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Chuvas melhoraram no sul, mas outras regiões ainda sofrem seca e baixa umidade

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O último final de semana marcou uma reviravolta no cenário climático das regiões produtoras, trazendo alívio parcial para agricultores que aguardavam sinal verde para o avanço do plantio de verão. Houve uma melhora notável nos volumes de chuva, principalmente no Sul, enquanto partes do Centro-Oeste e Sudeste ainda enfrentam desafios de seca e umidade do solo abaixo do ideal.

No Paraná, estado que sofreu intenso estresse hídrico em setembro, a situação mudou: as chuvas recentes, com acumulados acima de 50 mm em pontos do norte, recuperaram de forma significativa a umidade do solo. Esse avanço reduz o risco para o início do plantio da soja e de outras culturas, consolidando o estado como o mais beneficiado até agora pela volta das precipitações. Mesmo assim, a tendência para os próximos dias é de queda nos índices, exigindo monitoramento contínuo para evitar surpresas negativas.

O Centro-Oeste brasileiro apresenta uma fotografia mista. Em Mato Grosso, as chuvas do fim de semana trouxeram alívio pontual em áreas isoladas e volumes que superaram a média em algumas localidades. No entanto, o impacto sobre as condições do solo deve ser limitado, já que a previsão indica o retorno do tempo seco em breve e manutenção dos níveis de umidade abaixo do necessário para um plantio seguro e acelerado.

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Goiás e Mato Grosso do Sul, por sua vez, têm recebido volumes insuficientes. Enquanto Goiás pode registrar até o fim de outubro os menores índices de umidade dos últimos 20 anos, Mato Grosso do Sul acumulou apenas 50 a 75 mm de chuva desde setembro, frente a uma média de 188 mm para o período.

O Sudeste segue sob cenário desigual: enquanto áreas do sul de Minas e centro de São Paulo enfrentam persistente déficit hídrico, pontos isolados registraram volumes acima da média. A lenta recomposição do solo impõe cautela ao cronograma de plantio, forçando produtores a aguardar melhores condições para evitar prejuízos com a emergida das sementes.

Modelos climáticos europeu e americano projetam chuva abaixo da média para grande parte do país nos próximos dez dias, com exceção de trechos do Sul, Mato Grosso e Matopiba, onde as previsões são mais otimistas. O alento complementar é a expectativa de temperaturas amenas, que podem limitar a evapotranspiração e contribuir para a manutenção da umidade obtida.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Governo define regras para exportações do agronegócio para a Europa

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O governo federal detalhou as regras para uso das cotas tarifárias previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia, definindo como o agro brasileiro poderá acessar, na prática, os benefícios comerciais já em vigor desde 1º de maio.

As normas, publicadas pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), nesta segunda-feira (04.05), estabelecem critérios operacionais para exportação e importação dentro do novo regime. O objetivo é dar previsibilidade à aplicação do acordo, que ainda depende de ratificação definitiva pelo Parlamento Europeu.

O sistema de cotas atinge diretamente produtos centrais da pauta agropecuária brasileira, como carnes, açúcar, etanol, arroz, milho e derivados, mel, ovos e bebidas como cachaça e rum. São cadeias que passam a disputar um volume limitado com tarifa reduzida ou zerada. Dentro da cota, o produto entra com vantagem competitiva; fora dela, continua sendo exportado, mas com imposto cheio, o que reduz margem.

Esse desenho tem efeito direto na formação de preço ao produtor. Cadeias que conseguirem acessar as cotas tendem a capturar melhor valor no mercado europeu, enquanto operações fora desse limite ficam mais expostas à concorrência internacional. Como a distribuição seguirá, em regra, a ordem de solicitação, empresas com maior organização comercial, tradings, cooperativas e agroindústrias, terão vantagem na captura desse espaço.

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Outro ponto central é a exigência do Certificado de Origem, documento que comprova que o produto atende às regras do acordo. Na prática, isso eleva o nível de exigência dentro da porteira. Rastreabilidade, regularidade de entrega e padronização passam a ser condição para acessar os mercados com melhor remuneração.

Além de definir o uso das cotas, o governo atualizou as regras de certificação de origem. Entre os avanços estão a criação de um modelo específico de Certificado de Origem para o acordo com a União Europeia, a ampliação do uso do certificado eletrônico para mercados como o europeu e a Índia, a autorização de assinatura digital e regras mais claras para autocertificação. Também foi regulamentada a transferência de cotas entre empresas do mesmo grupo econômico, o que tende a dar mais flexibilidade às operações.

Embora as cotas representem uma parcela pequena do comércio, cerca de 4% das exportações, elas se concentram justamente em produtos de maior valor agregado. Isso aumenta a disputa dentro do próprio Mercosul e tende a diferenciar produtores integrados a cadeias exportadoras daqueles que operam fora desses arranjos.

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Para o produtor rural, o efeito é claro: o acesso ao mercado europeu passa a depender menos do volume produzido e mais da capacidade de atender exigências técnicas e comerciais. Quem estiver inserido em cadeias organizadas e conseguir cumprir esses critérios tende a capturar melhores preços. Quem não estiver, continuará exposto ao mercado tradicional, com menor poder de barganha.

Fonte: Pensar Agro

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