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Tarifaço começa a valer, mas impacto direto no agro deve ser limitado, avalia governo

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Começa a valer nesta terça-feira (06.08) o novo pacote de tarifas adotado pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Embora o anúncio tenha provocado tensão nos mercados, a estimativa do Ministério da Fazenda é de que o impacto direto atinja apenas cerca de 4% das exportações brasileiras com destino ao mercado norte-americano. No setor do agronegócio, os efeitos serão pontuais e concentrados em nichos específicos da produção rural, como frutas frescas e alguns alimentos perecíveis, carnes e café.

Boa parte dos itens afetados são commodities agrícolas que possuem alta demanda internacional e devem ser redirecionados para outros destinos com relativa facilidade. “Metade do volume atingido encontrará novos mercados no curto ou médio prazo”, afirmou o ministro Fernando Haddad durante a 5ª reunião plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável. Ainda assim, ele reconheceu que segmentos como a fruticultura e pequenos exportadores de produtos frescos estão mais vulneráveis, por dependerem da logística e da janela comercial dos Estados Unidos.

“Não é porque 1,5% das exportações será afetado que vamos baixar a guarda. Esses setores empregam muita gente e merecem atenção especial, que vai ser dada”, declarou o ministro, ao reforçar que o governo está monitorando os efeitos localizados no campo.

Em 2024, os Estados Unidos representaram aproximadamente 12% das exportações totais do Brasil, o que equivaleu a US$ 40,68 bilhões em vendas. Os 4% potencialmente tarifados correspondem a cerca de US$ 1,63 bilhão, ou apenas 0,48% do total exportado pelo país, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e do próprio Ministério da Fazenda. O número ajuda a dimensionar o problema: relevante para setores específicos, mas longe de representar um abalo estrutural no comércio exterior — especialmente no que diz respeito ao agro, cuja maior parte das vendas é destinada à China e outros países da Ásia e Europa.

O setor mais citado como prejudicado foi o de frutas tropicais, como manga, mamão, limão e abacate, que vinham expandindo mercado nos Estados Unidos. Parte desses produtos não foi incluída na exclusão de 698 itens anunciada em 1º de agosto pelo governo americano. A retirada parcial desses produtos da lista de sanções ocorreu por pressão interna — diante do risco de desabastecimento e impacto inflacionário nos próprios EUA.

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Mesmo assim, especialistas do setor acreditam que o Brasil pode reposicionar parte da produção em outros mercados compradores — como Europa, Oriente Médio e Ásia — e aumentar o escoamento interno, sobretudo com o apoio de programas de abastecimento e merenda escolar.

Durante o evento em Brasília, Haddad também buscou relativizar os efeitos do tarifaço com uma leitura mais ampla do cenário macroeconômico. Destacou a queda no desemprego, a saída do Brasil do Mapa da Fome e o aumento nos investimentos em infraestrutura e indústria, que também beneficiam a cadeia produtiva rural. “Foi uma semana apreensiva, mas cheia de conquistas que levam bem-estar à população. Temos que olhar para tudo isso com otimismo”, disse.

Apesar de o governo brasileiro não ter sido recebido pela Casa Branca e não haver diálogo diplomático direto, Haddad classificou a medida como “injusta e indevida”, ressaltando que ela fere uma relação construída ao longo de dois séculos entre os dois países. A prioridade agora, segundo ele, é proteger a renda e o emprego dos trabalhadores rurais e dos pequenos produtores atingidos.

MAIS ATINGIDOS – Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que sete estados brasileiros serão mais afetados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Juntos eles responderam por mais de 80% das exportações para os Estados Unidos em 2024.

CARNE – A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estima que as exportações de carne bovina para os EUA devem cair 200 mil toneladas neste ano — uma perda de aproximadamente US$ 1 bilhão. O setor, que já arca com uma alíquota de 36%, agora enfrenta um acréscimo de mais 40%. Mesmo antes da nova taxa começar a valer, frigoríficos já vinham interrompendo suas operações destinadas ao mercado norte-americano.

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CAFÉ – O café figura entre os produtos mais atingidos. No primeiro semestre de 2025, os EUA importaram 3,3 milhões de sacas de café brasileiro, mais que qualquer outro país — quase 39% a mais que a Alemanha, segunda colocada. A indústria de café solúvel também será impactada: o Brasil é o segundo maior fornecedor do produto aos norte-americanos, representando mais de 25% do que eles consomem, segundo a ABICS.

FRUTAS – A tarifa chega justamente às vésperas da colheita de manga e uva, que ocorre entre setembro e outubro, voltada principalmente ao mercado dos EUA. Segundo a Abrafrutas, não há tempo hábil para redirecionar a produção a outros destinos, o que pode levar agricultores do Vale do São Francisco a simplesmente não colher — com prejuízo total e perdas no próprio campo.

PESCA – No setor pesqueiro, o cenário é crítico. Temendo colapso nas operações, a Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca) solicitou ao governo federal uma linha emergencial de crédito de R$ 900 milhões para manter o capital de giro das empresas. O setor calcula que cerca de 35 indústrias e 20 mil trabalhadores estão em risco, com paralisações e cortes iminentes.

E MAIS: Indústrias processadoras de cacau que representam aproximadamente 20% de toda a exportação do setor. A AIPC estima que o impacto pode chegar a US$ 36 milhões já em 2025, caso não haja recuo nas medidas. Empresas do setor florestal exportador e de ovos, que representem menos de 1% da produção nacional, mas que exportou mais de 15 mil toneladas no primeiro semestre, gerando US$ 33 milhões em receita. Com a nova tarifa, esse canal também poderá ser comprometido, alerta a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Fonte: Pensar Agro

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Alta de invasões impulsiona campanha “Invasão Zero” e pressiona por lei mais dura

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou a reação às invasões de propriedades rurais com a campanha “Invasão Zero”, que reúne um conjunto de propostas legislativas e medidas de pressão institucional para endurecer o combate às ocupações no campo.

A iniciativa ganha força em meio ao aumento recente dos casos. Levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta 33 invasões registradas entre janeiro e meados de abril deste ano, sendo 14 apenas neste mês. Do total, 32 episódios foram atribuídos ou vinculados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Para a bancada ruralista, o avanço das ocupações amplia a insegurança jurídica e afeta decisões de investimento no setor. A avaliação é de que o cenário pode comprometer a produção, sobretudo em regiões de fronteira agrícola, onde a expansão depende de maior previsibilidade institucional.

Como resposta, a FPA articula um pacote de projetos no Congresso. Entre eles está o Projeto de Lei 4.432/2023, que cria o Cadastro Nacional de Invasões de Propriedades (CNIP), com integração ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). A proposta busca centralizar dados, facilitar a identificação de envolvidos e dar suporte às ações de segurança.

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Outro eixo da ofensiva é o endurecimento das penas. O Projeto de Lei 1.198/2023 propõe alterar o Código Penal para elevar a punição por esbulho possessório, hoje limitada a detenção de um a seis meses, para reclusão de quatro a oito anos, além de multa. Já o Projeto de Lei 6.612/2025 cria uma tipificação específica para invasões de propriedades rurais, com penas que podem chegar a dez anos, agravadas em casos de áreas produtivas ou ações coletivas.

No mesmo pacote, propostas buscam restringir o acesso de invasores a políticas públicas. Um dos textos em tramitação prevê a exclusão de ocupantes irregulares de programas de reforma agrária e o bloqueio temporário de crédito subsidiado, benefícios fiscais e contratos com o poder público.

A ofensiva legislativa ocorre em um contexto mais amplo de debate sobre a política fundiária. Dados do mostram que o Brasil tem cerca de 1,1 milhão de famílias assentadas, mas ainda enfrenta desafios estruturais na geração de renda e na integração produtiva dessas áreas. Para a FPA, a solução passa por tratar a reforma agrária como política técnica, com foco em infraestrutura, assistência e viabilidade econômica, e não por meio de ocupações.

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A campanha “Invasão Zero” deve orientar a atuação da bancada ao longo de 2026, com prioridade para projetos que ampliem a segurança jurídica no campo e estabeleçam regras mais rígidas para ocupações ilegais. O tema tende a ganhar espaço na agenda do Congresso, especialmente diante da pressão de produtores e entidades do setor.

Fonte: Pensar Agro

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