AGRONEGÓCIO
Norte Show deve superar R$ 1 bilhão em negociações
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Norte Show deve superar R$ 1 bilhão em negociações
A feira, que é referência no agro em Mato Grosso, conta com um estande da Aprosoja-MT para receber produtores rurais
19/04/2022
A abertura oficial da Norte Show, na noite de terça-feira (19), no parque tecnológico da Acrinorte, em Sinop, contou com a participação do vice-presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, do vice-presidente Norte, Ilson Redivo, delegado coordenador Raul Pruinell, demais produtores rurais, autoridades e da sociedade sinopense. Em sua terceira edição a feira pretende superar R$ 1 bilhão em negociações.
O vice-presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, enalteceu a organização do evento. “Quer parabenizar a Acrinorte pela dimensão que se tornou essa feira. Temos um estande aqui na Norte Show para mostrar ao nosso associado e visitantes o trabalho que a Aprosoja-MT vem desenvolvendo, nas diversas áreas, na sustentabilidade, no Centro Tecnológico Parecis e do Vale do Araguaia. Nosso Estado tem condições de dobrar a produção em cima desses solos. Também cito a inflação de alimentos no Brasil acima dos 10%. Precisamos mostrar que nossa entidade está trabalhando trazer informação de qualidade para o produtor rural, principalmente na preservação do meio ambiente”, enfatizou Beber.
Aprosoja tem participado de todas as principais feiras do estado. “É muito importante que a entidade participe dessa feira que é referência no agro em Mato Grosso. Nosso estande é a casa do produtor rural e estamos muito felizes em poder receber todos. São mais de 40 municípios agregados que dependem desse polo de prestação de serviços”, enfatizou Ilson Redivo.
Para o presidente da Acrinorte, Olvide Galina, a Norte Show é uma feira tão grande quanto as realizadas em outros estados do país. “É para o grande produtor, para o agricultor familiar, para os colaboradores das fazendas e para todos que queiram conhecer um pouco mais do nosso setor e agregar conhecimento. Nosso estado é um dos grandes responsáveis pela produção de soja, milho e algodão do Brasil, e o norte do estado se destaca cada vez mais por sua grandeza. A Norte Show traz para você uma experiência incrível, reunindo o que existe de mais inovador no agronegócio, comércio e indústria”, declarou Galina.
Com objetivo de gerar conhecimento, despertar interesse e aproximar o setor produtivo da comunidade escolar, a feira traz também uma parceria nova com o movimento Agroligadas, com a visitação de aproximadamente 2 mil crianças do 4º ano, aos estandes, vitrines tecnológicas e exposições de máquinas e animais. A Aprosoja-MT e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT), são parceiras desse trabalho escolar.
“Esse evento mostra para toda a região do Estado o poder do agro em nosso munícipio, por isso a Prefeitura de Sinop fez questão de participar mostrando os trabalhos que nossa equipe técnica desenvolve com a Agricultura Familiar. A Norte Show, ainda, fomenta toda economia de Sinop, com a vinda dos produtores rurais e demais envolvidos no setor a nossa cidade. A organização está de parabéns”, declarou o prefeito de Sinop, Roberto Donner.
A FEIRA: Este ano, segundo a organização do evento, o número de expositores aumentou em 40%. Durante os quatro dias de feira, 40 mil pessoas devem passar pelo local. Além disso, um dos focos é ultrapassar os números da realização anterior, que atingiu R$ 1 bilhão em negociações entre os parceiros e expositores. São mais de 240 expositores entre demonstração de produtos e serviços, novidades em tecnologia, genética animal, máquinas e implementos, dentre outros.
Os visitantes poderão acompanhar 35 vitrines tecnológicas de plantios com culturas como soja, milho, sorgo, café, hortifrúti e jardinagem. Vão ainda visitar estandes que proporcionarão as transações financeiras. Participar de palestras, leilão virtual, bem como das programações e atrativos dos parceiros e expositores.
Com pilares baseados na pecuária, agricultura comercial e agricultura familiar, esta terceira edição da Norte Show estima que mais de. Entre assuntos técnicos e discussões política e econômica, a Norte Show traz uma programação diversificada nesta terceira edição. Serão cerca de 32 oportunidades de aprendizado com especialistas de diversas áreas, entre demonstração de produtos e serviços, novidades em tecnologia, genética animal, máquinas e implementos, dentre outros.
Com assessoria Norte Show
AGRONEGÓCIO
Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
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