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Tribunal de Justiça de Mato Grosso debate cultura da paz em seminário estadual

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A promoção da Cultura da paz social, por meio de métodos pacificadores como mediação e conciliação, é o tema central das discussões promovidas pelo Seminário Estadual “Promoção e Cultivo da Paz – Práticas Restaurativas no Estado de Mato Grosso”. O evento é promovido pelo Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur) começou na manhã desta quinta-feira (22) e segue até sexta (23), no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
 
O auditório desembargador Gervásio Leite ficou pequeno para o tanto de participantes do evento. Foi precisou colocar cadeiras extras no espaço e transmitir o evento em um telão instalado na recepção. “A justiça restaurativa, a justiça de paz é um novo caminho que a Justiça está trilhando e a nossa grande satisfação é esse auditório cheio, o que demonstra que estamos no caminho certo”, avaliou a presidente do Tribunal, desembargadora Maria Helena Póvoas ao dar boas-vindas ao público.
 
“Neste momento em que o Brasil vive uma polarização precisamos aprofundar essa conversa e a prática nos tribunais da cultura da paz, pois a grande finalidade da justiça é a paz. Se nós não trabalharmos essa cultura de paz nas relações interpessoais, no trato com aqueles que vem buscar a solução de conflitos, a nossa missão não está sendo cumprida. Eu estou feliz de poder participar desse encontro”, declarou a desembargadora Maria Erotides Kneip que representou a coordenadora do NugJur, desembargadora Clarice Claudino, na abertura do evento, que por compromissos anteriores não pode estar presente.
 
O procurador-geral de Justiça de Mato Grosso, José Antônio Borges, lembrou que as demandas e os conflitos sociais aportam no Judiciário que deve dar a última palavra em um regime democrático de Direito. Entretanto, a decisão judicial por muitas vezes não agrade nenhuma das partes, que voltam a recorrer a Justiça. “Isso autoalimenta o conflito. Mas se a Justiça está preparada para uma autocomposição, onde que há um ganha-ganha, e não o ganha e perde tradicional, esse conflito chega ao fim. Enfim, esse é o espírito da justiça restaurativa que há mais de uma década vem sendo trazida pelo Sistema de Justiça. A prestação jurisdicional verdadeira só chega quando há pacificação”, definiu.
 
A defensora pública, Kelly Monteiro, destacou que a modernidade e as práticas demonstram que é necessário congregar antes de buscar uma solução judicial. “A Defensoria Pública atua com isso, junto às famílias, na área cível, na área criminal, as famílias dos segregados, as famílias dos que saem do sistema penitenciário, buscando essa melhoria, essa união e essa harmonia a sociedade só tem a ganhar com as práticas restaurativas. A sociedade ganha quando consegue restaurar, reunir, mediar e conciliar as famílias que buscam uma disputa”, comentou. “A Defensoria é parceira do Poder Judiciário há muito tempo. Este evento é importante para a comunhão das instituições e para podermos contribuir mais para uma sociedade melhor”.
 
O juiz coordenador do Nugjur e do evento, Túlio Duailib, agradeceu a presença de todos, o apoio da administração do TJMT e parceiros para a realização do evento. “Este momento é muito especial, em que podemos falar sobre a cultura de paz no Estado de Mato Grosso, que vem sendo promovido pelo Poder Judiciário irmanado com outras instituições, e que fomenta um ambiente harmonioso na sociedade”.
 
 
Palestra – O juiz do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), Egberto de Almeida Penido, acredita que pensar a Justiça Restaurativa pelo viés da “Cultura de Paz” tem se mostrado um caminho seguro e efetivo para que a potencia transformadora da Justiça Restaurativa não se esvaia ou seja desvirtuada, pois no entendimento dele não há paz sem justiça.
 
Egberto de Almeida Penido é membro do Comitê Gestor da Justiça Restaurativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e possui formação em mediação transformativa, comunicação não-violenta, Direito Sistêmico e Justiça Restaurativa, desenvolvendo projetos e ações de práticas restaurativas desde 2004. O magistrado proferiu a palestra “Justiça Restaurativa e Cultura de Paz, a potência da transformação” na manhã do primerio dia do seminário.
 
“A Justiça Restaurativa não é um trabalho de um só, é de um coletivo. Em Mato Grosso vem sendo coordenado pela desembargadora Clarice Galdino, pelo dr Túlio Duailib e tantos outros. Esta modalidade propõe uma quebra de paradigmas de como trabalhar em cooperação e não em competição”, aponta Penido. “A trajetória construída em Mato Grosso é extremamente significativa e cada vez mais com ajustes finos. Hoje estamos tendo um aprofundamento da parceria do Judiciário com a Educação, que atende uma adaptação do CNJ ao reforçar a importância da sintonia com o campo educacional”.
 
 
De acordo com o palestrante, a restauração nasceu com a educação. “As unidades escolares são referências para a comunidade. São espaços propícios para aprender a ser e a conviver. É ali que se percebe se há uma desestrutura familiar ou se há a construção de valores. Se é preciso trabalhar a ambiência onde as práticas estão sendo implementadas, pensar o projeto pedagógico da escola, o regimento interno, a gestão democrática, realmente fazer uma parceria educação e justiça. Dessa forma, a Justiça se torna muito mais pedagógica e a educação muito mais justa, é um aprendizado recíproco”, reforça.
 
 
O seminário “Promoção e Cultivo da Paz – Práticas Restaurativas no Estado de Mato Grosso” conta com a parceria da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e Escola dos Servidores do Estado. Participam do evento magistrados(as), promotores(as), defensores(as), servidores(as) do Judiciário, gestores(as) judiciários, facilitadores(as) de círculos de construção de paz, profissionais da educação e voluntários(as) interessados(as).
 
No período vespertino as discussões continuam com painéis de apresentação de boas práticas. Na sexta-feira o assunto abordado pelo magistrado será “Justiça Restaurativa e Educação, construindo sentidos”. Antes, pela manhã, a presidente da Fundação de Assistência Social do Município de Caxias do Sul (RS), Katiane da Silviera, tratará do tema: Princípios e valores restaurativos nas políticas públicas”. Confira a programação neste link. 
 
Descrição de imagens: Foto 1 – Colorida e horizontal do auditório lotado. O palestrante está no palco ao púlpito. A presidente da mesa e a debatedora estão sentadas em poltronas claras. Foto 2 – Colorida e horizontal da presidente do TJMT dando boas-vindas aos participantes. Foto 3 – Colorida e horizontal do juiz coordenador do evento ao púlpito e as autoridades da mesa de honra ao fundo. Foto 4 – Colorida e horizontal do juiz palestrante. Ele segura o microfone em uma das mãos para falar com os participantes do seminário.
 
Alcione dos Anjos/Fotos Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT

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Sefaz orienta municípios sobre mudanças na arrecadação com novo sistema tributário

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O secretário de Fazenda de Mato Grosso, Fábio Pimenta, participou, nesta quarta-feira (14.10), do 2º Encontro Técnico sobre a Reforma Tributária para Municípios: Transição e Governança para o Novo Modelo Tributário, promovido pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). O evento reúne prefeitos, secretários municipais, vereadores, presidentes de Câmaras e técnicos das áreas de Fazenda e Desenvolvimento Econômico para discutir os impactos da reforma nas finanças municipais.

Ao lado do procurador do Estado e ex-secretário de Fazenda Rogério Gallo, Pimenta abriu a programação de palestras com o tema “Reforma Tributária: Formas, estrutura e fluxo de arrecadação”. Durante sua fala, o gestor alertou para a necessidade dos municípios se prepararem para as mudanças, especialmente em relação à arrecadação de 2026 que será utilizada como referência para a distribuição de parte das receitas durante o período de transição.

“A receita dos próximos 50 anos começa a ser definida agora. É fundamental que os gestores municipais melhorem sua arrecadação ainda em 2026, pois os valores arrecadados entre 2019 e 2026 servirão de base para amenizar as perdas com a Reforma Tributária”, destacou o secretário.

A preocupação está relacionada à mudança da sistemática de tributação e do modelo de desenvolvimento de Mato Grosso, que se baseia na produção. Com a Reforma Tributária, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto sobre Serviços (ISS) serão gradualmente substituídos pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), cuja receita será destinada aos estados e municípios onde ocorre o consumo.

“Mato Grosso é um estado produtor e, com a mudança da tributação da origem para o destino, terá uma perda estimada, ao final do período de transição, de cerca de R$ 10 bilhões. Os municípios mato-grossenses também serão impactados, pois possuem uma população relativamente pequena diante do volume de produção”, explicou Fábio Pimenta.

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Durante a palestra, também foram apresentados os novos critérios de distribuição da parcela estadual do IBS destinada aos municípios. Pelo novo modelo, 80% desses recursos serão repartidos proporcionalmente à população, 10% conforme indicadores de aprendizagem e equidade na educação, 5% por critérios ambientais e 5% em parcelas iguais.

O procurador do Estado e ex-secretário de Fazenda Rogério Gallo defendeu a revisão de pontos da Reforma Tributária que podem prejudicar Mato Grosso, especialmente os critérios de distribuição de recursos aos municípios. Segundo ele, as mudanças poderão agravar as dificuldades financeiras das cidades com população reduzida e maior dependência de transferências estaduais e federais.

“Um dos caminhos seria exatamente fazer essa revisão dos critérios de distribuição do IBS. Mas isso depende do Congresso Nacional, dos deputados federais, dos senadores e de toda uma articulação que deve ser feita”, afirmou Gallo.

O presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, também reforçou a importância de os gestores municipais ampliarem a arrecadação própria e para a situação dos municípios com população reduzida. “Temos municípios com 3 mil, 2 mil, 1 mil habitantes que definitivamente não se sustentam. Eles só sobrevivem por causa dos repasses federais e estaduais. Vamos conversar com os prefeitos para que eles atentem para a arrecadação que vão fazer até o dia 31 de dezembro”, disse.

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Também participaram da abertura o presidente da Comissão Permanente de Sustentabilidade Fiscal e Desenvolvimento (COPSFID), os conselheiros José Carlos Novelli, Valter Albano e Campos Neto; a subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Anne Karine Louzich; o presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Hemerson Máximo; o presidente da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Silvio Rangel; o ex-presidente da AMM Leonardo Bortolin; o membro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), Yendis Costa; a controladora-geral da Defensoria Pública de Mato Grosso, Bárbara Natália Nogueira Garnica; e o primeiro vice-presidente da AMM e prefeito de Rondolândia, José Guedes.

Integração com os municípios

Outro ponto destacado durante a apresentação foi o trabalho desenvolvido pela Sefaz em parceria com a Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) para preparar as administrações tributárias para o novo modelo. A atuação conjunta ocorre por meio de um Comitê Gestor Regional, que conta com grupos técnicos responsáveis pela integração das administrações tributárias e pela realização de estudos e simulações sobre os impactos da reforma.

A iniciativa busca fortalecer a cooperação entre o Estado e os municípios, promover o compartilhamento de informações e apoiar o planejamento das administrações municipais diante das mudanças na arrecadação.

O 2º Encontro Técnico sobre a Reforma Tributária para Municípios é promovido pela Comissão Permanente de Sustentabilidade Fiscal e Desenvolvimento (COPSFID) do TCE-MT. O evento está sendo realizado na Escola Superior de Contas e segue até esta quinta-feira (15).

Fonte: Governo MT – MT

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