CUIABÁ
Search
Close this search box.

AGRONEGÓCIO

Pragas avançam sobre a safrinha e pressionam lavouras no Cerrado

Publicado em

AGRONEGÓCIO

Responsável por cerca de 75% da produção nacional de milho, a segunda safra — conhecida como safrinha — enfrenta neste ciclo um novo desafio fitossanitário no Cerrado brasileiro: o avanço de lagartas nas lavouras. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento indicam que a maior parte da produção do cereal se concentra em Estados como Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná. Em várias dessas regiões, produtores relatam aumento da pressão de pragas, maior número de aplicações de inseticidas e sinais de perda de eficiência de tecnologias Bt em determinados híbridos.

A principal ameaça continua sendo a Spodoptera frugiperda, conhecida como lagarta-do-cartucho. A praga ataca principalmente as folhas jovens da planta, podendo destruir o cartucho e provocar o chamado “coração morto”, quando o ponto de crescimento do milho é comprometido. Em infestações severas, as perdas podem chegar a 60% da produtividade, segundo estudos da Embrapa.

Além dela, outras espécies ampliam o risco nas lavouras. O chamado complexo de lagartas inclui diferentes espécies do gênero Spodoptera, além da Helicoverpa armigera, que voltou a ser observada com maior frequência em áreas produtoras. Também preocupa técnicos a presença da Elasmopalpus lignosellus, conhecida como lagarta-elasmo, favorecida por condições de clima quente e seco e capaz de atacar a base da planta, comprometendo o desenvolvimento inicial do milho.

Leia Também:  Exportações somam R$ 7,27 bilhões em junho e atingem segundo maior valor da série

Parte da pressão atual está associada ao aumento da seleção de populações resistentes. Mesmo híbridos com tecnologia Bt — baseada em proteínas da bactéria Bacillus thuringiensis — têm apresentado desempenho irregular em algumas áreas quando práticas de manejo de resistência não são seguidas de forma rigorosa. Em determinadas regiões do Cerrado, produtores relatam a necessidade de seis a sete aplicações de inseticidas para conter os ataques.

O quadro é agravado por fatores climáticos e agronômicos. Temperaturas elevadas aceleram o ciclo biológico das pragas, enquanto a chamada “ponte verde” — presença de plantas hospedeiras entre a colheita da soja e o estabelecimento do milho — facilita a migração precoce das lagartas para a safrinha.

Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância do Manejo Integrado de Pragas e das estratégias de Manejo de Resistência de Insetos. Monitoramento frequente das lavouras, controle precoce das infestações e rotação de mecanismos de ação dos inseticidas estão entre as principais recomendações para preservar a eficiência das tecnologias disponíveis e evitar perdas expressivas de produtividade.

Leia Também:  Mercado estima alta de até 12% nos fretes agrícolas em 2025

Fonte: Pensar Agro

Propaganda

AGRONEGÓCIO

Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

Publicados

em

A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

Leia Também:  Assembleia cria Frente Parlamentar da Agropecuária; Dilmar coordena

Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

Leia Também:  Exportações somam R$ 7,27 bilhões em junho e atingem segundo maior valor da série

O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

Continue lendo

CIDADES

POLÍTICA

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA