JURÍDICO
ESA Nacional debate os desafios do Constitucionalismo Digital em Curso de Alta Formação
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Teve início na tarde desta segunda-feira (10/10), em Roma, na Itália, o Curso de Alta Formação “Os Desafios do Constitucionalismo Digital”, promovido pela Escola Nacional da Advocacia (ESA Nacional) e pela Università Sapienza di Roma, com o objetivo de desenvolver a formação de juristas brasileiros por meio do diálogo e conhecimento entre profissionais das áreas jurídicas italiana e brasileira.
Considerada a melhor universidade no mundo para estudos clássicos e uma das melhores da Itália, a Università Sapienza di Roma recebeu em seu primeiro dia os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso, que palestraram sobre os temas “Direito Constitucional da Sociedade da Informação” e “A transformação da esfera pública digital: discurso de ódio e democracia”, respectivamente, ao lado de professores, acadêmicos e especialistas nos temas brasileiros e italianos.
Na abertura do evento, o diretor-geral da ESA Nacional, Ronnie Preuss Duarte, destacou a importância de debater os temas atuais diante de um cenário em que o direito digital é cada vez mais desafiado pelos avanços da sociedade. “Trazer esta discussão jurídica em um momento em que o direito digital impacta a vida de toda a população e da formação das sociedades é de vital importância para os operadores do direito”, afirmou. “Fazer isso ao lado de uma universidade como a Sapienza nos dá a certeza de que os debates que aqui forem feitos trarão muitos frutos para a formação de uma doutrina nesta área.”
A diretora do departamento de Ciências Jurídicas da Universitá Sapienza di Roma, Luisa Avitabile, apontou que a discussão sobre o direito digital e seus aspectos constitucionais é um dos maiores desafios da área na atualidade. “Vivemos em um mundo impactado pelo digital e por seus reflexos em nossa sociedade. Conciliar esta nova realidade com as regras básicas de convivência, mas ao mesmo tempo com a liberdade que este meio proporciona às pessoas, é algo que nos desafia a todos”, afirmou.
Coube ao ministro do STF Gilmar Mendes abrir os painéis de debates, ao lado do presidente da Comissão Nacional de Estudos Constitucionais do CFOAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, do professor da Università Sapienza de Roma Alfonso Celotto e da professora da Universidade de Frankfurt Indra Spiecker, em apresentação mediada pelo professor Sergio Antonio Ferreira Victor.
O painel debateu temas como compartilhamento de dados da administração pública, bioética, privacidade e questões relativas à jurisdição nacional, com um retrato sobre o atual estado da arte da privacidade segundo os últimos julgados do STF, particularmente os que envolveram as ações do CFOAB em questões de compartilhamento de dados telefônicos, quando a entidade promoveu uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) junto à Corte e quando atuou para que o Ministério da Saúde continuasse a fornecer dados públicos durante a pandemia,
Já o segundo painel do dia contou com a apresentação do ministro Luís Roberto Barroso, que esteve ao lado dos juristas Ricardo Campos, coordenador para a temática do direito digital da ESA Nacional, e do professor Ademar Borges de Sousa Filho, do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa.
Veículos de mídia
Em sua apresentação, Barroso falou sobre as mudanças na estrutura de comunicação, com a diminuição do espaço dos grandes veículos de mídia, que faziam uma curadoria dos conteúdos, primando por sua qualidade e interesse público, e o crescimento da relação direta entre os usuários em seus canais digitais, sem filtros ou mediação, o que acaba valorizando discursos de desinformação, mentiras e teorias conspiratórias.
“É preciso que haja uma regulação das plataformas tecnológicas e das mídias sociais, mas que a compatibilize com a liberdade de expressão”, afirmou. “Apoio uma lei minimalista, mas que preveja a transparência, o devido processo legal e a razoabilidade, para que se tenha critérios sobre como se darão direitos e deveres no mundo digital”, completou.
O evento segue até a próxima sexta-feira, 14 de outubro, e conta com apresentações dos ministros Dias Toffoli, do STF, Reynaldo Fonseca, Luis Felipe Salomão, Ricardo Villas Bôas Cueva, do Superior Tribunal de Justiça, além de professores, juristas, magistrados e conselheiros brasileiros e italianos.
Outros painéis
Entre os temas que serão debatidos ao longo do evento estão “Proteção de Dados do Consumidor, Limites do Consentimento e E-Commerce”, “Direito ao Esquecimento”, “O Uso de Dados pelo Setor Público”, “Direito Privado na Economia Digital: Contratos Inteligentes”, “Direito Administrativo Informacional”, “Digitalização e Fé Pública”, “Mercado, Concorrência e Plataformas Digitais”, “Digitalização e Inteligência Artificial nos Tribunais”, “Inteligência Artificial e Desafios Regulatórios”, “Proteção de Dados: um balanço da eficácia da GDPR e LGPD” e “Direitos Fundamentais e Algoritmos”.
Fonte: OAB Nacional
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Quem financia a campanha? A prestação de contas também interessa ao eleitor
Quem financia a campanha? A prestação de contas também interessa ao eleitor
Prazo para a prestação de contas parcial das Eleições 2026 termina neste domingo, 13 de setembro, e mostra por que acompanhar o dinheiro da campanha também faz parte do voto consciente.
Durante uma eleição, o eleitor acompanha pesquisas, propostas, debates, alianças e propaganda. Mas há outro aspecto que também merece atenção: d e onde vem o dinheiro que financia uma campanha e como ele está sendo utilizado.
Neste domingo, 13 de setembro, termina o prazo para que partidos, candidatas e candidatos apresentem à Justiça Eleitoral a prestação de contas parcial das Eleições 2026 . Nela devem constar as movimentações financeiras e os recursos estimáveis em dinheiro registrados desde o início da campanha até 8 de setembro.
A prestação parcial funciona como uma espécie de fotografia financeira da campanha naquele momento. Ela permite verificar quanto foi arrecadado, quem contribuiu, quais despesas foram realizadas e como os recursos estão sendo empregados.
Mas é importante fazer uma distinção: informações financeiras da campanha podem aparecer antes da prestação parcial , porque os recursos recebidos devem ser informados à Justiça Eleitoral durante a própria campanha e os relatórios financeiros podem ser disponibilizados na internet em até 48 horas.
O dia 15 de setembro representa outro marco. Nessa data, a Justiça Eleitoral divulgará oficialmente, na internet, a prestação de contas parcial consolidada, com indicação dos doadores e dos respectivos valores declarados, observadas as regras de proteção de dados pessoais.
Para o eleitor, essas informações ajudam a enxergar a campanha por outro ângulo. Conhecer propostas é essencial, mas compreender quem financia uma candidatura e para onde o dinheiro está sendo direcionado também contribui para uma escolha mais consciente.
Para candidatos e partidos, a atenção deve ser redobrada. A prestação parcial precisa refletir a movimentação real da campanha. Omissões, inconsistências ou informações incorretas podem repercutir posteriormente na análise das contas eleitorais.
Também é importante lembrar que essa é apenas uma etapa. Após as eleições, haverá a prestação de contas final, quando toda a movimentação financeira da campanha será submetida à análise da Justiça Eleitoral.
A transparência eleitoral não está apenas no discurso do candidato. Ela também está na origem dos recursos, nos gastos realizados e na possibilidade de fiscalização pela sociedade.
Em uma democracia, saber quem pede o voto é fundamental. Saber quem financia a campanha também.
André Pozeti
Advogado, especialista em Direito Eleitoral, ex-juiz membro do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) e membro da Comissão Eleitoral da OAB/MT.
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