AGRONEGÓCIO
Além da UE, mais um país fecha a porta para a carne brasileira e China anuncia tarifa de 55%
AGRONEGÓCIO
A carne bovina brasileira entra no segundo semestre pressionada por todos os lados. A Noruega anunciou nesta segunda-feira (10.08) que vai acompanhar a União Europeia (UE) e suspender as importações a partir de 3 de setembro, enquanto a China, principal compradora do Brasil, limita os embarques por meio de uma cota e cobra sobretaxa de 55% sobre o volume excedente. As barreiras podem reduzir os abates e pressionar o preço pago ao pecuarista.
A Noruega comprou apenas 279 toneladas de carne bovina brasileira em 2025, com receita de R$ 19,4 milhões. O impacto direto é pequeno, mas a decisão reforça o risco de outros países seguirem o padrão europeu. No ano passado, o Brasil exportou aproximadamente 128 mil toneladas de carne bovina à União Europeia, com faturamento próximo de R$ 5,1 bilhões.
O bloqueio europeu não decorre da descoberta de carne contaminada. O Brasil ficou fora da lista de fornecedores que comprovaram cumprir as novas regras sobre antimicrobianos. O bloco proíbe o uso de determinadas substâncias para acelerar o crescimento dos animais e restringe medicamentos considerados essenciais para tratar infecções em seres humanos.
Para continuar exportando, o País precisa comprovar o histórico do bovino desde o nascimento até o abate, incluindo as propriedades pelas quais passou, os medicamentos utilizados e a alimentação recebida. A dificuldade é que um animal pode permanecer dois anos ou mais no sistema produtivo e passar por diferentes fazendas durante a cria, a recria e a engorda.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) orientou frigoríficos a implantar controles auditáveis e identificar os fornecedores. As medidas, no entanto, ainda precisam ser aceitas pelas autoridades europeias. Sem um acordo até 3 de setembro, a carne brasileira perderá um mercado que compra pouco em volume, mas paga mais por cortes de maior valor.
No primeiro semestre, a União Europeia comprou 51,2 mil toneladas por R$ 2,31 bilhões. O preço médio ficou próximo de R$ 45 mil por tonelada, ante R$ 29,5 mil na média de todos os destinos. Por isso, transferir os embarques para outros mercados não garante a recuperação do faturamento.
Na China, o problema é maior em volume. Desde janeiro, o Brasil pode vender até 1,106 milhão de toneladas dentro da cota sujeita à tarifa regular de 12%. Acima desse limite, incide uma sobretaxa de 55 pontos porcentuais, levando a cobrança total a 67%.
Em 2025, os chineses compraram aproximadamente 1,7 milhão de toneladas de carne bovina brasileira. No primeiro semestre deste ano, já haviam adquirido 794,7 mil toneladas, equivalentes a 72% da cota anual, com faturamento de R$ 24,84 bilhões. A diferença entre a cota atual e o volume vendido no ano passado deixa cerca de 600 mil toneladas em busca de outros compradores.
Os Estados Unidos aparecem como alternativa e compraram 205 mil toneladas no primeiro semestre, movimentando R$ 6,89 bilhões. A carne brasileira ficou fora do novo tarifaço de 25%, mas continua submetida a uma cota própria. Fora desse limite, paga tarifa de 26,4%, o que reduz sua capacidade de absorver a produção deslocada da China e da Europa.
O risco comercial surge depois de um semestre recorde. O Brasil exportou 1,705 milhão de toneladas e faturou R$ 50,24 bilhões entre janeiro e junho. Maior exportador mundial, o País deve produzir cerca de 12,45 milhões de toneladas em 2026 e responder por quase 30% das vendas globais.
Se Europa e China diminuírem simultaneamente as compras, frigoríficos poderão reduzir escalas e oferecer menos pela arroba. A abertura de mercados como Japão e Coreia do Sul pode ajudar, mas exige negociações sanitárias que normalmente levam tempo.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), o governo precisa reunir os órgãos públicos e o setor produtivo em uma força-tarefa. “O Brasil precisa apresentar rapidamente as garantias exigidas pela União Europeia, negociar uma cota maior com a China e preservar o espaço conquistado nos Estados Unidos. Não podemos esperar as barreiras atingirem a fazenda para começar a agir”.
Na frente europeia, a prioridade é implantar os controles necessários, receber as auditorias e buscar a reinclusão do País na lista de fornecedores antes de 3 de setembro. Na China, o governo deve tentar ampliar a cota ou aproveitar volumes não utilizados por outros países. Nos Estados Unidos, a negociação deve buscar mais espaço dentro da cota e a redução da tarifa cobrada sobre os embarques excedentes.
“Não basta afirmar que a carne brasileira é segura. Essa qualidade precisa ser comprovada por documentos, registros e sistemas aceitos pelos compradores. O governo deve integrar as informações das propriedades, orientar produtores e frigoríficos e estabelecer um protocolo claro para os animais destinados à exportação. O custo dessa adequação não pode ser transferido ao pecuarista”, afirma Rezende.
Outra frente necessária é a abertura de mercados de maior valor, como Japão e Coreia do Sul, além da ampliação das vendas para México, Indonésia, Filipinas e países do Oriente Médio. A diversificação, porém, depende de negociações sanitárias e da construção de relações comerciais, processos que normalmente levam tempo.
“O Brasil tem escala e capacidade para abastecer o mundo, mas ainda depende excessivamente de poucos compradores. Se Europa e China reduzirem as compras ao mesmo tempo, os frigoríficos poderão diminuir os abates e pressionar o preço da arroba. Se o governo não agir agora, a conta das barreiras externas acabará sendo paga pelo produtor rural”, conclui.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Fersul conecta agricultura familiar a novos mercados e tecnologia
Começa nesta quarta-feira (12.08), em Rio do Sul (190 km da capital, Florianópolis), em Santa Catarina, a 15ª Feira Multissetorial do Alto Vale do Itajaí (Fersul). Embora reúna diferentes setores da economia, a edição deste ano terá pela primeira vez uma área exclusiva para o agronegócio, com 42 expositores da região.
O espaço terá 300 metros quadrados e funcionará como uma vitrine para produtos da agricultura familiar. Entre os participantes estão 32 agroindústrias que trabalham com alimentos processados e produtos de maior valor agregado, além de produtores de plantas ornamentais e empreendimentos de turismo rural.
A proposta é aproximar os produtores diretamente dos consumidores, comerciantes, distribuidores e possíveis parceiros. Para as pequenas agroindústrias, a participação pode abrir canais de venda fora dos municípios de origem e aumentar a visibilidade de marcas ainda pouco conhecidas no mercado regional.
Antes da feira, os produtores passaram por um ciclo de preparação promovido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Os treinamentos abordaram atendimento ao público, técnicas de venda e apresentação dos produtos e das marcas.
A capacitação busca resolver uma dificuldade comum entre pequenos empreendimentos rurais. Mesmo quando possuem alimentos de qualidade e produção regular, muitas agroindústrias encontram obstáculos para definir preços, apresentar seus diferenciais e alcançar compradores além da venda direta na propriedade.
O turismo rural também terá espaço na feira. Os empreendimentos participantes apresentarão experiências ligadas à produção agrícola, à gastronomia e ao modo de vida das comunidades do Alto Vale do Itajaí. A atividade permite que as famílias rurais complementem a renda com hospedagem, alimentação, visitas às propriedades e comercialização de produtos locais.
A estrutura dedicada ao agro conta com a participação da Cresol, da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), da Cooperfavi e do Sebrae.
Além da área rural, a Fersul terá ambientes voltados à inovação, à tecnologia e ao empreendedorismo feminino. Parte das soluções apresentadas nesses espaços poderá ser aproveitada pelas agroindústrias em atividades como gestão, vendas digitais, divulgação das marcas e organização dos processos produtivos.
Realizada pela Associação Empresarial de Rio do Sul (Acirs), a Fersul chega à 15ª edição como a principal feira de negócios do Alto Vale. A programação segue até sexta-feira (14.08), com exposição multissetorial, palestras, atividades técnicas e um congresso empresarial.
Serviço
Evento: 15ª Feira Multissetorial do Alto Vale do Itajaí
Data: 12 a 14 de agosto de 2026
Abertura: quarta-feira, às 16 horas
Local: Centro de Eventos Hermann Purnhagen
Fonte: Pensar Agro
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