MATO GROSSO
Polícia Civil e Gaeco deflagram operação para apurar entrada de celulares em presídio em Rondonópolis
MATO GROSSO
A Polícia Civil de Mato Grosso, em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e com apoio da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus/MT), deflagrou, nesta quinta-feira (12.2), a Operação “Cárcere Seguro”, com o objetivo de cumprir oito mandados judiciais, sendo quatro de busca e apreensão e quatro de quebra de sigilo.
Os mandados foram expedidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias de Cuiabá e tiveram como alvos iniciais três policiais penais, de 49, 52 e 67 anos, lotados na Penitenciária Major PM Eldo Sá Corrêa, conhecida como “Mata Grande”, além de uma mulher de 40 anos.
As investigações da Delegacia Regional de Rondonópolis apuram a suspeita de envolvimento dos alvos na introdução e facilitação da entrada de aparelhos celulares e outros objetos ilícitos no interior da unidade prisional. A mulher é apontada como a responsável por fornecer os aparelhos celulares que entrariam no presídio.
O procedimento investigativo teve início após apreensão realizada em 4 de maio de 2025, quando foram localizados no interior da penitenciária 32 aparelhos celulares, três carcaças de celulares, 26 fontes carregadoras, 16 chips, sete fones de ouvido e 18 cabos de carregador. A partir da análise do material e das diligências subsequentes, apurou-se a possível participação de três policiais penais nos fatos.
Os investigados poderão responder pelo crime previsto no artigo 349-A do Código Penal, que trata de ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou facilitar a entrada de aparelho telefônico móvel em estabelecimento prisional sem autorização legal, bem como pelo crime de corrupção passiva.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, um policial penal, de 52 anos, foi autuado em flagrante pelo crime de posse ilegal de munição. Em sua residência foram apreendidas 44 munições calibre .380 e um carregador de pistola do mesmo calibre.
Na operação, também foram apreendidos quatro aparelhos celulares, que serão encaminhados à perícia técnica para análise, a fim de subsidiar o prosseguimento das investigações.
“As investigações seguem em andamento, visando ao completo esclarecimento dos fatos e à responsabilização dos envolvidos, reafirmando o compromisso institucional com a legalidade, a transparência e o combate à corrupção e ao crime organizado”, afirmou o delegado Santiago Rozendo Sanches e Silva.
Fonte: Governo MT – MT
MP MT
Júri condena trio a mais de 68 anos pela morte de Zampieri
Após três dias de julgamento e a análise de um processo com mais de 55 mil páginas, o Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá condenou três acusados de serem executores e intermediários da morte do advogado Roberto Zampieri. As penas somadas alcançam 68 anos, 9 meses e 30 dias de reclusão. Antônio Gomes da Silva foi condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias de prisão, Hedilerson Fialho Martins Barbosa a 25 anos de reclusão e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas a 21 anos, 10 meses e 15 dias. A decisão foi proferida às 00h49 da madrugada desta sexta-feira (2), ao término dos debates entre acusação e defesa e da deliberação dos jurados.Atuaram na acusação os promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva Martins, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), além do assistente de acusação Giovani Santin, vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT).Ao longo de três dias de julgamento, jurados acompanharam depoimentos de testemunhas, interrogatórios dos réus, exposição de provas e sustentações orais das partes.No primeiro dia de julgamento, foram ouvidas seis testemunhas, entre elas os delegados da Polícia Judiciária Civil Nilson André Farias de Oliveira e Edilson Ricardo Pick, responsáveis por etapas da investigação, além do delegado da Polícia Federal Marco Bontempo. Também prestaram depoimento José Marcos Marini, Mariana Costa Pinto e Lucilene Gonçalves da Silva. As oitivas abordaram a dinâmica da execução do crime, o papel atribuído a cada acusado e os elementos reunidos durante a apuração.O segundo dia foi dedicado aos interrogatórios dos réus Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas. Já no terceiro dia, acusação e defesa apresentaram seus argumentos finais aos jurados. Durante a réplica, os promotores de Justiça reforçaram provas que, segundo a acusação, demonstraram a participação dos três condenados na execução do homicídio. Entre os elementos destacados esteve o rastreamento da movimentação financeira relacionada ao crime. Conforme sustentado pelo Ministério Público, ficou comprovado o pagamento de R$ 124.250,00 antes da execução e outros R$ 60 mil após o homicídio. Segundo a acusação, os valores tiveram origem nos recursos pagos pelos apontados mandantes do crime.Também foi destacado durante os debates que, ao longo das investigações, surgiram elementos indicando que Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas teria solicitado valores entre R$ 500 mil e R$ 750 mil para que ele e os demais envolvidos não entregassem os mandantes às autoridades.Ao defender a condenação dos acusados, o promotor de Justiça Samuel Frungilo ressaltou a robustez do conjunto probatório reunido ao longo da investigação e da tramitação processual. “Eu tenho 27 anos de Ministério Público. Eu nunca vi um crime de recompensa e homicídio mercenário com tantas provas”, afirmou aos jurados.O promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins destacou o planejamento empregado para a execução do crime e a gravidade da conduta atribuída aos acusados. “Planejaram e esperaram o melhor momento de vulnerabilidade da vítima para poder retirar o seu bem mais precioso, o direito de viver. O maior roubo que alguém pode sofrer é a interrupção do curso da sua existência”, sustentou.Conforme a denúncia do MPMT, Antônio Gomes da Silva foi apontado como o autor dos disparos que mataram Roberto Zampieri. Hedilerson Fialho Martins Barbosa foi acusado de ter participado da execução do plano criminoso, inclusive com o fornecimento da arma utilizada no crime. Já Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas respondeu à acusação de integrar a empreitada criminosa.Ao final do julgamento, o Conselho de Sentença acolheu integralmente a tese sustentada pelo Ministério Público e reconheceu a responsabilidade dos três réus pelo homicídio de Roberto Zampieri. Os jurados condenaram os acusados e reconheceram todas as qualificadoras apresentadas na denúncia: homicídio cometido mediante paga ou promessa de recompensa, com emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima e com utilização de arma de fogo de uso restrito.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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