POLITÍCA NACIONAL
Crise climática mobiliza Congresso na preparação da COP30
POLITÍCA NACIONAL
As subcomissões da Câmara dos Deputados e do Senado que acompanham os preparativos para a COP30 realizaram, nesta terça-feira (14), audiência conjunta para discutir os seis eixos temáticos da conferência e reforçar o papel do Parlamento.
A reunião ocorreu durante a Pré-COP, que reúne em Brasília representantes de mais de 60 países para buscar consensos que devem ser assinados pelos chefes de Estado na cúpula de Belém (PA), em novembro.
A senadora Leila Barros (PDT-DF), presidente da subcomissão no Senado, destacou o aumento do engajamento parlamentar na busca por soluções para a crise climática.
“As duas subcomissões — da Câmara, presidida pela deputada Duda Salabert (PDT-MG), e do Senado — vêm ampliando a participação dos parlamentares nesse debate”, afirmou Leila. “Temos uma grande missão, até porque as mudanças climáticas já afetam vidas em todo o mundo.”
Leila ressaltou que cabe ao Parlamento garantir legitimidade democrática e base legislativa às decisões da COP30, alinhadas ao Acordo de Paris. Ela lembrou os seis eixos temáticos propostos pelo Brasil:
- transição energética justa;
- florestas e biodiversidade;
- adaptação e resiliência;
- financiamento climático;
- cidades sustentáveis e inclusivas; e
- participação social.

Nordeste
O deputado Fernando Mineiro (PT-RN) destacou a participação de parlamentares nordestinos em temas como o combate à desertificação na Caatinga e no semiárido.
“As políticas de enfrentamento da crise climática também passam pelo Parlamento. Esta COP aproxima esse debate de nós”, disse.
Sociedade civil
A deputada Dandara (PT-MG), presidente da Comissão de Amazônia e Povos Originários da Câmara, elogiou o protagonismo da sociedade civil nas audiências realizadas sobre a COP30.
Ela citou a importância de conectar o Cerrado às demais savanas globais, de valorizar a agricultura familiar e de mobilizar jovens em torno dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
“Participei hoje da Pré-COP das Juventudes, que reuniu representantes de todos os biomas. As juventudes apresentaram propostas de financiamento e metas. É um espaço de protagonismo de mulheres, negros, indígenas e quilombolas”, relatou.
Desafios e avanços
O deputado Túlio Gadêlha (Rede-PE) alertou para os desafios da pauta ambiental no Congresso. Ele criticou a possibilidade de derrubada dos vetos presidenciais à Lei do Licenciamento Ambiental (Lei 15.190/25).
“Repudio o chamado ‘PL da devastação’. A COP se aproxima, e o Congresso não deve votar esse projeto”, afirmou.
Entre os avanços, os parlamentares citaram a Lei 15.042/24, que criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa, conhecido como mercado de carbono, que deve ter papel central na transição energética do Brasil.
Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Geórgia Moraes
Fonte: Câmara dos Deputados
POLITÍCA NACIONAL
Comissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados
A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 66/2026, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que proíbe a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis indispensáveis à preservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos pelo poder público.
A vedação vale sempre que o ato puder:
- comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural;
- alterar o uso do espaço de forma incompatível com sua função cultural; e
- descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.
A regra vale para execuções fiscais, trabalhistas, cíveis ou administrativas, contra entes públicos ou privados. O projeto busca proteger o chamado “espaço cultural essencial”, o imóvel público ou privado com função indispensável para a manutenção desses bens tombados.
Se já houver processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão sobre um desses bens, o juiz ou a autoridade competente é obrigado a suspender a ação de forma imediata.
A medida pode ser determinada de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de entidade representativa da comunidade envolvida.
A suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto determina que sejam priorizadas soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que afaste a suspensão deverá ser expressamente fundamentada, sob pena de nulidade.
Exceções
O projeto admite exceções à proibição, porém somente se forem cumpridos cumulativamente os seguintes requisitos:
- parecer técnico favorável do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de órgão cultural competente;
- estudo de impacto cultural, social e econômico, com participação da comunidade;
- autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, conforme o nível de reconhecimento do bem.
O estudo de impacto cultural deverá avaliar a historicidade da prática, os vínculos sociais e identitários com o espaço, a possibilidade real de continuidade em outro local e os impactos sobre trabalho e renda. A ausência de qualquer requisito torna o ato nulo.
Alternativas à expropriação
O poder público deverá priorizar saídas que preservem o espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade e a celebração de convênios ou parcerias voltadas à sustentabilidade do bem protegido.
Lindbergh Farias citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro — sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por lei federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, como exemplo do problema que o projeto busca resolver.

Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. “A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais”, disse.
Sâmia Bomfim afirmou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, buscando o diálogo e o consenso.
Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra
Fonte: Câmara dos Deputados
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