Também citou o Projeto de Lei Complementar 13/2025, que deve caminhar em conjunto com a CST para tratar do desembargo das propriedades.
Para o parlamentar, liberar as terras da agricultura familiar “não é concessão política, mas sim um ato de justiça, que reconhece o direito de homens e mulheres que vivem do trabalho no campo e que, hoje, são impedidos de plantar, colher e sustentar suas famílias por um sistema que trata a produção como crime”, afirmou Barranco.
O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Leonardo Bortolini, destacou que o recente desembargo de áreas no assentamento Jonas Pinheiro, após 25 anos de paralisação, representa uma oportunidade perdida de geração de riqueza para cerca de 400 famílias, para o município e para o Estado.
Ele defendeu que o processo de liberação das pequenas propriedades deve ser desburocratizado, com regras distintas das aplicadas a médios e grandes produtores, ressaltando a atual recessão da agricultura familiar em Mato Grosso.
Para Bortolini, é preciso investir nesse segmento como alternativa de desenvolvimento, superando a falta de vontade política para pacificar conflitos e agilizar processos. Em tom de desabafo, ele criticou a concessão de incentivos fiscais vultosos a apenas dois grupos que concentram o mercado de carne no estado, enquanto pequenos produtores enfrentam entraves para produzir e sobreviver.
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, defendeu a necessidade de políticas públicas que permitam aos pequenos produtores rurais produzirem de forma regular e sustentável. Durante reunião de instalação da CST do desembargo ambiental, ele destacou que, atualmente, apenas os grandes produtores têm condições de atuar sem restrições, enquanto a agricultura familiar enfrenta embargos que impedem a obtenção de licenças para comercializar e transportar sua produção.
Para Sérgio Ricardo, é preciso reconhecer o mérito dos grandes empreendedores, mas também priorizar ações voltadas à maioria da população, lembrando que, dos 3,8 milhões de habitantes do estado, cerca de 1 milhão depende de programas assistenciais. O conselheiro alertou que o caminho para reduzir a pobreza passa pela união das instituições para criar oportunidades, oferecer qualificação e abrir espaço para que todos possam gerar renda, evitando o crescimento de uma massa de desempregados desqualificados.
O representante do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), José Vespasiano, destacou a importância de uma ação efetiva e articulada para solucionar o impasse que afeta produtores rurais há décadas. Ele ressaltou que o órgão tem mantido diálogo constante com prefeitos e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) para atuar como interlocutor entre Mato Grosso e a sede do Ibama, em Brasília.
Vespasiano defendeu a formalização de um termo de cooperação entre o Incra, a Sema e demais órgãos institucionais, como caminho para uma solução definitiva que garanta segurança jurídica e evite prejuízos, como os embargos que se arrastam há 25 anos em algumas áreas. “O processo já está em andamento na capital federal, aguardando a definição de questionamentos técnicos e jurídicos para que medidas concretas sejam adotadas”, disse.
O vice-prefeito de Bom Jesus do Araguaia, Sílvio Maria Dantas, afirmou que os embargos aos pequenos produtores vêm gerando prejuízos às famílias. Segundo ele, produtores honestos estão sendo obrigados a entregar suas terras aos bancos para quitar dívidas contraídas antes do embargo, enfrentando juros de mais de 20% ao mês. O vice-prefeito reforçou a necessidade de encontrar uma solução conjunta entre Incra, Ibama e Sema, lembrando que já participou de quatro viagens a Brasília e nada de concreto foi definido em favor das famílias dos pequenos produtores da região.
Durante a instalação da CST foram convidados a compor a mesa de trabalhos autoridades e representantes de diferentes instituições ligadas à pauta ambiental e ao setor produtivo. Entre eles, o presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheiro Sérgio Ricardo; o presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Leonardo Bortolini; e o vice-prefeito de Bom Jesus do Araguaia, Sílvio Maria Dantas.
Participaram também a vice-presidente e diretora administrativa e financeira da Conab, professora Rosa Neide; o promotor de Justiça Marcelo Vacchiano, da Procuradoria Especializada em Defesa Ambiental; o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no estado, Joel Machado de Azevedo; a defensora pública-geral de Mato Grosso, doutora Maria Luziani Ribeiro.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA
ALMT lança livro com indicadores climáticos e propostas para o futuro de Mato Grosso
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) lançou o livro Indicadores do Clima em Mato Grosso – Cenários da Crise Climática e a Formulação de Políticas Públicas na tarde desta segunda-feira (1º) A publicação é resultado dos trabalhos da Câmara Setorial Temática (CST) de Mudanças Climáticas, encerrada em 2025. A obra reúne estudos, diagnósticos e projeções sobre os impactos das mudanças climáticas no estado, além de apontar caminhos para a formulação de políticas públicas de mitigação e adaptação.
O deputado estadual Júlio Campos (União), que presidiu os trabalhos da câmara, destacou o caráter preventivo do documento. Segundo ele, o material foi construído com a participação de universidades, cientistas, órgãos públicos e organizações da sociedade civil.
“Estamos hoje publicando esse livro que mostra o cenário da situação que vai ocorrer a partir de agora, em especial a partir de 2030, quando haverá uma grande virada, com impacto no clima em todo o mundo e também em Mato Grosso”, afirmou o parlamentar. Campos também adiantou que pretende apresentar um projeto de lei para a implantação de um Plano Estadual de Mudanças Climáticas, como forma de iniciar um diálogo junto ao governo buscando a tomada de ações.
A secretária da CST e editora da obra, Juliana Arini, explicou que o objetivo é levar o debate para além dos espaços técnicos e aproximá-lo dos gestores municipais. “A proposta é tirar essa discussão da Assembleia e trazer para o gestor público, principalmente para prefeitos e vereadores, porque são eles que lidam diretamente com as consequências da crise climática”, destacou.
De acordo com Juliana Arini, o livro será distribuído aos 142 municípios mato-grossenses e às respectivas câmaras municipais. A publicação reúne, de forma acessível, o conteúdo debatido ao longo do funcionamento da Câmara Setorial. “Fizemos uma síntese das discussões para que o gestor público tenha acesso a esse conhecimento de forma facilitada, com uma linguagem menos técnica e mais compreensível”, explicou.
Entre os alertas apresentados na obra estão projeções de aumento das ondas de calor em todos os municípios do estado até 2030. “O calor a gente não tem como evitar, mas tem como mitigar. Precisamos discutir arborização urbana, transporte público climatizado e alternativas para proteger a população mais vulnerável”, observou Juliana.
A professora da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Carolina Joana da Silva, que participou da elaboração do material, ressaltou que a publicação reúne diferentes perspectivas sobre os impactos das mudanças climáticas nos biomas mato-grossenses. “É um documento que facilita a compreensão da população sobre um fenômeno global e mostra a necessidade de estarmos preparados para enfrentar essas mudanças. Isso demonstra o interesse da Assembleia Legislativa em discutir um tema importante para Mato Grosso e para o Brasil. É um material que reúne informações e alertas que precisam chegar à sociedade”, afirmou.
Já a suplente de deputada, Sheila Klener (PSDB), destacou que o estudo servirá como instrumento de apoio à tomada de decisões governamentais. “Essa publicação vai ajudar a preparar e desenvolver políticas públicas para enfrentar as mudanças climáticas, que estão cada vez mais perceptíveis no nosso dia a dia”, avaliou a geóloga, servidora da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). “Mato Grosso não tem o mesmo nível de emissão de CO₂ de estados mais industrializados, mas nós temos o desmatamento e a pecuária como fatores que precisam ser observados. As pessoas precisam entender que sem floresta e sem água não haverá produção”, alertou.
Durante o lançamento, os participantes reforçaram a importância da preservação ambiental, da proteção das nascentes e da adoção de estratégias de adaptação para enfrentar desafios como o aumento das temperaturas, períodos prolongados de seca e a pressão sobre os recursos hídricos. O livro apresenta indicadores climáticos, mapas e diagnósticos que poderão subsidiar ações de planejamento em diferentes áreas.
Fonte: ALMT – MT
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