POLITÍCA NACIONAL
Comissão de Transportes analisa alternativas para baixar o preço das passagens aéreas; assista
POLITÍCA NACIONAL
O deputado Leônidas Cristino (PDT-CE) afirmou que os altos preços das passagens aéreas prejudicam o direito de locomoção, a integração entre os destinos e o desenvolvimento econômico e regional do país. O assunto foi discutido em audiência pública na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados, a pedido de Cristino.
“Semanalmente, recebemos reclamações sobre preços abusivos, falta de respeito e desconsideração das empresas com os passageiros”, disse o parlamentar, ao abrir o debate.
O encontro discutiu as causas do aumento das tarifas e as dificuldades enfrentadas pelas companhias aéreas e pelos consumidores.
Altos custos
Segundo o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Juliano Noman, o preço das passagens reflete os altos custos operacionais do setor.
O querosene de aviação representa cerca de 35% do custo de um voo, seguido pelos gastos com manutenção das aeronaves e mão de obra especializada.
Tarifas de aeroportos, impostos e o excesso de regulação também encarecem as passagens.
“O preço está alto para quem paga. Por outro lado, as três empresas que aqui estão tiveram que passar por processos de recuperação judicial”, disse Noman, referindo-se à Latam, Gol e Azul. “Então, há um descasamento aí. Se está caro para quem paga e está pouco para quem recebe, obviamente há um problema no ambiente regulatório.”
Poucos voos regionais
Com os custos operacionais elevados, as companhias aéreas concentram os voos em rotas mais rentáveis.
O deputado Julio Lopes (PP-RJ) ressaltou que a frota comercial brasileira tem menos de 500 aviões em operação e que a meta de atender 200 destinos regionais ainda não foi alcançada.
De 5.578 cidades brasileiras, apenas 137 contam com voos regulares. “[Precisamos] usar não só o Fundo de Aviação Civil, mas todo o esforço do Parlamento brasileiro para que a gente tenha uma ampliação da malha e do número de aviões em voo no Brasil.”
Ações do governo
O secretário de Turismo do Ceará, Eduardo Bismarck, explicou que algumas rotas regionais só se mantêm com apoio financeiro dos governos estaduais. Ele citou o trecho Juazeiro do Norte–Fortaleza, operado de forma subvencionada pela Latam, e o voo Parnaíba–Fortaleza, que recebe incentivo do governo do Piauí.
A diretora de Outorgas da Secretaria Nacional de Aviação Civil, Clarissa Barros, afirmou que o governo atua para aumentar a concorrência e reduzir custos para as empresas que operam no Brasil. Segundo ela, há iniciativas para financiamento de linhas aéreas e redução da regulação do setor.
O superintendente de Serviços Aéreos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Marco Porto, destacou que o órgão busca atrair novas empresas e diminuir barreiras para operação no país. “[A Anac tem trabalhado] para tentar reduzir os custos para que isso acabe chegando no passageiro, que é o nosso cliente final”, afirmou.
Da TV Câmara
Edição – Natalia Doederlein
Fonte: Câmara dos Deputados
POLITÍCA NACIONAL
Comissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados
A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 66/2026, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que proíbe a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis indispensáveis à preservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos pelo poder público.
A vedação vale sempre que o ato puder:
- comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural;
- alterar o uso do espaço de forma incompatível com sua função cultural; e
- descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.
A regra vale para execuções fiscais, trabalhistas, cíveis ou administrativas, contra entes públicos ou privados. O projeto busca proteger o chamado “espaço cultural essencial”, o imóvel público ou privado com função indispensável para a manutenção desses bens tombados.
Se já houver processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão sobre um desses bens, o juiz ou a autoridade competente é obrigado a suspender a ação de forma imediata.
A medida pode ser determinada de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de entidade representativa da comunidade envolvida.
A suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto determina que sejam priorizadas soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que afaste a suspensão deverá ser expressamente fundamentada, sob pena de nulidade.
Exceções
O projeto admite exceções à proibição, porém somente se forem cumpridos cumulativamente os seguintes requisitos:
- parecer técnico favorável do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de órgão cultural competente;
- estudo de impacto cultural, social e econômico, com participação da comunidade;
- autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, conforme o nível de reconhecimento do bem.
O estudo de impacto cultural deverá avaliar a historicidade da prática, os vínculos sociais e identitários com o espaço, a possibilidade real de continuidade em outro local e os impactos sobre trabalho e renda. A ausência de qualquer requisito torna o ato nulo.
Alternativas à expropriação
O poder público deverá priorizar saídas que preservem o espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade e a celebração de convênios ou parcerias voltadas à sustentabilidade do bem protegido.
Lindbergh Farias citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro — sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por lei federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, como exemplo do problema que o projeto busca resolver.

Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. “A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais”, disse.
Sâmia Bomfim afirmou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, buscando o diálogo e o consenso.
Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra
Fonte: Câmara dos Deputados
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