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AGRONEGÓCIO

EXPORT/CEPEA: Faturamento da parcial de 2022 já supera o de todo ano passado e renova recorde

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Cepea, 7/12/2022 – As exportações brasileiras de produtos do agronegócio seguem intensas neste ano. Pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, realizadas com base em dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia), mostram que, de janeiro a setembro deste ano, o faturamento com as vendas externas do setor soma US$ 122 bilhões, 28% acima do registrado no mesmo período de 2021 e já superior ao de todo o ano passado, de US$ 120 bilhões. Ou seja, ainda faltando três meses para serem contabilizados, o montante de 2022 já é um recorde anual.

Segundo pesquisadores do Cepea, as economias mundiais iniciaram 2022 em forte recuperação, sobretudo devido ao arrefecimento da pandemia de coronavírus e à consequente reabertura dos mercados, o que manteve firme a demanda por produtos agropecuários. Do lado da oferta, a guerra na Ucrânia agravou um quadro que já vinha apertado por conta da pandemia, o que levou à redução das operações entre os países produtores, com consequentes desarranjos nas cadeias globais de suprimentos e elevação do frete marítimo. O resultado foi um cenário de preços em alta forte, sobretudo no primeiro semestre, o que garantiu ao agronegócio brasileiro sucessivos recordes em suas vendas externas.

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De acordo com o Cepea, os produtos do complexo da soja continuam liderando o desempenho do setor, pois a soja em grão e seus derivados representaram quase 43% do faturamento externo do agronegócio. Quanto aos destinos, o destaque segue sendo a China, representando 34% do faturamento externo do agronegócio.

EXPECTATIVAS PARA 2023 – Com o recorde de faturamento em dólar em 2022 já garantido, pesquisadores do Cepea avaliam que as expectativas já se voltam para o próximo ano. Projeções indicam menor pressão de preços, que seguem em queda há oito meses, conforme indicador das Nações Unidas. O FMI estima que o crescimento mundial – após atingir 6% em 2021 e esperados 3,2% em 2022 – deve se desacelerar, para 2,7% em 2023. Trata-se de resultado do esforço da maioria dos países para conter o processo inflacionário mundial – que, entre 2021 e 2022, cresceu de 4,7% para 8,8% –, implicando maiores taxa de juros e certa contenção fiscal (após a expressiva expansão relacionada à pandemia).

Segundo pesquisadores do Cepea, comparativamente, a elevação da taxa de juros nos Estados Unidos vem se dando mais fortemente que na maioria dos países (incluindo União Europeia e Reino Unido), levando a previsões de alta internacional do dólar que trará – em conjunto com a desaceleração do crescimento econômico – reflexos na direção de alguma contenção –, porém, não a ponto de provocar reduções relevantes – dos preços em dólares das commodities.

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Pesquisadores do Cepea ainda ressaltam que, no Brasil, onde a elevação – forte – dos juros adiantou-se à maioria dos países, os reflexos sobre o câmbio doméstico poderão ser mais moderados, a depender das incertezas econômicas (principalmente fiscais) e institucionais reservadas para 2023. Caso um cenário otimista se confirme, a inflação e o custo de vida no Brasil poderão ser mantidos sob controle, enquanto a rentabilidade do agronegócio será em boa medida preservada, a despeito de uma desaceleração no crescimento econômico previsto a se reduzir de 2,8% em 2022 para 1% em 2023.

ASSESSORIA DE IMPRENSA: Outras informações sobre exportação do agronegócio aqui e por meio da Comunicação do Cepea, com o professor Geraldo Sant’Ana de Camargo Barros e com a pesquisadora Andréia Adami: [email protected]

Fonte: CEPEA

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AGRONEGÓCIO

Alta do petróleo e avanço dos biocombustíveis elevam preços internacionais dos alimentos

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A nova alta dos preços internacionais dos alimentos acendeu um alerta, e também abriu oportunidades, para o agronegócio brasileiro. Relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostra que os alimentos voltaram a subir em abril, puxados principalmente pelos óleos vegetais, em um movimento diretamente ligado à tensão no Oriente Médio, ao petróleo mais caro e ao avanço global dos biocombustíveis.

O Índice de Preços de Alimentos da FAO subiu 1,6% em abril e atingiu o maior nível desde fevereiro de 2023. Para o produtor brasileiro, porém, o dado mais importante está no comportamento do óleo de soja e das commodities ligadas à energia.

Com o aumento das tensões envolvendo o Irã e os riscos sobre o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, o mercado internacional passou a precificar possível alta nos combustíveis fósseis. Na prática, petróleo mais caro torna o biodiesel mais competitivo e aumenta a demanda por matérias-primas agrícolas usadas na produção de energia renovável.

É justamente aí que o Brasil ganha relevância. Maior produtor e exportador mundial de soja, o país também ampliou nos últimos anos sua indústria de biodiesel. Com a mistura obrigatória de biodiesel no diesel em níveis mais elevados, cresce a demanda interna por óleo de soja, fortalecendo toda a cadeia produtiva.

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O efeito tende a chegar dentro da porteira. Preços internacionais mais firmes para óleo vegetal ajudam a sustentar as cotações da soja, melhoram margens da indústria e podem aumentar a demanda pelo grão brasileiro nos próximos meses.

Além disso, o cenário fortalece a estratégia de agregação de valor do agro nacional. Em vez de depender apenas da exportação do grão bruto, o Brasil amplia espaço na produção de farelo, óleo e biocombustíveis, segmentos mais ligados à industrialização e geração de renda.

Os cereais também registraram leve alta internacional em abril. Segundo a FAO, preocupações climáticas e custos elevados de fertilizantes continuam influenciando o mercado global de trigo e milho.

Mesmo assim, os estoques mundiais seguem relativamente confortáveis, reduzindo o risco de uma disparada mais intensa nos preços dos grãos neste momento. Outro ponto que interessa diretamente ao produtor brasileiro está na carne bovina. O índice internacional das proteínas animais bateu recorde em abril, impulsionado principalmente pela menor oferta de bovinos prontos para abate no Brasil.

Isso ajuda a sustentar os preços internacionais da proteína brasileira e reforça a competitividade do país em um momento de demanda firme no mercado externo. Na direção oposta, o açúcar caiu quase 5% no mercado internacional diante da expectativa de aumento da oferta global, especialmente por causa da perspectiva de produção elevada no Brasil.

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A FAO também revisou para cima sua projeção para a safra mundial de cereais em 2025, estimada agora em 3,04 bilhões de toneladas — novo recorde histórico. O cenário mostra que o mercado global de alimentos continua abastecido, mas cada vez mais conectado ao comportamento da energia, da geopolítica e dos biocombustíveis. Para o agro brasileiro, isso significa que petróleo, conflitos internacionais e política energética passaram a influenciar diretamente o preço da soja, do milho, da carne e até a rentabilidade dentro da fazenda.

Fonte: Pensar Agro

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