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Produtores veem no CAR caminho para destravar o Código Florestal

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A regularização ambiental das propriedades rurais voltou ao centro das discussões sobre sustentabilidade com a realização do Pacto pelo Código Florestal, em Brasília (DF). O encontro reuniu representantes públicos e privados para alinhar estratégias que transformem o Cadastro Ambiental Rural (CAR) em instrumento efetivo de desenvolvimento e competitividade no campo.

O pacto, organizado por entidades do agronegócio, da pesquisa e da conservação ambiental, propõe unir esforços entre governos e produtores para que o Código Florestal avance de forma prática e gere ganhos reais à economia rural. Estudo do Plano Estratégico para a Implementação do Código Florestal (Planaflor) indica que o cumprimento total da lei pode abrir milhões de novas vagas de trabalho, ampliar a restauração de áreas degradadas e movimentar bilhões de dólares por ano no mercado de carbono.

Nos últimos anos, o CAR cresceu em alcance e qualidade das análises. Todos os estados brasileiros participam atualmente do processo de validação, com aumento expressivo no número de registros revisados. Sistemas automatizados e novas tecnologias reduziram o tempo de resposta e melhoraram a confiabilidade dos dados.

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Mesmo com o avanço, as entidades destacaram que a validação completa dos cadastros ainda é o principal desafio. A regularidade ambiental depende desse processo, fundamental para liberar crédito, impulsionar exportações e garantir a rastreabilidade das cadeias produtivas.

O cumprimento do Código Florestal não é visto apenas como obrigação, mas como uma oportunidade para o país se firmar como potência agroambiental. A legislação é reconhecida internacionalmente e pode fortalecer a competitividade do agro nacional, atraindo investimentos e novos mercados.
Para os especialistas, aplicar o Código fortalece a segurança jurídica, gera estabilidade e amplia a produtividade — benefícios que se traduzem em renda e mais empregos no meio rural.

O setor público apresentou novas ferramentas digitais para facilitar o acesso dos produtores às informações fundiárias e ambientais. Entre as soluções estão o CAR pré-preenchido e plataformas integradas que permitem visualizar a situação do imóvel rural em um só ambiente.

Essas inovações também visam conectar bancos e instituições financeiras ao sistema ambiental, agilizando o crédito verde e premiando quem cumpre a legislação. A proposta do pacto é simples: transformar tecnologia e governança em resultados concretos, garantindo que o Código Florestal saia do papel e fortaleça o futuro do campo brasileiro.

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Fonte: Pensar Agro

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Confronto armado e feridos em colheita judicial reforçam urgência por segurança jurídica

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O cumprimento de uma ordem judicial para a colheita de safra em uma propriedade rural de Feliz Natal (cerca de 510 km da capital, Cuiabá) em Mato Grosso, na última sexta-feira (26.06), terminou em um confronto armado que deixou feridos e expôs a fragilidade dos protocolos atuais para a execução de mandados no meio rural.

O produtor rural Maikel Alan Tespesel, que estava acompanhado pela esposa e pelos dois filhos menores no momento da ocorrência, foi atingido por disparos de arma de fogo. O prestador de serviços contratado pela empresa credora também ficou ferido após ser atingido pela caminhonete do produtor. Ambos estão internados num hospital de Sorriso e passam bem.

O caso, que está sob investigação da Polícia Civil, coloca em debate o modelo adotado para o cumprimento de decisões judiciais que envolvem ativos agrícolas. A presença de empresas de segurança privada em diligências de alto risco, em vez de um aparato ostensivo das forças de segurança do Estado, é apontada por especialistas como um dos fatores que transformaram uma ação de natureza cível em um episódio de violência física.

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A empresa credora da produção, contratou serviços de terceiros para realizar a colheita autorizada pela Justiça. Segundo informações da Polícia Militar, o conflito teve início quando houve uma tentativa de bloqueio do veículo do produtor. Os homens contratados pela empresa teriam efetuado disparos contra a caminhonete do produtor rural.

O episódio repercutiu negativamente no setor. A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) divulgou nota oficial repudiando a violência e defendendo uma investigação rigorosa. Para a entidade, disputas comerciais e execuções de ordens judiciais precisam observar protocolos estritos de legalidade, sendo inaceitável que o ambiente de produção se torne palco de confrontos que coloquem em risco a vida de produtores e suas famílias.

O incidente em Mato Grosso reforça um pleito antigo do setor agropecuário: a necessidade de garantir que decisões judiciais sejam executadas de forma técnica e segura. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defende sistematicamente que o cumprimento de mandados judiciais em áreas rurais ocorra com apoio das forças de segurança pública, evitando que produtores e credores sejam submetidos a situações de risco iminente.

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O episódio reflete um cenário de crescente tensão na zona rural brasileira. Dados do relatório ‘Conflitos no Campo Brasil 2025’, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), apontam a ocorrência de 1.408 episódios de conflito no último ano, atingindo mais de 715 mil pessoas.

Estados como Mato Grosso, Pará e o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) concentram as áreas de maior atrito, onde a expansão da fronteira agrícola e a complexidade na regularização de terras têm transformado disputas comerciais e possessórias em confrontos diretos.

Para a bancada do agronegócio, esses números evidenciam um vácuo de autoridade que exige solução urgente. A FPA sustenta que a insegurança jurídica e a falta de protocolos estaduais eficientes para o cumprimento de mandados judiciais impedem a pacificação no campo, transformando a resolução de litígios — que deveriam ser estritamente técnicos — em cenários de risco iminente para produtores, trabalhadores e seus familiares.

Fonte: Pensar Agro

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