EDUCAÇÃO
Diagnóstico Equidade 2026 mostra avanço das políticas de educação étnico-racial
EDUCAÇÃO
Os dados do Diagnóstico Equidade 2026, realizado pelo Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), mostram que as estratégias de equidade racial estão cada vez mais presentes nos estados e municípios brasileiros. Entre 2024 e 2026, o percentual de redes municipais que declararam contar com áreas especificas para a gestão dessas ações passou de 15% para 42%; entre as redes estaduais, o indicador chegou a 100% em 2026.
Esse diagnóstico é uma iniciativa criada em 2024 pelo MEC, pondo fim a uma lacuna de dados cuja ausência comprometia a capacidade estatal de promoção da equidade. Em sua segunda edição, o diagnóstico manteve participação próxima à universalidade, com resposta ao questionário de 97% das redes municipais e 100% das redes estaduais. O resultado está ligado ao primeiro biênio de execução da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq), em regime de colaboração interfederativa.
Do ponto de vista institucional, por exemplo, houve um aumento no percentual de redes de ensino com áreas específicas para fazer a gestão de ações de equidade racial. Entre 2024 e 2026, o número saiu de 15% para 42% entre os municípios, e alcançou 100% em 2026 entre as redes estaduais. Além disso, a presença de normativa local relacionada à promoção da educação para as relações étnico-raciais (Erer) passou de 43% para 55% entre municípios e de 74% para 93% entre as redes estaduais.
Os dados também mostram crescimento percentual de redes municipais que realizam campanhas de declaração racial, ação para promover o reconhecimento e a valorização das identidades étnico-raciais, bem como para permitir análises educacionais racializadas cada vez mais precisas. O levantamento revela que este crescimento foi de 66% para 86% em dois anos nas redes municipais, e de 63% para 93% nas redes estaduais.
Houve também uma redução do percentual de estudantes sem declaração racial no Censo Escolar entre 2023 e 2025, representando uma queda de 24% para 10%, sendo que o indicador vinha se mantendo constante em torno de 26%, nos anos anteriores.
Os novos dados apresentam um crescimento da maturidade de organização das redes em diferentes frentes e que a temática da equidade racial entrou no centro da agenda da política pública, demonstrando as ações da Pneerq e de mecanismos indutores, tais como o Selo Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva e a complementação-VAAR Fundeb da União.
O Diagnóstico Equidade 2026 tem o objetivo de identificar diferentes aspectos da implementação de políticas equitativas no país, particularmente aquelas ligadas à promoção da educação para as relações étnico-raciais, em cumprimento à Lei 10.639/03, modificada pela Lei 11.645/08, e ao fortalecimento da educação escolar quilombola.
Equidade racial no planejamento educacional – No indicador de incorporação da equidade racial como objetivo presente no Plano de Ações Articuladas (PAR), as redes municipais passaram de 30% para 67%. Nas redes estaduais, o avanço foi de 56% para 93%. Esse panorama revela a preocupação crescente das redes de ensino em planejar e buscar apoio técnico e financeiro para estratégias de enfrentamento das desigualdades.
Formação em relações étnico-raciais – Outro indicador que apresentou avanço foi o percentual de redes municipais de ensino que ofereceram formações, seminários, oficinas e palestras sobre equidade racial, passou de 48%, no ano de 2024, para 69%, em 2026. Todas as redes estaduais declararam realizar essa oferta. Esse resultado demonstra que o tema da equidade racial também foi inserido no planejamento formativo das secretarias, ação crucial para trabalhar a difusão de práticas pedagógicas antirracistas entre os professores da rede pública.
Monitoramento das Leis de Erer – O diagnóstico permitiu identificar o acompanhamento da implementação das leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008. O indicador passou de 18% para 34% para as redes municipais, e de 30% para 59% para as redes estaduais. O monitoramento permite às redes identificarem escolas onde há maior dificuldade de execução de práticas pedagógicas de educação para as relações étnico-raciais e gargalos operacionais, e assim planejar de forma mais efetiva as estratégias para cumprimento das leis.
Identificação e resposta ao racismo e injúria racial – Cresceu também a adoção de protocolos para casos de racismo ou injúria racial nas redes estaduais, de 59% para 93% (mais de 30 pontos percentuais). Nas redes municipais, o percentual saiu de 36% para 53%. Nesse contexto, o Ministério da Educação publicou, em 2026, uma série de protocolos nacionais, os quais podem servir de referência para o trabalho das escolas públicas.
Práticas de gestão – O conjunto de perguntas com menor avanço no período foi o relacionado à dimensão das práticas de gestão das redes de ensino em relação a suas escolas. Acerca da evolução das respostas sobre protocolos de resposta ao racismo e de campanhas de declaração racial, que fazem parte desta dimensão, o Diagnóstico de Equidade 2026 permitiu identificar que alguns indicadores cruciais ainda não avançaram como o esperado.
Os pontos de atenção para o próximo ciclo estão na implementação de estratégias de incentivos às escolas e aos professores para a implementação da educação para as relações étnico-raciais, bem como a consideração de conhecimentos sobre Erer nos processos seletivos de professores e diretores escolares. No período, passou de 44% para 74% o percentual de redes estaduais que incluíram a avaliação de conhecimentos sobre relações étnico-raciais nos processos de escolha da gestão escolar.
Metodologia – O levantamento contou com 44 perguntas dirigidas às Secretarias de Educação de estados, municípios e do Distrito Federal. Foram realizadas 32 questões sobre Educação para as Relações Étnico-Raciais (Erer) e 12 sobre Educação Escolar Quilombola (EEQ).
Para acompanhar os resultados, as informações foram organizadas em indicadores que avaliaram áreas como gestão, formação de profissionais, materiais didáticos, financiamento, avaliação e monitoramento. Os índices recebem notas de 0 a 100.
As respostas foram declaradas pelos responsáveis pelas secretarias de educação ou, no caso dos municípios, pela prefeitura, o que contribui para a confiabilidade das informações. O questionário e os indicadores foram construídos com a participação de especialistas, pesquisadores e profissionais com experiência em políticas de equidade racial e combate ao racismo.
Resultados do Diagnóstico de Equidade 2026
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secadi
Fonte: Ministério da Educação
EDUCAÇÃO
Pé-de-Meia Licenciaturas: Enem abre portas para docentes
riado para ampliar e incentivar a formação de professores no Brasil, reduzir a evasão e induzir o ingresso de docentes nas redes públicas de ensino, o Pé-de-Meia Licenciaturas oferece bolsas mensais para estudantes que obtiveram nota média igual ou superior a 650 pontos no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) e que optaram por um curso de licenciatura presencial. O número de estudantes com alto desempenho em cursos de licenciatura nas universidades federais dobrou desde 2024 e impulsionou o ingresso em formações docentes presenciais, contando com mais de 14 mil bolsistas.
Além dos estudantes de universidades públicas ingressantes pelo Sisu, também podem receber o benefício aqueles que forem aprovados em instituições privadas de ensino superior participantes do Programa Universidade para Todos (Prouni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), de acordo com as regras do edital. Para isso, candidatos devem fazer o cadastramento na Plataforma Freire, que é o sistema oficial da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), autarquia responsável pelas bolsas.
“A dificuldade de atrair estudantes com bom desempenho para a carreira docente é um dos maiores desafios da educação brasileira e é justamente nessa lacuna que o programa busca atuar”, explicou a diretora de Programa da Secretaria Executiva do MEC, Julia Tami Ishikawa. “Além disso, os dados mostram que as licenciaturas são cursos com um alto índice de evasão (mais de 50%), e a taxa de concluintes que ingressam nas redes de educação básica é de apenas 30%. Isso dificulta o ingresso de novos professores qualificados nas redes de ensino. Dessa forma, o Pé-de-Meia Licenciatura vai tanto estimular a chegada de novos estudantes de licenciatura quanto apoiar a permanência deles ao longo da formação”.
Aluna de Ciência Biológicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Selene Silva teve que se mudar da casa dos pais para poder ingressar no ensino superior em Natal, na capital do estado. Para Selene, o programa tem sido muito uma ferramenta de permanência importante para garantir que alunos tenham independência financeira e melhoria nos estudos.
“Antes da bolsa, os beneficiários não tinham, por exemplo, tablets como material didático, que é algo que nos ajuda muito a anotar, principalmente nas aulas de anatomia. Além disso, a bolsa ajuda a arcar com os custos de chegar até a universidade e de se alimentar por aqui, já que muitos alunos passam o dia todo no campus. A gente também não precisa procurar emprego ou estágio antes da hora e conseguimos ter uma rotina de estudos mais fluida”, completou.
Bolsa – O apoio financeiro é repassado da seguinte forma: bolsa mensal de R$ 700 e incentivo à docência, no valor mensal de R$ 350, que vai para a poupança e poderá ser resgatado após a conclusão do curso, caso o estudante se torne professor da rede pública da educação básica em até cinco anos. Os estudantes recebem o recurso pelo Banco do Brasil, por meio da Poupança Social, e a abertura da conta é feita de forma automática, mediante solicitação da Capes para o pagamento da bolsa.
O beneficiário precisa, apenas, ativar a conta, por meio do aplicativo do Banco do Brasil no smartphone e selecionar a opção “Poupança Social”. Depois, deve inserir o número do CPF, atualizar os dados cadastrais e incluir a foto do seu documento e uma selfie.
Contexto – A medida foi motivada por três fatores principais: o Brasil não atrai os melhores estudantes para a docência, já que a nota média de corte para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) é 572, frente 637 para direito e 753 para medicina; a taxa de desistência acumulada das licenciaturas varia de 53% nos cursos de pedagogia a 73% dos cursos de física; e apenas 3% dos estudantes de 15 anos querem ser professores, de acordo com o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa).
Mais professores – O Pé-de-Meia Licenciaturas integras as ações do Programa Mais Professores para o Brasil, construído em reconhecimento ao papel dos docentes no processo de aprendizagem dos estudantes e no sucesso das políticas educacionais. A iniciativa visa fortalecer a formação docente, incentivar o ingresso de professores no ensino público e valorizar os profissionais do magistério, proporcionando-lhes recursos e oportunidades de desenvolvimento profissional contínuo.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria-Executiva (SE)
Fonte: Ministério da Educação
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