POLÍCIA
Evento Outubro Movimente completa cinco anos de inovação no serviço público
POLÍCIA
A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Coordenadoria de Gestão de Pessoas, é parceira da 5ª edição do Outubro Movimente, programa cultural promovido pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag).
O evento será realizado de 20 a 24 de outubro e tem como objetivo fomentar a cultura de inovação e tecnologia no setor público.
Serão cinco dias de palestras, cursos e oficinas, nos formatos presencial e online, com mais de 800 vagas destinadas aos servidores públicos do Estado de Mato Grosso.
Em sua edição comemorativa, o programa convida os participantes a refletirem sobre os desafios, as oportunidades e o protagonismo dos servidores na construção de um governo mais ágil, eficiente e centrado no cidadão.
O tema deste ano reforça o compromisso com a renovação das energias, o fortalecimento do ecossistema de inovação pública e a preparação dos servidores para os próximos passos da transformação digital.
O secretário de Planejamento e Gestão, Basílio Bezerra, destacou que o evento se consolidou como um símbolo importante para o Estado.
“O Outubro Movimente nasceu com o propósito de movimentar ideias e transformar realidades dentro do Governo de Mato Grosso. Hoje, é um símbolo de como a inovação fortalece a eficiência da gestão e o compromisso com o cidadão. O engajamento de milhares de servidores mostra que estamos no caminho certo ao investir em pessoas e soluções que tornam a gestão pública mais moderna e colaborativa”, afirmou.
Desde a primeira edição, o programa já mobilizou mais de 2 mil servidores, com a participação de mais de 30 palestrantes voluntários, e promoveu um ambiente de aprendizado e colaboração, estimulando a troca de experiências e a criação de soluções inovadoras. Um dos destaques é o Desafio de Inovação, no qual equipes desenvolvem, em apenas 30 dias, protótipos para aprimorar o ambiente de trabalho, com o apoio de mentores e especialistas.
Devido ao seu sucesso e impacto, o Outubro Movimente foi institucionalizado como ação anual do Governo de Mato Grosso, compondo o eixo de Eficiência Pública do Programa Mais MT. Em 2021, o programa recebeu o Prêmio Espírito Público, reconhecimento nacional por seu impacto positivo na administração pública.
Para o secretário adjunto de Planejamento e Governo Digital da Seplag, Sandro Brandão, o evento demonstra, na prática, como a inovação e as tecnologias digitais vêm se consolidando no setor público.
“Em 2025, o Outubro Movimente chega à sua quinta edição, reafirmando-se como um dos maiores movimentos de estímulo à criatividade, à inovação e à cultura digital no governo. Esta edição comemorativa celebra uma trajetória de conquistas, mas, acima de tudo, nos provoca a refletir sobre o futuro do serviço público, um futuro que será cada vez mais dinâmico, colaborativo e orientado pela inteligência coletiva e pelo uso estratégico da tecnologia”, destacou.
Fonte: Policia Civil MT – MT
POLÍCIA
Polícia Civil leva debate sobre bullying, ciberbullying e radicalização misógina às escolas de Cuiabá
A violência contra a mulher não começa com um feminicídio. Ela nasce silenciosa, muitas vezes nos corredores das escolas, nas salas de bate-papo de jogos online, nos comentários anônimos das redes sociais e nos discursos de ódio que se infiltram como verdadeiros “coaches” da masculinidade tóxica.
Para enfrentar essa realidade, a Polícia Judiciária Civil, por meio da Coordenadoria de Polícia Comunitária e dos projetos sociais intensificou palestras nas unidades de ensino, lança um olhar atento e preventivo sobre o fenômeno da intimidação sistemática (bullying), do ciberbullying e da radicalização online em perfis da manosfera e machosfera.
A ação, que integra a campanha de prevenção à violência virtual nas escolas da capital, leva às salas de aula um diálogo franco e desarmado com alunos do ensino fundamental e médio. O objetivo não é apenas punir, mas impedir a formação de novos agressores, desconstruindo a ideia de que “brincadeira de mau gosto” é algo natural ou inofensivo.
“Não é brincadeira”: Investigador alerta para os crimes por trás da tela
Palestrante frequente nas ações da Polícia Civil em Cuiabá, o investigador Ademar Torres de Almeida, tem se dedicado a levar às escolas uma mensagem clara: o bullying e o ciberbullying são violações graves, com consequências jurídicas e emocionais reais. Em suas apresentações, ele utiliza recursos audiovisuais e exposição dialogada para mostrar como apelidos, xingamentos repetitivos, exclusão social e humilhações digitais não se trata de “mera diversão”.
“Precisamos desmontar essa ideia de que colocar apelido ofensivo, isolar o colega ou espalhar um boato é brincadeira. Isso é violência. E quando essa violência ganha as redes ou os chats dos jogos online, ela se multiplica. A Lei nº 14.811/2024 tipificou o cyberbullying como ‘intimidação sistemática virtual’, e os adolescentes precisam saber que responderão por atos infracionais por essas condutas”, alerta o investigador.
Segundo Ademar Torres, um dos pontos mais críticos observados nos diálogos com os jovens é a adesão velada a discursos de ódio contra meninas e mulheres, propagados em comunidades como a manosfera – um ecossistema digital misógino – e seu núcleo mais radical, a machosfera. Termos como Incel, Redpill, Blackpill e MGTOW (Homens Seguindo seu Próprio Caminho) têm sido identificados por pesquisas como mecanismos de radicalização que transformam frustrações em rancor e, em casos extremos, em violência.
“Quando um aluno começa a reproduzir frases de ódio contra as colegas, a defender que ‘mulher merece sofrer’ ou a consumir conteúdos de influenciadores que pregam a dominação masculina, isso é um sinal de alerta. Estamos falando de um processo de radicalização que começa online e pode terminar em violência real. A escola é o lugar ideal para interromper esse ciclo”, explicou o investigador.
Psicóloga reforça: parceria com a Polícia Civil transforma a escola
A atuação da Polícia Civil nas escolas não acontece de forma isolada. No Colégio Tiradentes da Polícia Militar, em Cuiabá, a psicóloga Renata, da equipe psicossocial da unidade, tem acompanhado de perto os resultados das palestras e rodas de conversa promovidas pelos investigadores. Para ela, a presença da Polícia Civil no ambiente escolar é fundamental para desmistificar o tema e dar segurança jurídica e emocional a alunos e educadores.
“A expressão ‘bullying’ é usada para qualificar comportamentos agressivos no ambiente escolar, praticados de forma intencional e repetitiva, deixando a vítima impossibilitada de se defender. Mas, na prática, muitas crianças e adolescentes não sabem identificar quando estão sendo vítimas ou, pior, quando estão sendo agressores. O trabalho da Polícia Civil, com uma linguagem acessível e exemplos concretos, ajuda a desnaturalizar essa violência. Eles explicam desde o bullying físico até o cyberbullying, incluindo a falsificação de fotos, a disseminação de boatos e a violação de intimidade”, detalha a psicóloga.
Renata destaca que um dos maiores ganhos dessa parceria é a prevenção baseada no diálogo e no acolhimento, e não apenas na repressão. “Quando o investigador entra na sala e fala sobre como os jogos online podem se tornar espaços tóxicos, ou como um comentário misógino em uma rede social não é ‘só uma opinião’, os alunos se sentem provocados a refletir. A escola sozinha não dá conta desse fenômeno digital. Precisamos do Estado, da segurança pública, atuando de forma coordenada. A Polícia Civil tem sido essencial nesse sentido”, afirmou.
O que diz a lei e o papel da escola
O coordenador da Polícia Comunitária, delegado Mario Dermeval, ressalta que as ações da Polícia Civil nas escolas de Cuiabá estão amparadas em um robusto arcabouço legal. A Lei Estadual nº 9.724/2012 determina a inclusão de medidas de conscientização e combate ao bullying nos projetos pedagógicos de Mato Grosso. Já a Lei Federal nº 13.185/2015 instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, e a Lei nº 13.663/2018 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para obrigar as escolas a promoverem ações de prevenção à violência e cultura de paz.
De acordo com o material utilizado nas palestras, as formas mais comuns de bullying vão além do físico e incluem o bullying psicológico (amedrontar, perseguir), moral (difamar, caluniar), verbal (insultos, apelidos humilhantes), sexual (assediar), social (isolar, excluir), material (furtar ou destruir pertences) e o virtual ou cyberbullying (humilhações online, invasão de perfis, envio de mensagens ofensivas).
Prevenção como projeto de Estado
Segundo o gerente de Polícia Comunitária, investigador Nilton César Cardoso, as ações da Polícia Civil na capital têm por referência os projetos sociais de prevenção e o Programa Escola Segura que visa a prevenção eficaz aliada a educação transformadora, integrada no território escolar. Ao final das palestras, fica a mensagem central: os algoritmos das redes sociais e os chats dos jogos online não podem ditar o que é certo ou errado. A responsabilidade é coletiva. Como bem sintetizou o Investigador.
Serviço
Escolas públicas e privadas de Cuiabá que desejarem agendar palestras sobre bullying, ciberbullying, prevenção à violência virtual e enfrentamento à radicalização misógina podem entrar em contato com a Polícia Civil. As ações são gratuitas e voltadas a alunos do ensino fundamental e médio.
Fonte: Policia Civil MT – MT
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