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IPPA/CEPEA: IPPA/CEPEA fecha 2021 em alta

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Cepea, 31/01/2022 – Após três meses consecutivos de retração, o IPPA/CEPEA (Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários) subiu 3,1% no último mês de 2021 frente ao anterior, como resultado do aumento observado em todos os índices de grupos de alimentos. Em ordem decrescente, tem-se o IPPA-Hortifrutícolas, com elevação nominal de 20,5%; o IPPA-Cana-Café, com 3,3%; o IPPA-Grãos, com 3,0% e o IPPA-Pecuária, com 1,2%. No acumulado do ano, o IPPA/CEPEA registrou alta importante de 39,2% frente a 2020. Para os hortifrutícolas, o desempenho observado em dezembro foi puxado sobremaneira pela alta dos preços da banana e da uva; e, em menor grau, do tomate e da laranja. No caso da cana-de-açúcar e do café, os avanços foram mais sutis quando comparados aos primeiros meses do último trimestre do ano. Ainda assim, ao longo de 2021, ambos os produtos apresentaram altas, o que reflete o avanço de 54,5% do IPPA-Cana-Café no acumulado do ano. O IPPA-Grãos subiu em dezembro, após três meses de consecutivas quedas. No acumulado do ano, porém, registra-se aumento importante de 45,8%. Com exceção do arroz em casca, cujos preços recuaram ao longo de todos os meses de 2021 – com elevações apenas em abril e agosto –, os preços dos demais produtos que compõem o grupo avançaram – nesta ordem: milho, algodão em pluma, soja e trigo em grão. Finalmente, o IPPA-Pecuária cresceu frente a novembro devido, especialmente, ao desempenho dos preços do boi gordo, cuja arroba se manteve acima de R$ 300 na maior parte do ano. O cenário é semelhante ao enfrentado no ano anterior, em que se tinha a combinação de restrição sobre a oferta do animal vivo e ritmo acelerado de embarques – apesar da longa interrupção das exportações para a China após a descoberta dos dois casos atípicos de vaca louca no Brasil. Além deste, os ovos registraram aumento pouco expressivo no mês. Na mesma comparação, o IPA-OG-DI Produtos Industriais, calculado e divulgado pela FGV, registrou baixa de 1,54% – logo, de novembro para dezembro, os preços agropecuários avançaram frente aos industriais da economia. Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)

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Fonte: CEPEA

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Com dívidas superiores a R$ 1,3 trilhão, agro busca solução antes do início da safra 26/27

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Com o fim do vazio sanitário se aproximando e o plantio da soja previsto para começar a partir de setembro nas principais regiões produtoras, o endividamento rural voltou ao centro das preocupações do agronegócio brasileiro.

Estimativas do setor apontam que o passivo total da agropecuária brasileira já supera R$ 1,3 trilhão, dos quais aproximadamente R$ 188 bilhões correspondem a dívidas financeiras diretas dos produtores. Diante desse cenário, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou as articulações para acelerar a votação do Projeto de Lei 5.122/2023, considerado uma das principais apostas para permitir a renegociação de débitos e recuperar a capacidade de investimento no campo.

A preocupação cresce justamente no momento em que agricultores começam a planejar a safra 2026/27, negociando sementes, fertilizantes, defensivos e operações de custeio. Após anos de custos elevados, juros altos e sucessivas adversidades climáticas, muitos produtores chegam ao novo ciclo com margens reduzidas e dificuldades para acessar novas linhas de crédito.

O problema ganhou dimensão nacional principalmente entre os produtores de soja, principal cultura agrícola do país. Apesar de o Brasil caminhar para colher mais de 180 milhões de toneladas da oleaginosa, a rentabilidade das propriedades sofreu forte pressão nos últimos anos. Em algumas regiões, as margens brutas recuaram mais de 30%, reflexo da combinação entre queda nos preços internacionais, valorização dos insumos e aumento dos custos financeiros.

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Os reflexos desse cenário já aparecem nos indicadores do setor. Em 2025, o agronegócio registrou recorde de pedidos de recuperação judicial, enquanto a inadimplência rural avançou em diversas regiões produtoras. O ambiente mais desafiador levou instituições financeiras a endurecer critérios de concessão de crédito e exigir garantias adicionais, reduzindo a capacidade de financiamento de parte dos produtores.

Nesse contexto, ganhou força no Congresso Nacional o Projeto de Lei 5.122/2023. Embora tenha sido apresentado pelo deputado Domingos Neto, a proposta passou a ser uma das prioridades da Frente Parlamentar da Agropecuária, que atua para viabilizar instrumentos de renegociação de passivos, alongamento de prazos e recuperação da capacidade produtiva dos agricultores.

A avaliação de lideranças do setor é que a solução para o endividamento precisa ser definida antes do avanço do calendário agrícola. Isso porque grande parte da produtividade é construída antes mesmo do plantio, por meio de investimentos em correção de solo, fertilização, escolha de sementes e proteção fitossanitária. Sem acesso a crédito ou condições adequadas de renegociação, produtores podem reduzir aportes justamente em áreas que influenciam diretamente o desempenho da lavoura.

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O debate vai além das propriedades rurais. O Brasil é líder mundial na produção e exportação de soja, cadeia que movimenta centenas de bilhões de reais anualmente e sustenta segmentos como biodiesel, proteína animal, logística, armazenagem e agroindústria. Por isso, especialistas alertam que a recuperação financeira dos produtores será decisiva não apenas para a safra 2026/27, mas para a manutenção da competitividade do agronegócio brasileiro nos próximos anos.

Enquanto aguardam uma definição em Brasília, agricultores seguem fazendo contas e ajustando o planejamento da próxima temporada. No campo, a percepção é de que o crédito poderá ser tão importante quanto o clima para determinar os resultados da próxima safra.

Fonte: Pensar Agro

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