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AGRONEGÓCIO

Projeto prevê R$ 10 bilhões para fortalecer produção de fertilizantes

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Uma das principais pautas defendidas pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para reduzir a dependência brasileira de insumos importados avançou no Congresso Nacional. A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 699/23, que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), prevendo até R$ 10 bilhões em incentivos fiscais para estimular a produção nacional e ampliar a segurança de abastecimento para o agronegócio. O texto retorna agora ao Senado para análise das alterações feitas pelos deputados.

A proposta foi apresentada pelo senador Laércio Oliveira e ganhou apoio da bancada do agro ao longo da tramitação. Para a FPA, o fortalecimento da indústria nacional de fertilizantes é considerado estratégico em um país que importa aproximadamente 85% dos nutrientes utilizados nas lavouras. A dependência externa ficou ainda mais evidente nos últimos anos, quando conflitos internacionais, problemas logísticos e oscilações cambiais pressionaram os custos de produção no campo.

O programa prevê a concessão de até R$ 2 bilhões por ano em créditos fiscais entre 2027 e 2031 para empresas que investirem na implantação, expansão, modernização ou reativação de unidades industriais no Brasil. Poderão participar fabricantes de fertilizantes minerais e sintéticos, produtores de matérias-primas, biofertilizantes, bioinsumos e remineralizadores. Os projetos deverão ser habilitados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e atender requisitos de sustentabilidade ambiental, eficiência energética e desenvolvimento regional.

Além dos incentivos tributários, o projeto cria o Fundo de Estímulo à Produção Nacional de Fertilizantes (FPNF), destinado a apoiar investimentos, oferecer garantias para financiamentos, contribuir para a redução dos custos de crédito e fomentar pesquisas e inovação tecnológica. O texto também autoriza o uso de recursos federais para viabilizar linhas especiais de financiamento por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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Outra medida prevista é a isenção do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) para cargas destinadas aos empreendimentos contemplados pelo programa. O benefício poderá alcançar R$ 1 bilhão ao longo de cinco anos. Na avaliação dos defensores da proposta, a medida ajuda a reduzir custos logísticos e aumenta a atratividade de novos investimentos no setor.

O projeto ainda estabelece uma ação emergencial para 2026, com a possibilidade de liberação de até R$ 1 bilhão em créditos financeiros para fabricantes e importadores de fertilizantes. O objetivo é minimizar os impactos das oscilações nos preços internacionais e evitar aumentos expressivos nos custos dos insumos utilizados pelos produtores rurais.

Entre os pontos que geraram mais debate durante a tramitação está a criação de metas graduais para a participação de fertilizantes produzidos no Brasil na composição dos produtos comercializados no mercado nacional. O percentual deverá começar em 2% e poderá alcançar 10% até 2037. A regulamentação ficará sob responsabilidade do Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert), que poderá ajustar os percentuais de acordo com a capacidade produtiva do setor e as condições de mercado.

A iniciativa está alinhada ao Plano Nacional de Fertilizantes 2022-2050, que busca reduzir a dependência brasileira de fornecedores estrangeiros dos atuais 85% para cerca de 45% nas próximas décadas. Para lideranças do setor, a ampliação da produção nacional é considerada fundamental para garantir maior previsibilidade de custos, ampliar a competitividade da agricultura brasileira e reduzir a exposição do país a crises internacionais.

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“O agro brasileiro se tornou uma potência global na produção de alimentos, mas continua excessivamente dependente de fertilizantes importados. Isso significa que qualquer conflito geopolítico, restrição comercial ou problema logístico em outros continentes pode impactar diretamente os custos de produção aqui dentro. O Profert representa uma tentativa concreta de enfrentar essa vulnerabilidade histórica”, afirma o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende.

Segundo ele, a aprovação do projeto atende a uma demanda antiga do setor produtivo. “O produtor rural precisa de previsibilidade. Quando os preços dos fertilizantes disparam no mercado internacional, toda a cadeia sente os efeitos. Fortalecer a produção nacional não elimina a necessidade de importações, mas cria mecanismos para reduzir riscos e ampliar a segurança de abastecimento”, diz.

Para Rezende, os resultados da política serão percebidos no médio e longo prazo. “Não estamos falando apenas de indústria, mas de competitividade agrícola. Quanto mais robusta for a cadeia nacional de fertilizantes, menor será a vulnerabilidade do agronegócio brasileiro diante das oscilações externas. É uma agenda que interessa ao produtor, à indústria e ao consumidor final”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Alta dos insumos e eventos climáticos ampliam pressão sobre o agronegócio

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O avanço dos custos de produção e a maior frequência de eventos climáticos extremos estão entre os principais desafios enfrentados pelo agronegócio mineiro em 2026. A avaliação é de que o setor convive simultaneamente com os reflexos das tensões geopolíticas internacionais, que afetam o mercado global de insumos, e com fenômenos climáticos cada vez mais imprevisíveis, capazes de comprometer a produtividade no campo.

Segundo dados apresentados durante evento realizado em Belo Horizonte, os custos dos insumos agrícolas acumularam alta de cerca de 70% desde 2019. O aumento atinge diretamente a rentabilidade dos produtores rurais e acaba repercutindo ao longo da cadeia, influenciando os preços dos alimentos que chegam ao consumidor.

A pressão sobre os custos ocorre em um contexto de forte dependência de fertilizantes e outros insumos importados. Conflitos internacionais, restrições comerciais e oscilações nos mercados globais têm provocado instabilidade nos preços e aumentado a preocupação de produtores e entidades do setor.

Diante desse cenário, uma das apostas para reduzir a vulnerabilidade das propriedades rurais tem sido a ampliação do uso de bioinsumos e o desenvolvimento de tecnologias adaptadas às condições brasileiras. A estratégia busca diminuir a dependência de produtos importados e aumentar a eficiência produtiva das lavouras.

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O incentivo ao uso de variedades mais resistentes também integra esse movimento. A expectativa é que cultivares com maior tolerância a estresses climáticos e menor exigência de determinados insumos possam contribuir para reduzir custos e ampliar a resiliência das atividades agrícolas.

Minas Gerais ocupa posição de destaque na agropecuária nacional, com forte participação em cadeias como café, leite, batata, citros e diversas outras culturas. Essa diversidade produtiva ajuda a distribuir riscos e fortalece a participação do agronegócio na economia estadual.

Nos últimos anos, o setor registrou crescimento das exportações e ampliou sua contribuição para a geração de renda e empregos. Ainda assim, produtores continuam enfrentando desafios relacionados ao acesso ao crédito, à incorporação de novas tecnologias e à gestão das propriedades diante de um ambiente de negócios cada vez mais complexo.

Entre as preocupações mais imediatas está a influência do clima sobre as lavouras. Em regiões produtoras de café, episódios recentes de chuva de granizo têm gerado apreensão entre agricultores devido ao potencial de danos às plantações. Além das perdas diretas, eventos desse tipo aumentam a incerteza sobre a produção e podem afetar a qualidade dos grãos.

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A combinação entre custos elevados e instabilidade climática reforça a necessidade de investimentos em inovação, pesquisa e gestão de risco. Para especialistas do setor, a capacidade de adaptação será cada vez mais determinante para manter a competitividade da agropecuária brasileira nos próximos anos.

Mesmo diante das dificuldades, o agronegócio segue como um dos principais motores da economia mineira. A expectativa é que o avanço de tecnologias, a adoção de práticas sustentáveis e a busca por maior eficiência produtiva permitam ao setor enfrentar um cenário marcado por desafios globais e mudanças cada vez mais rápidas no ambiente de produção.

Fonte: Pensar Agro

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