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POLITÍCA NACIONAL

Acessibilidade nas eleições precisa melhorar, dizem debatedores

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Os direitos das pessoas com deficiência nas eleições de 2026 foram o foco da audiência pública da Comissão de Direitos Humanos (CDH) nesta quinta-feira (3). As condições de deslocamento até as zonas de votação, mecanismos para a acessibilidade de quem tem deficiência intelectual ou mobilidade reduzida e a necessidade de garantia de igualdade para o exercício do voto por esses brasileiros foram alguns pontos abordados.

Autor do requerimento para o debate, o senador Flávio Arns (PSB-PR) frisou que a discussão engloba todos os tipos de deficiência e disse que enviará ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a transcrição da audiência pública, com apontamentos e sugestões. A intenção, segundo ele, é de que as opiniões dos debatedores sejam ouvidas pelo órgão e implementadas com a brevidade possível.

Entre as sugestões coletadas no debate estão: 

  • aprimoramento do atendimento em Libras;
  • capacitação de mesários;
  • medidas para acessibilidade cognitiva;
  • redução de estímulos sensoriais para pessoas com Transtorno do Espectro Autista e neurodivergentes;
  • adequação das seções eleitorais ainda sem acessibilidade;
  • ampliação de conteúdos;
  • implementação de sistemas de governança.

Na opinião de Arns, embora haja empenho dos tribunais regionais eleitorais para garantir acessibilidade, sempre haverá necessidades a serem supridas e aprimoramentos a serem apresentados pela sociedade.

— Coloco-me nessa situação também porque tive um filho com deficiência intelectual a quem eu sempre acompanhava aos locais de votação. Esse fator me levou a fazer diversas observações quanto a necessidades de melhorias ao longo do tempo. O TRE [Tribunal Regional Eleitoral] do Paraná, por exemplo, tem sido extraordinário em aprimorar. Nem sempre tudo é possível, mas estamos aqui reconhecendo um trabalho que já vem sendo brilhantemente executado — declarou o senador.

Novidades para outubro

Diretor de Assuntos Estratégicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), William Akerman frisou que a transformação digital não pode representar um novo obstáculo para a inclusão. Ele apontou avanços como a ampliação de recursos para surdos e pessoas com deficiência visual a serem implementados em outubro, com base em estudos e experimentos realizados nos pleitos dos últimos anos.

Segundo Akerman, as votações de 2026 terão novas medidas, como a autorização de permanência do cão-guia junto à cabine e uma barra de progresso na urna eletrônica para permitir ao eleitor acompanhar visualmente todas as etapas de votação. Os intérpretes de Libras, que já informavam o cargo em votação, passarão agora a indicar também situações como o voto em branco, o voto nulo e o voto de legenda, informou o representante do TSE.

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— Todas as tecnologias assistivas foram implementadas de modo a não comprometerem o que é também essencial: o sigilo do voto. Acessibilidade é questão essencial na democracia e estamos falando aqui de toda uma jornada de cidadania, que já começa quando um eleitor procura uma informação ou entra em contato com a justiça eleitoral e prossegue até as condições para que ele tenha acesso à sua zona de votação, por meio de uma rampa, por exemplo — disse Akerman.

Críticas

Presidente da Associação Nacional de Apoio às Pessoas com Deficiência, Abrão Dib criticou o atraso na implementação de medidas para garantir acessibilidade nas eleições, a exemplo das apresentadas pelo TSE na audiência. Para ele, garantir uma rampa de acesso à urna é o “básico do básico” e a pessoa com deficiência sofre com a falta de reconhecimento das próprias instituições do país.

— O próprio Tribunal Superior Eleitoral, por exemplo, com um orçamento gigante e uma votação ocorrendo a cada dois anos, não consegue colocar a casa em ordem? Temos quase 2 milhões de eleitores com deficiência, num acréscimo de 42% em relação a 2022, ou seja, quase dobrou o número de eleitores com deficiência, sem que tenhamos obtido nenhum tipo de reconhecimento. São questões que me deixam extremamente revoltado.

Representante da Associação Brasileira de Autismo, Flávia Marçal mencionou dificuldades para garantir avanços e, até mesmo, para colocar o assunto em pauta. Ela pontuou, no entanto, que o direito à cidadania abrange tanto o direito de votar quanto o de ser votado.

Flávia Marçal defendeu o apoio aos eleitores que precisam de suporte para exercer o voto, em todas as etapas do processo, e argumentou que todas as pessoas com deficiência devem ter a chance de participar ativamente da política, em igualdade de condições.

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Inclusão

Representante da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, Gustavo Façanha, observou que o termo inclusão não representa apenas a presença de um indivíduo no lugar, “mas a chance de cada pessoa participar, aprender, escolher, falar e ser ouvido”. Para ele, é fundamental a convivência em sociedade das pessoas que têm deficiência intelectual, por exemplo, de modo a que todas aprendam a ler, conviver, conversar, fazer escolhas e conhecer os próprios direitos.

— A educação inclusiva é muito importante para nos ajudar a exercer nossa cidadania. Quando alguém com deficiência intelectual frequenta a escola comum, essa pessoa tem a oportunidade de conhecer outras pessoas, aprender sobre o mundo e desenvolver sua autonomia. Não queremos que outros escolham por nós, queremos participar. E para isso, requeremos acessibilidade e linguagem simples porque somos todos cidadãos — declarou Façanha.

Também participaram do debate o representante do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil junto ao Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, Joelson Costa Dias; o presidente da Retina Brasilia, César Achkar Magalhães; e o presidente do Movimento Orgulho Autista Brasil, Edilson Barbosa.

Participação popular

Internautas participaram da audiência pública enviando comentários, dúvidas e sugestões por meio do Portal e-Cidadania, do Senado Federal.

Do Distrito Federal, Luara G. D. S. escreveu que garantir a acessibilidade das pessoas com deficiência e incluí-las no processo eleitoral “é fundamental para ampliar a participação popular junto à política”.

Paola F. C., do Rio de Janeiro, disse que toda a sociedade deve pensar no replanejamento das zonas eleitorais, “para que todos tenham respeitado o seu direito ao voto”.

Já Maria J. A. D. S., de Minas Gerais, escreveu que pessoas com deficiência não precisam apenas ter direito ao voto, mas também devem “ter voz e representatividade na política”. Ela reconheceu que tem sido bem assistida pelo tribunal: “Como pessoa com deficiência, reconheço e valorizo o acolhimento e a acessibilidade oferecidos pelo TRE-MG para que eu possa exercer meu direito”, compartilhou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLITÍCA NACIONAL

Expansão do uso de drones exige incentivo à indústria, dizem debatedores

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O Brasil tem 177 mil drones cadastrados na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com cerca de 10 mil novos registros por mês. Usados em atividades diversas, como agronegócio, saúde pública, segurança pública, manutenção urbana e defesa nacional, os equipamentos têm ampliado sua presença no país. A expansão do mercado, no entanto, envolve desafios regulatórios, tecnológicos e de desenvolvimento da indústria, além de exigir a articulação entre governo e setor produtivo.

As informações foram apresentadas nesta terça-feira (8) durante audiência pública promovida pela Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) para discutir a viabilidade de um programa nacional de drones. Participaram representantes da Força Aérea Brasileira, do Ministério de Portos e Aeroportos, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e de empresas do setor.

Marco legal

Autor do requerimento (REQ 87/2026 – CCT) para a audiência, o senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) afirmou que a CCT deverá realizar outros dois debates sobre o tema. Segundo ele, a intenção é reunir as diferentes demandas do setor para elaborar um marco legal que contribua para o desenvolvimento das atividades com drones. O senador também defendeu a criação de uma frente parlamentar para apoiar o setor.

— O meu interesse aqui é criar um marco legal dos drones, alguma coisa do tipo que consiga congregar todas as dificuldades existentes em termos de legislação e orientar a regulação também para ela poder trabalhar baseado em lei, e ajudar o desenvolvimento do setor, a operação do setor, tirar os entraves, e que a gente consiga desenvolver o país — afirmou.

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Obstáculos

Representante da Secretaria Nacional de Aviação Civil do Ministério de Portos e Aeroportos, Júlia Lopes da Silva Nascimento disse que, embora o ambiente regulatório esteja em constante evolução, há obstáculos estruturais ao desenvolvimento do mercado.

Júlia Nascimento citou a alta carga tributária; a falta de incentivos para a cadeia produtiva nacional; a escassez de mão de obra especializada; o baixo fomento à pesquisa; o acesso limitado a financiamento e crédito e a ausência de uma estratégia nacional para a indústria, os operadores e o mercado.

Ao propor diretrizes para um Programa Nacional de Drones, o presidente da ABDrone, Pedro Curcio Júnior, defendeu políticas públicas para estimular a indústria brasileira, incluindo redução de impostos sobre equipamentos e componentes, apoio a pequenos empreendedores e ampliação dos recursos para pesquisa e desenvolvimento.

Curcio Júnior ressaltou ainda a necessidade de integração entre Anac, Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Deea), Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e outros órgãos envolvidos. Segundo ele, a articulação entre governo e setor produtivo é necessária para acompanhar o crescimento do mercado e ampliar as operações.

Soberania e indústria nacional

O major-brigadeiro-do-ar Frederico Casarino afirmou que o desenvolvimento de drones nacionais é estratégico para a soberania brasileira nos campos da defesa e da tecnologia. Ao apresentar capacidades e projetos atuais da Força Aérea Brasileira, ele defendeu a redução da dependência de tecnologias estrangeiras por meio do fortalecimento da indústria nacional e do desenvolvimento de sistemas próprios.

— O melhor parceiro do Brasil é o próprio Brasil — afirmou.

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O CEO da SkyDrones, Ulf Bogdawa, também defendeu o fortalecimento da indústria brasileira. Ele apontou desafios relacionados à segurança de dados, à entrada irregular de equipamentos importados e ao acesso de pequenas empresas a programas de inovação e financiamento. Bogdawa defendeu ainda políticas de incentivo à inovação, à formação de engenheiros e ao desenvolvimento de tecnologias nacionais.

Segurança operacional

Diretor substituto da Anac, Cláudio Beschizza Ianelli mencionou mudanças recentes na regulamentação dos drones. Segundo ele, a adoção de uma metodologia de análise de risco permite maior flexibilidade nas operações, sem reduzir os requisitos de segurança. Ele também destacou a necessidade de integração entre órgãos públicos, setor produtivo e áreas técnicas para acompanhar a expansão das operações e aprimorar a segurança.

O CEO e cofundador da Speedbird Aero, Manoel Coelho, afirmou que o Brasil tem condições técnicas e regulatórias para ampliar o uso de drones, mas precisa avançar na coordenação entre os órgãos envolvidos e na integração dos sistemas de controle do espaço aéreo. Ele defendeu mecanismos de identificação e comunicação entre drones e aeronaves tripuladas para ampliar as operações com segurança, especialmente em áreas de grande circulação aérea.

— Se focarmos em dar capacidade às nossas empresas a operarem com escala, operarem com segurança, nós vamos com certeza diferenciá-los dos outros que não querem fazer o mesmo — declarou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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