POLITÍCA NACIONAL
Projeto do governo prevê salário mínimo de R$ 1.717 em 2027 e define metas fiscais
POLITÍCA NACIONAL
O governo federal prevê salário mínimo de R$ 1.717 em 2027. O valor é R$ 96 maior (5,9%) do que o atual, de R$ 1.621. A projeção está no Projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, apresentado nesta quarta-feira (15), prazo final para envio do texto ao Congresso.
O documento define regras para elaborar o orçamento do próximo ano.
A proposta será analisada pela Comissão Mista de Orçamento (CMO). O texto deve ser votado em sessão conjunta até 17 de julho. O relator será definido após a renovação da composição do colegiado.
Valorização do mínimo
O reajuste segue a política do Executivo de valorização do salário mínimo: o piso é corrigido anualmente de acordo com a inflação e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
Como serve de referência para aposentadorias, pensões e benefícios sociais, o aumento afeta diretamente as despesas públicas.
O valor final só será confirmado após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de novembro.
Metas fiscais
A LDO também define:
- metas fiscais, como déficit ou superávit esperado;
- parâmetros econômicos que norteiam os cálculos, como crescimento do PIB e inflação esperada; e
- regras que condicionam os gastos federais ao longo do ano.
A partir dessas diretrizes, o governo elabora o orçamento anual, a ser enviado ao Congresso em agosto.
Superávit
A proposta prevê superávit primário de 0,5% do PIB em 2027, equivalente a R$ 73,2 bilhões. Isso indica que o governo pretende encerrar o ano com receitas maiores que as despesas, sem considerar os juros da dívida.
O arcabouço fiscal prevê margem de tolerância de 0,25 ponto percentual em torno da meta central. Isso significa que um superávit de até 0,25% do PIB (ou R$ 36,6 bilhões) ainda é considerado dentro do limite.
A meta de 2027 é mais alta do que a deste ano, quando o objetivo é alcançar superávit de 0,25% do PIB, com possibilidade de resultado zero.
O governo projeta uma trajetória de recuperação fiscal até 2028, quando espera alcançar superávit de 1% do PIB.
Precatórios
O texto prevê que 39,4% das despesas com precatórios de 2027 serão incluídas na meta de resultado primário do ano. O percentual é maior que o mínimo de 10% exigido pela Constituição.
Precatórios são dívidas que o governo deve pagar após perder ações na Justiça.
Com a medida, R$ 57,8 bilhões ficarão fora do cálculo da meta fiscal em 2027, o mesmo valor excluído neste ano.
Parâmetros econômicos
O projeto traz as principais projeções para 2027:
- crescimento do PIB de 2,56%;
- inflação de 3,04%; e
- taxa básica de juros (Selic) acumulada de 10,55% ao ano.
Gatilhos e despesas com pessoal
Pelo arcabouço fiscal, as despesas públicas só podem crescer acima da inflação até 2,5% ao ano. Para 2027, o limite total é de R$ 2,54 trilhões.
Para cumprir as metas, a LDO prevê gatilhos de contenção, como restrições à criação de benefícios tributários e limites para despesas com pessoal.
Um dos limites impede o Executivo de elaborar um orçamento com aumento das despesas com pessoal superior a 0,6% acima da inflação.
Da Agência Senado
Edição – Natalia Doederlein
Fonte: Câmara dos Deputados
POLITÍCA NACIONAL
CLDF debate regularização do assentamento Nova Jerusalém e esforço para coibir novas invasões
A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) promoveu, nesta quarta-feira (19), audiência pública para discutir a situação urbanística e possíveis soluções para o conflito fundiário do assentamento Nova Jerusalém, localizado às margens da BR-060, em Samambaia. O debate em plenário foi promovido pelo deputado Hermeto (MDB) e reuniu moradores, representantes do GDF, da Defensoria Pública, da Terracap, da Adasa e das forças de segurança.
Ao abrir a reunião, Hermeto afirmou que acompanha a situação da comunidade atentamente e destacou a necessidade de se construir uma solução para as famílias que vivem no local. “Aquela comunidade está consolidada e precisamos procurar o caminho legal”, afirmou. O parlamentar também alertou para a atuação de grileiros e especuladores. “Os maiores fiscais são vocês, moradores. Se o Estado faz um levantamento hoje, amanhã já aparecem novas famílias”, observou.
A defensora pública Flávia Leite dos Santos informou que a ação de reintegração de posse envolvendo a área está suspensa para a realização de um levantamento socioassistencial. Segundo ela, a Comissão Regional de Soluções Fundiárias deverá realizar visita técnica ao assentamento e promover uma audiência preliminar com os órgãos envolvidos. “É preciso entender o tamanho da ocupação, os serviços existentes e quem realmente mora na comunidade”, explicou.
Representando a Secretaria de Desenvolvimento Social, Daniel Bonazzi relatou que o levantamento iniciado em agosto já identificou número de moradores superior ao estimado inicialmente. “Falava-se em cerca de 800 famílias, mas já encontramos mais de 1.200 e ainda não concluímos a contagem”, informou. Ele também alertou para o risco de novas ocupações motivadas pela expectativa de regularização.

A questão do abastecimento de água também foi debatida. O superintendente de Recursos Hídricos da Adasa, Gustavo Carneiro, explicou que a agência enfrenta limitações legais para conceder outorgas individuais na área, mas busca alternativas para garantir o acesso. “Podemos estudar a implantação de poços coletivos com outorgas em nome da Terracap ou de outro órgão público até que a questão fundiária seja resolvida”, afirmou. Em complemento à fala de Carneiro, Hermeto disse que existem cinco poços no assentamento, sendo apenas um outorgado.
Fiscalização
Representantes da área de segurança destacaram que novas construções e expansões da ocupação podem configurar crimes ambientais e dificultar o processo de regularização. “Vocês são os maiores fiscalizadores. É importante denunciar novas ocupações e obras irregulares. Temos o canal oficial pelo 197 que recebe denúncias anônimas”, disse o delegado Douglas Fernandes, da Delegacia Especializada em Meio Ambiente e Proteção à Ordem Urbanística (Dema).
Já o delegado Rafael Bernardino, da Coordenação Especial de Proteção ao Meio Ambiente, acrescentou que o assentamento Nova Jerusalém está na Área de Proteção Ambiental do Planalto Central e que há investigações de parcelamento irregular de solo urbano no local.
Caminho para a regularização
Pela Terracap, o diretor técnico Carlos Antônio Leal informou que a área do assentamento é da própria agência de desenvolvimento e que o GDF estuda alternativas para regularizar a ocupação. “Hoje estamos à luz de um novo Plano Diretor de Ordenamento Territorial que não considerou o assentamento como Área de Regularização de Interesse Social, (ARIS), o que seria a forma mais direta de regularizar, mas no estudo que estamos fazendo buscamos duas alternativas”.
As opções são o enquadramento da área como Núcleo Urbano Isolado (NUI) ou a utilização do instrumento de Termo Territorial Coletivo (TTC).

Ainda segundo Leal, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação avalia agora qual o caminho mais rápido para a regularização e a Terracap está checando imagens aéreas para estabelecer a poligonal da ocupação. Ao final desse processo, a regularização será conduzida pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab) e os moradores receberão seus lotes gratuitamente.
O diretor técnico da Terracap alertou ainda que parte das moradias precisará ser remanejada por estar localizada sob linhas de transmissão de energia. “A ideia é garantir a regularização e posteriormente a Terracap vai participar do custeamento da infraestrutura necessária, como pavimentação, drenagem, energia elétrica, água e esgoto”, explicou Leal.
Fonte: Câmara Legislativa – DF
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