AGRONEGÓCIO
Agro mira novo recorde de exportações, mas clima e mercados desafiam a renda do produtor
AGRONEGÓCIO
O agronegócio brasileiro chega ao último trimestre de 2026 com exportações equivalentes a R$ 667 bilhões e espaço para superar o recorde do ano passado. As vendas de janeiro a setembro cresceram 5,5%, segundo balanço divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).
A reta final, porém, dependerá das compras dos principais mercados e das condições de embarque, enquanto o produtor começa a preparar 2027 com atenção ao clima, aos custos e ao preço que receberá pela produção.
Para ultrapassar o resultado de 2025, o setor precisa vender ao exterior cerca de R$ 178 bilhões entre outubro e dezembro. Isso corresponde a uma média próxima de R$ 59 bilhões por mês, abaixo dos R$ 74 bilhões mensais alcançados até setembro. O cálculo, feito com os balanços dos dois anos convertidos pela mesma cotação, mostra que ainda há margem para um novo recorde mesmo com uma desaceleração das vendas.
Na carne bovina, um dos pontos de atenção é o acesso à China. As vendas acima da cota definida pelo país enfrentam tarifa adicional de 55%, o que dificulta novos negócios. Em relatório divulgado em 9 de outubro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê que os embarques brasileiros aumentem em novembro e dezembro, com exportadores preparando cargas para entrada na cota de 2027. Trata-se de uma expectativa, sujeita à execução dos negócios.
Para o próximo ano, o mesmo relatório projeta queda de aproximadamente 1% no volume das exportações brasileiras de carne bovina. Além das cotas chinesas, o setor enfrenta restrições no mercado europeu. Na produção, o USDA espera redução próxima de 2%, com mais fêmeas mantidas para reprodução e menor oferta de animais para abate. O cenário aumenta a importância de buscar outros compradores e preservar o valor recebido pela carne.
Nos grãos, a perspectiva é de crescimento. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta 366,6 milhões de toneladas para a safra 2026/27, alta de 1,4% sobre a temporada anterior. Para a soja, a previsão é de 181,64 milhões de toneladas. No milho, o consumo das fábricas de ração e da indústria de etanol deve ajudar a sustentar a demanda. São projeções que dependem das condições das lavouras ao longo do ciclo.
O clima será decisivo para confirmar essa oferta. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) aponta risco de excesso de chuva no Sul e de estiagem em regiões do Norte e Nordeste com o El Niño. Para quem está plantando ou preparando a próxima safra, o efeito aparece no calendário dos trabalhos, na produtividade e nos gastos para conduzir a lavoura.
O financiamento também entra nessa conta. De julho a setembro, a agricultura empresarial contratou R$ 107,1 bilhões, incluindo recursos levantados por Cédulas de Produto Rural (CPRs), segundo o Mapa. Esses títulos responderam por 46,9% do total. Para o produtor, o resultado da safra dependerá de quanto custa financiar a atividade e de como os vencimentos das dívidas se ajustam à entrada do dinheiro das vendas.
Acompanhar o mercado, portanto, exige olhar além do total exportado pelo país. Uma safra maior amplia a quantidade disponível para venda, mas a renda na fazenda será definida pela combinação de produtividade, preços, câmbio, custo dos insumos e transporte.
Na opinião de Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o crescimento das exportações mostra que o Brasil tem produção e espaço no mercado internacional.
“Há condições de fechar 2026 com mais um resultado forte. Para o produtor, o objetivo é transformar essa oportunidade em renda, com produtividade, qualidade e cuidado com os custos”, alerta.
“Para 2027, cada propriedade precisa saber quanto vai gastar, quanto precisa produzir para pagar a safra e em que momento terá dinheiro para cumprir seus compromissos. Fertilizantes, sementes, frete e juros entram nessa conta. Planejar a compra dos insumos e a venda da produção ajuda a evitar decisões tomadas sob pressão”, recomenda.
“Precisamos ampliar os mercados para que uma dificuldade em um grande comprador não comprometa toda a cadeia. Dentro da fazenda, acompanhar o clima, buscar orientação técnica e avaliar a proteção da produção serão cuidados importantes. O Brasil tem condições de crescer, e esse crescimento precisa chegar ao caixa de quem produz”, concluir Rezende.
Fonte: Pensar Agro
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Auditoria da União Europeia reconhece avanços do Brasil e abre caminho para retomada das exportações de pescado
O Brasil deu mais um passo importante no processo de retomada das exportações de pescado para a União Europeia. O relatório preliminar da auditoria realizada por autoridades europeias reconheceu avanços na estrutura brasileira de controle e apontou condições favoráveis para o prosseguimento das discussões sobre a reabertura do mercado europeu ao pescado nacional. Esse é o resultado da auditoria que aconteceu em junho, deste ano.
A missão foi resultado das articulações conduzidas pelo Governo Federal para restabelecer o acesso do pescado brasileiro ao mercado europeu. Durante a visita ao país, a comitiva conheceu de perto o funcionamento do sistema de controle oficial, incluindo instalações e etapas da cadeia produtiva no Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraná e Santa Catarina. O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) participou da agenda ao lado do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), dentro das competências de cada Pasta.
A retomada desse diálogo internacional integra a estratégia do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de reconstruir mercados, ampliar oportunidades para o setor produtivo brasileiro e fortalecer a presença do pescado nacional no comércio internacional.
O relatório reconhece que o Brasil dispõe de base legal adequada, autoridades com atribuições claramente definidas, equipes técnicas capacitadas e procedimentos formalmente estabelecidos para a realização dos controles oficiais, certificação sanitária e habilitação dos estabelecimentos exportadores. A auditoria também considerou a estrutura laboratorial brasileira apta a apoiar as atividades de controle oficial.
No âmbito das competências do MPA, o resultado foi especialmente positivo. Nenhuma das recomendações formuladas pela missão europeia foi direcionada ao Ministério da Pesca e Aquicultura.
Um dos pontos destacados pela avaliação foi justamente o sistema brasileiro de controle das embarcações que integram a cadeia destinada à exportação. De acordo com o relatório, o modelo de controle das embarcações de pesca da produção primária foi adequadamente estruturado e implementado. Os procedimentos conduzidos pelo MPA foram considerados operacionais, aplicados de forma satisfatória e adequados aos objetivos estabelecidos.
As embarcações visitadas durante a missão também apresentaram, de maneira geral, conformidade com os requisitos avaliados. A conclusão dos auditores foi de que o sistema de controle da produção primária está implementado de forma satisfatória e conforme o planejamento brasileiro.
Esse ponto é importante porque cabe ao MPA o controle oficial de conformidade da primeira etapa da cadeia produtiva, que inclui as embarcações pesqueiras responsáveis pelo fornecimento de matéria-prima para a indústria que pretende exportar pescado para a União Europeia e para o Reino Unido.
Evolução dos controles brasileiros – O resultado da missão europeia também demonstra a evolução do sistema brasileiro nos últimos anos. Em setembro de 2024, o Brasil recebeu uma missão técnica do Reino Unido, que realizou auditoria no sistema sanitário nacional como parte do processo de avaliação para abertura daquele mercado ao pescado brasileiro. A visita integrou o trabalho conjunto desenvolvido pelo MPA, Mapa e demais órgãos federais para recuperar mercados internacionais e adequar os controles brasileiros às exigências sanitárias dos países importadores.
Desde então, o Brasil avançou na consolidação de normas, procedimentos de fiscalização, certificação de embarcações e mecanismos de rastreabilidade da produção pesqueira. Entre as medidas adotadas está o aperfeiçoamento das regras para o controle higiênico-sanitário das embarcações que fornecem matéria-prima destinada aos mercados europeu e britânico.
Para o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, a avaliação mais recente demonstra o amadurecimento do sistema brasileiro. “Quando recebemos a missão do Reino Unido, tivemos uma série de apontamentos que nos ajudaram a aperfeiçoar nossos processos. Agora, na auditoria da União Europeia, o MPA não recebeu nenhuma recomendação. Isso mostra uma evolução muito concreta, tanto do ponto de vista normativo quanto do amadurecimento dos nossos processos e da capacidade técnica das nossas equipes”, reforçou.
Próximos passos
O relatório recebido é preliminar e integra as etapas técnicas do processo de avaliação europeu. A análise aponta condições favoráveis para o avanço das tratativas destinadas à retomada das exportações brasileiras de pescado para o bloco.
O Governo Federal seguirá trabalhando de forma integrada nas próximas etapas do processo, com o objetivo de consolidar os avanços alcançados e restabelecer o acesso do pescado brasileiro a um dos mercados mais importantes do mundo.
ASCOM
Ministério da Pesca e Aquicultura
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