JURÍDICO
Ministra Rosa Weber participa de reunião no Palácio do Planalto sobre segurança nas escolas
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A adoção de medidas integradas para ampliar a segurança nas escolas foi tema de reunião com presidentes dos Poderes da República, ministros, governadores, prefeitos e outras autoridades na manhã desta terça-feira (18) no Palácio do Planalto.
A ministra Rosa Weber, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), parabenizou a iniciativa, se solidarizou em nome do Poder Judiciário com as famílias de vítimas de violência nas escolas e afirmou que o CNJ tem condições de auxiliar tecnicamente com ações de combate à violência no ambiente escolar.
A ministra citou programas do CNJ voltados à proteção da criança e ao manejo de medidas socioeducativas, que podem contribuir para enfrentar a questão, pois tem-se verificado o envolvimento de adolescentes em atos de violência.
“Além da solidariedade do Poder Judiciário às famílias das vítimas, temos condições, sim, de colaborar, em especial no CNJ, com órgãos técnicos que têm todas as condições de enfrentamento a esse tema tão complexo e multidisciplinar, com o manejo de medidas socioeducativas”, afirmou a ministra.
Terra de ninguém
Em nome da Justiça Eleitoral, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, destacou o papel e a necessidade de responsabilização e regulamentação das redes sociais e das plataformas sobre os conteúdos que nelas circulam. Para o ministro, a internet não pode ser terra de ninguém ou terra sem lei. “O que não pode ser feito no mundo real, não pode ser feito no mundo virtual”, enfatizou.
O ministro Alexandre disse que vários países debatem formas de combater discursos de ódio, cyberbulling e ataques nas redes sociais que têm levado crianças e jovens à depressão, a atos de violência e ao suicídio. Para o ministro, é preciso criar uma legislação protetiva, que inclua transparência e acompanhamento de algoritmos, monetização, impulsionamento e acompanhamento de conteúdos na internet.
Envolvimento da família
Em seu pronunciamento, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que o país enfrenta um novo momento em que invadiram “um lugar que, para nós, sempre foi tido como um lugar de segurança”, que são as escolas. Lula afirmou que as plataformas digitais e as empresas que ganham dinheiro na internet com a divulgação da violência estão cada vez mais ricas. Para ele, é preciso combater essa predominância da divulgação da violência, destacando que “as pessoas não podem fazer na rede digital aquilo que é proibido na sociedade”.
Segundo Lula, o problema não será resolvido só com dinheiro, elevando o muro da escola ou colando detector de metais para revistar a mochila de uma criança, transformando a escola em uma prisão de segurança máxima, mas sim com a participação dos pais e familiares.
Cultura de paz
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, alertou que, além das iniciativas do governo e dos estados, é dever de todos, de cada pai, mãe ou responsável, acompanhar o que a criança ou o adolescente tem acesso na internet. O ministro destacou a necessidade de união institucional, independentemente de diferenças partidárias e ideológicas, afirmando “que regular a internet não é controlar a liberdade de expressão”, mas fazer com que ela não seja usada de forma abusiva até mesmo por organizações criminosas que incentivam atos de violência.
O ministro da Educação, Camilo Santana, apresentou uma série de ações multidisciplinares que vêm sendo coordenadas pelo MEC em prol da segurança para a comunidade escolar. Ações como treinamento de gestores, professores e funcionários, alocação de recursos financeiros para investimento em infraestrutura e melhoria nas condições de proteção das escolas.
Parceria com CNJ
Outro ponto destacado por Camilo Santana é a parceria com o CNJ para a implementação da Justiça Restaurativa no ambiente escolar. Os bons resultados desse programa foram apresentados na reunião pelo ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, conselheiro do CNJ, que citou a redução de 85% das ocorrências na cidade de Santos após a adoção da política preventiva e integrativa nas escolas.
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, afirmou que na retomada da paz no ambiente escolar é preciso integração entre os Poderes, os estados e a União. Segundo o senador, ações como a revisão da política de armas, programa de informação na comunidade escolar e adoção também de uma política de saúde mental para crianças e adolescentes são medidas necessárias. Ele ressaltou ainda que há inúmeras propostas em tramitação no Congresso Nacional sobre o tema.
Ataque a creche
Após o ataque à Creche Bom Pastor em Blumenau (SC), no último dia 5 de abril, que resultou em quatro crianças mortas e outras cinco feridas, o prefeito do município, Mário Hildebrandt, pediu o endurecimento das penas para os casos como o ocorrido na cidade e propôs que não haja progressão de pena para esse tipo de crime.
AR/GG//AD
Fonte: STF
JURÍDICO
Quem financia a campanha? A prestação de contas também interessa ao eleitor
Quem financia a campanha? A prestação de contas também interessa ao eleitor
Prazo para a prestação de contas parcial das Eleições 2026 termina neste domingo, 13 de setembro, e mostra por que acompanhar o dinheiro da campanha também faz parte do voto consciente.
Durante uma eleição, o eleitor acompanha pesquisas, propostas, debates, alianças e propaganda. Mas há outro aspecto que também merece atenção: d e onde vem o dinheiro que financia uma campanha e como ele está sendo utilizado.
Neste domingo, 13 de setembro, termina o prazo para que partidos, candidatas e candidatos apresentem à Justiça Eleitoral a prestação de contas parcial das Eleições 2026 . Nela devem constar as movimentações financeiras e os recursos estimáveis em dinheiro registrados desde o início da campanha até 8 de setembro.
A prestação parcial funciona como uma espécie de fotografia financeira da campanha naquele momento. Ela permite verificar quanto foi arrecadado, quem contribuiu, quais despesas foram realizadas e como os recursos estão sendo empregados.
Mas é importante fazer uma distinção: informações financeiras da campanha podem aparecer antes da prestação parcial , porque os recursos recebidos devem ser informados à Justiça Eleitoral durante a própria campanha e os relatórios financeiros podem ser disponibilizados na internet em até 48 horas.
O dia 15 de setembro representa outro marco. Nessa data, a Justiça Eleitoral divulgará oficialmente, na internet, a prestação de contas parcial consolidada, com indicação dos doadores e dos respectivos valores declarados, observadas as regras de proteção de dados pessoais.
Para o eleitor, essas informações ajudam a enxergar a campanha por outro ângulo. Conhecer propostas é essencial, mas compreender quem financia uma candidatura e para onde o dinheiro está sendo direcionado também contribui para uma escolha mais consciente.
Para candidatos e partidos, a atenção deve ser redobrada. A prestação parcial precisa refletir a movimentação real da campanha. Omissões, inconsistências ou informações incorretas podem repercutir posteriormente na análise das contas eleitorais.
Também é importante lembrar que essa é apenas uma etapa. Após as eleições, haverá a prestação de contas final, quando toda a movimentação financeira da campanha será submetida à análise da Justiça Eleitoral.
A transparência eleitoral não está apenas no discurso do candidato. Ela também está na origem dos recursos, nos gastos realizados e na possibilidade de fiscalização pela sociedade.
Em uma democracia, saber quem pede o voto é fundamental. Saber quem financia a campanha também.
André Pozeti
Advogado, especialista em Direito Eleitoral, ex-juiz membro do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) e membro da Comissão Eleitoral da OAB/MT.
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