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O JOVEM DA GERAÇÃO ATUAL E A ATENÇÃO DELE AO MUNDO AO SEU REDOR

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O JOVEM DA GERAÇÃO ATUAL E A ATENÇÃO DELE AO MUNDO AO SEU REDOR

O uso constante de telas e fones de ouvido não faz de um jovem uma pessoa ruim, mas pode reduzir a atenção dedicada ao ambiente e às pessoas com quem convive.

É pelos sentidos que percebemos o que acontece ao nosso redor. A visão e a audição têm papel importante nessa relação: acompanhamos situações, escutamos explicações, percebemos expressões e participamos de conversas. Essas experiências nos dão condições para aprender, formar opiniões e orientar nossos comportamentos e ações. A atenção concentrada na tela e o uso de fones de ouvido podem limitar a percepção do ambiente, fazendo com que parte dessas experiências deixe de ser acompanhada.

Ao interromper o uso do aparelho e voltar a atenção para uma conversa, o jovem pode ter dificuldade para entender o que está sendo dito, por não ter acompanhado o início da explicação, ter perdido informações ou ter ouvido apenas trechos isolados. Sem acompanhar a sequência, fica mais difícil compreender o conjunto.

Essa falta de atenção também merece ser discutida quando pensamos em valor e respeito. Como reconhecer o esforço, o cuidado e o conhecimento de alguém sem prestar atenção ao que essa pessoa faz ou diz? A observação e a escuta criam oportunidades para esse reconhecimento e para a admiração.

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O respeito, porém, não pode depender apenas da admiração. Também precisamos respeitar quem pensa de maneira diferente e com quem não nos identificamos. Na convivência, esse respeito se expressa em atitudes concretas, como escutar, considerar o outro e reconhecer que ele também merece atenção.

As telas fazem parte do mundo e podem servir ao estudo, ao trabalho e às relações pessoais. A preocupação está no espaço que ocupam quando seu uso compromete a participação em outras experiências. Da mesma forma, ter respostas à disposição não elimina a necessidade de raciocinar: é preciso compreender como foram construídas, avaliar sua coerência e saber utilizá-las.

Não é sensato concluir que uma geração inteira se desligou do mundo. É oportuno, porém, perguntar: o que está sendo feito para ajudar os jovens a conciliar o uso da tecnologia com a atenção necessária para observar, escutar, compreender e participar da vida ao seu redor?

É preciso também perguntar aos adultos: que orientações, que oportunidades de convivência e que exemplos têm sido dados?

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Prof. Sidney Farina
Professor de Física há 53 anos.
Fundador, Professor e Diretor da Escola do Farina há 27anos.

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Educação como caminho para construir uma nova vida

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Para chegar às aulas no Campus Laranjal do Jari, do Instituto Federal do Amapá (Ifap), Rosa Alves saía de casa às 6h30 da manhã. Moradora de Monte Dourado (PA), precisava atravessar o rio em pequenas embarcações, conhecidas como catraias, e seguir a pé até o local onde estudava. A rotina exigia disposição, mas a formação no Ifap representava uma oportunidade de construir a autonomia que buscava para si e para os filhos. 

Anos antes, ela havia vivido uma situação que marcou seus planos para o futuro. No meio da noite, depois de ser expulsa da casa onde morava de favor, ficou sem ter para onde ir e se abrigou no banco de uma praça, com o filho nos braços. Ao recordar esse momento, ela lembra da decisão de buscar condições mais dignas para cuidar da própria família. “Eu ia ter meu emprego, eu ia ter a minha casa, eu ia ter o meu carro, eu ia cuidar dos meus filhos”, contou. 

 Assista ao vídeo:

Criada pela mãe ao lado de três irmãos, Rosa construiu uma trajetória em que os estudos e o trabalho abriram novas possibilidades. Em 2008, foi aprovada em um concurso da prefeitura de Laranjal do Jari (AP) e começou a trabalhar no ano seguinte. A chegada do instituto federal trouxe outra perspectiva: a oportunidade de fazer um curso técnico. “Eu me animei e falei: ‘acho que aqui é o meu ponto de partida’”, recorda. Ela se inscreveu, passou e iniciou a formação. 

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Além do deslocamento diário entre a cidade em que morava e a que trabalhava, Rosa acompanhou os desafios do início das atividades no instituto federal. As aulas aconteciam em uma sala alugada, enquanto professores e estudantes construíam juntos a rotina de ensino.  

A conclusão do curso técnico em secretariado executivo do Ifap marcou uma nova etapa. Rosa também havia sido aprovada em um concurso público do instituto e recebeu uma notícia especial no dia da formatura: seria nomeada para trabalhar na instituição em que estudava. “Exatamente no dia da formatura, o reitor informou que eu seria nomeada. Foi uma alegria imensa”, lembrou. 

A formação técnica e o ingresso como servidora se somaram a outro projeto que ela já vinha preparando. Rosa pediu licença do trabalho na prefeitura, foi a Macapá (AP) e prestou vestibular para administração. Ao tomar posse no instituto, começou também a realizar o desejo de cursar a graduação, com o apoio do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). 

O sonho de estudar administração – Rosa guarda na memória a emoção de entrar na sala de aula da faculdade. Sentada ao fundo, ela conta que chorou ao perceber que havia chegado a uma etapa pela qual tanto esperava. “Eu lembro que chorei porque eu estava realizando o meu maior sonho. O maior sonho da minha vida era fazer administração”, contou. 

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O acesso aos estudos passou a fazer parte também da trajetória de seu filho. Ele concluiu um curso técnico na área de redes, prestou concurso público junto com a mãe e se tornou seu colega de trabalho no Campus Macapá do Ifap. 

Para Rosa, acompanhar essa conquista é uma das realizações proporcionadas pela educação. Sua história reúne o esforço para continuar estudando, a entrada no serviço público e a possibilidade de ver o filho construir o próprio caminho. “Sempre penso que a educação é o nosso passaporte do amanhã”, afirmou. 

As mudanças também proporcionaram experiências novas para a família. Rosa conta com carinho sobre a primeira viagem que conseguiu fazer com os três filhos. Foram cerca de dez dias juntos, uma experiência que até então não haviam tido. 

Ao olhar para o percurso, Rosa reconhece nos estudos uma contribuição para as condições de vida que construiu. Da travessia do rio para frequentar as aulas até a chegada à graduação, a educação esteve presente nas oportunidades que permitiram seguir seus planos e compartilhar novas experiências com os filhos. “A educação me proporcionou tudo o que eu tenho hoje”, pontuou. 

Assessoria de Comunicação Social do MEC 

Fonte: Ministério da Educação

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