AGRONEGÓCIO
Entidade defende papel do agro no abastecimento do Brasil e do mundo
AGRONEGÓCIO
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defendeu nesta terça-feira (13.10), em sessão no Senado Federal, o papel do agronegócio no abastecimento do mercado brasileiro e no fornecimento de alimentos a outros países. Na homenagem ao Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, a entidade também ressaltou que combater a fome exige emprego, renda e condições para que a população consiga comprar comida.
A posição foi apresentada após uma safra recorde. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou a produção de grãos de 2025/26 em 361,7 milhões de toneladas, crescimento de 2,6% sobre o ciclo anterior. O resultado aumenta a disponibilidade de matérias-primas para o consumo interno, a indústria e as exportações.
O feijão ajuda a dimensionar a contribuição para o mercado doméstico. Mesmo com queda de 3,6% na colheita, a produção estimada em 2,95 milhões de toneladas supera o consumo interno projetado pela Conab, de 2,7 milhões. Essa comparação não dispensa o acompanhamento dos estoques e das vendas externas, mas mostra que o volume colhido é suficiente para atender à demanda prevista no país.
No comércio internacional, as exportações do agronegócio alcançaram o equivalente a cerca de R$ 848 bilhões em 2025, recorde com crescimento de 3% no valor originalmente apurado em moeda americana, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A conta inclui alimentos, fibras e produtos florestais. Por isso, não deve ser apresentada como faturamento exclusivamente da venda de comida.
A China foi o principal comprador, com 32,7% das exportações do setor, seguida pela União Europeia, com 14,9%, e pelos Estados Unidos, com 6,7%. Os três destinos concentraram mais da metade das vendas externas. A dimensão desses negócios reforça a importância do agro como fornecedor, mas também a necessidade de manter alternativas de compradores.
Para o abastecimento brasileiro, o total da safra precisa ser acompanhado por cultura. Soja e milho cresceram, enquanto arroz, feijão e trigo tiveram recuo. No arroz, a Conab estimou 11,08 milhões de toneladas, queda de 13,2%, com redução de 14% na área plantada. Segundo a companhia, preços menos remuneradores estimularam a migração para outras lavouras.
O caso mostra uma questão central para o produtor: a oferta depende de condições para continuar plantando. Alimentos mais baratos beneficiam o consumidor, mas preços que não cobrem os custos podem levar à redução da área no ciclo seguinte. Crédito, produtividade e comercialização interferem nessa decisão e na quantidade que chegará ao mercado.
A CNA também chamou atenção para a outra ponta do abastecimento: o acesso das famílias. Produzir mais é parte da resposta, mas não resolve sozinho a falta de dinheiro para comprar alimentos. Em setembro, os preços da alimentação no domicílio subiram 0,96%, após três meses de queda, conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pesquisa de segurança alimentar do IBGE referente a 2024 registrou 18,9 milhões de domicílios com algum grau de dificuldade de acesso à alimentação, ou 24,2% do total. Houve melhora em relação a 2023, com 2,2 milhões de lares a menos nessa condição. Ainda assim, 2,5 milhões estavam no grau mais grave, quando a falta de comida se torna uma experiência vivida dentro de casa.
Ciência, tecnologia e transporte também integraram a discussão no Senado. Para a produção chegar ao consumidor, o ganho obtido na lavoura precisa ser acompanhado por armazenagem, conservação e condições de escoamento. No caso de frutas e hortaliças, falhas nesse caminho podem resultar em perdas antes da venda.
A defesa apresentada pela CNA combina, assim, duas necessidades do abastecimento: manter uma produção capaz de atender ao Brasil e ao exterior e ampliar o acesso aos alimentos. Para quem vive da atividade rural, isso passa por rendimento na lavoura, custos sob controle e preços que sustentem o próximo plantio.
A homenagem reuniu representantes do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, da Secretaria Nacional de Segurança Hídrica, da Embrapa, da Codevasf, da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem e da Rede Nacional de Agricultura Irrigada.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Pesca do tambaqui segue permitida pelo Governo Federal
O Governo Federal esclarece que a pesca do tambaqui continua permitida, seguindo as normas de ordenamento. Não há, no âmbito do Governo Federal, nenhuma discussão sobre proibir a atividade.
O tambaqui foi categorizado como vulnerável na Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção, publicada neste ano pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A classificação orienta medidas para recuperar as populações da espécie na natureza. Uma delas é o Plano Nacional de Recuperação do Tambaqui, em elaboração com especialistas, organizações da sociedade civil e setor pesqueiro.
O plano busca fortalecer a conservação dos estoques naturais. Para isso, prevê aperfeiçoar a gestão, o monitoramento e o ordenamento da pesca. O objetivo é conciliar a recuperação da espécie com a manutenção de uma atividade fundamental para a alimentação, a renda e o modo de vida das comunidades amazônicas.
Os pescadores e pescadoras artesanais terão papel central nesse processo. Seus conhecimentos tradicionais, suas experiências de manejo e sua participação nas decisões são essenciais para garantir uma pesca sustentável e a conservação da espécie para as futuras gerações.
Por isso, o Governo Federal dialoga com grupos, organizações e coletivos locais para incorporar as contribuições deles ao plano. A proposta do Plano de Recuperação será apresentada na próxima reunião do Comitê Permanente de Gestão da Pesca e do Uso Sustentável dos Recursos Pesqueiros das Bacias do Norte (CPG Bacias do Norte), prevista para ocorrer em 22 e 23 de outubro de 2026.
A pesca do tambaqui segue as normas de ordenamento, incluindo o defeso, que vai de outubro a fevereiro. Vale ressaltar que não há restrições ao tambaqui produzido em aquicultura licenciada pelo órgão ambiental competente.
A orientação do Governo Federal é fortalecer a gestão participativa. A conservação do tambaqui e a continuidade da pesca artesanal devem caminhar juntas.
ASCOM
Ministério da Pesca e Aquicultura
[email protected]
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