AGRONEGÓCIO
HF BRASIL/CEPEA: Com custo elevado, novos investimentos na citricultura podem ser limitados
AGRONEGÓCIO
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Cepea, 10/05/2022 – O período recente tem sido muito desafiador para a citricultura do estado de São Paulo e do Triângulo Mineiro, segundo aponta o Especial Citros de 2022, da edição de maio da revista Hortifruti Brasil, publicação do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.
Nos dois últimos anos, o clima desfavorável – tempo seco e quente e as geadas no inverno de 2021 – prejudicou a produtividade e elevou os custos de produção. Mais recentemente, citricultores, assim como produtores de outras commodities agrícolas, enfrentam uma trajetória de intensa alta nos valores dos insumos. Esse contexto tem impulsionado os custos de produção da citricultura na temporada 2022/23 e pode comprometer novos investimentos em renovação de pomares e também a manutenção do manejo adequado.
Os elevados preços dos insumos em 2022 estão atrelados a problemas enfrentados durante a pandemia de covid-19, que limitaram a produção e a comercialização de diversos itens agrícolas, e ao conflito entre a Rússia e a Ucrânia, importantes fornecedores globais de fertilizantes.
Dentre os insumos, o destaque é o fertilizante. As altas sucessivas nos preços médios desse insumo ao longo de 2021 já vinham deixando produtores brasileiros em alerta. Em 2022, no entanto, o movimento de avanço nos valores do insumo foi intensificado, diante da guerra no leste europeu. Assim, a tonelada do fertilizante superou os R$ 6.000,00 no mercado brasileiro.
Simulação realizada pela Equipe de HF do Cepea mostra que o gasto com fertilizantes por hectare pode subir até 75% na safra 2022/23 frente à anterior. No geral, o custo total orçado para um determinado perfil de produção na temporada atual representa aumento médio de 27% frente à safra anterior.
Diante disso, mesmo com a expectativa de aumento médio do preço da laranja, o patamar mínimo de produtividade da atividade terá que crescer ainda mais para poder remunerar a citricultura. E isso é um grande desafio, tendo em vista que seria necessário investir mais ao mesmo tempo que as margens de lucro estão estreitas.
ASSESSORIA DE IMPRENSA: Outras informações sobre o mercado de hortifrúti aqui e por meio da Comunicação do Cepea, com a pesquisadora Margarete Boteon: [email protected].
AGRONEGÓCIO
Com dívidas superiores a R$ 1,3 trilhão, agro busca solução antes do início da safra 26/27
Com o fim do vazio sanitário se aproximando e o plantio da soja previsto para começar a partir de setembro nas principais regiões produtoras, o endividamento rural voltou ao centro das preocupações do agronegócio brasileiro.
Estimativas do setor apontam que o passivo total da agropecuária brasileira já supera R$ 1,3 trilhão, dos quais aproximadamente R$ 188 bilhões correspondem a dívidas financeiras diretas dos produtores. Diante desse cenário, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou as articulações para acelerar a votação do Projeto de Lei 5.122/2023, considerado uma das principais apostas para permitir a renegociação de débitos e recuperar a capacidade de investimento no campo.
A preocupação cresce justamente no momento em que agricultores começam a planejar a safra 2026/27, negociando sementes, fertilizantes, defensivos e operações de custeio. Após anos de custos elevados, juros altos e sucessivas adversidades climáticas, muitos produtores chegam ao novo ciclo com margens reduzidas e dificuldades para acessar novas linhas de crédito.
O problema ganhou dimensão nacional principalmente entre os produtores de soja, principal cultura agrícola do país. Apesar de o Brasil caminhar para colher mais de 180 milhões de toneladas da oleaginosa, a rentabilidade das propriedades sofreu forte pressão nos últimos anos. Em algumas regiões, as margens brutas recuaram mais de 30%, reflexo da combinação entre queda nos preços internacionais, valorização dos insumos e aumento dos custos financeiros.
Os reflexos desse cenário já aparecem nos indicadores do setor. Em 2025, o agronegócio registrou recorde de pedidos de recuperação judicial, enquanto a inadimplência rural avançou em diversas regiões produtoras. O ambiente mais desafiador levou instituições financeiras a endurecer critérios de concessão de crédito e exigir garantias adicionais, reduzindo a capacidade de financiamento de parte dos produtores.
Nesse contexto, ganhou força no Congresso Nacional o Projeto de Lei 5.122/2023. Embora tenha sido apresentado pelo deputado Domingos Neto, a proposta passou a ser uma das prioridades da Frente Parlamentar da Agropecuária, que atua para viabilizar instrumentos de renegociação de passivos, alongamento de prazos e recuperação da capacidade produtiva dos agricultores.
A avaliação de lideranças do setor é que a solução para o endividamento precisa ser definida antes do avanço do calendário agrícola. Isso porque grande parte da produtividade é construída antes mesmo do plantio, por meio de investimentos em correção de solo, fertilização, escolha de sementes e proteção fitossanitária. Sem acesso a crédito ou condições adequadas de renegociação, produtores podem reduzir aportes justamente em áreas que influenciam diretamente o desempenho da lavoura.
O debate vai além das propriedades rurais. O Brasil é líder mundial na produção e exportação de soja, cadeia que movimenta centenas de bilhões de reais anualmente e sustenta segmentos como biodiesel, proteína animal, logística, armazenagem e agroindústria. Por isso, especialistas alertam que a recuperação financeira dos produtores será decisiva não apenas para a safra 2026/27, mas para a manutenção da competitividade do agronegócio brasileiro nos próximos anos.
Enquanto aguardam uma definição em Brasília, agricultores seguem fazendo contas e ajustando o planejamento da próxima temporada. No campo, a percepção é de que o crédito poderá ser tão importante quanto o clima para determinar os resultados da próxima safra.
Fonte: Pensar Agro
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