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AGRONEGÓCIO

Soja e credibilidade: como a sustentabilidade virou moeda de confiança internacional

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AGRONEGÓCIO

O imbróglio judicial em torno da moratória da soja (relembre aqui) colocou em evidência um ponto sensível para o agronegócio brasileiro: a reputação internacional. Mais do que cláusula contratual, a moratória se transformou em um selo de credibilidade que abre portas nos mercados mais exigentes do mundo.

Não por acaso, União Europeia, Reino Unido e Estados Unidos reforçaram recentemente suas legislações contra produtos associados ao desmatamento. Para o Brasil, maior exportador global de soja, qualquer fragilidade no monitoramento pode se converter em barreira comercial imediata. Especialistas lembram que sustentabilidade e eficiência produtiva já não são diferenciais: são requisitos mínimos para manter o país competitivo.

No campo, empresas vêm adotando soluções para dar previsibilidade e segurança ao mercado. Sistemas modernos de irrigação de precisão reduzem o consumo de água e energia, aumentam a produtividade e permitem manter a produção sem ampliar a área cultivada — um ponto chave para proteger biomas sensíveis e atender às exigências ambientais internacionais.

Equipamentos integrados a plataformas digitais já fornecem relatórios auditáveis de uso da água e de manejo do solo. Essa rastreabilidade cumpre papel estratégico: oferece transparência para compradores estrangeiros e ajuda a blindar o setor contra acusações de irregularidade ambiental.

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O impacto é direto na balança comercial. Em 2024, a soja respondeu por cerca de um terço do valor da produção agrícola brasileira. Com margens cada vez mais apertadas e o “tarifaço” americano ainda pressionando, perder espaço em mercados de alto valor agregado seria retrocesso difícil de recuperar.

Por isso, o debate atual vai além da moratória. Trata-se de consolidar práticas que reforcem a confiança internacional: rastreamento de origem, auditorias independentes, manejo sustentável da água e adoção de tecnologias que combinem produtividade com conservação ambiental.

Na prática, o recado que o setor envia é simples: o agro brasileiro precisa provar, safra após safra, que consegue produzir mais com menos. E esse esforço já não é apenas para atender ambientalistas, é a condição básica para manter mercados bilionários abertos e preservar a imagem do país como fornecedor confiável.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Alta de insumos, frete e diesel com guerra aperta margem e preocupa safra 2026/27

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Isan Rezende

“O produtor rural brasileiro define agora, entre maio e agosto, o custo da safra 2026/27 — cujo plantio começa a partir de setembro no Centro-Oeste — com uma conta mais pesada e fora do seu controle. A ureia subiu mais de US$ 50 por tonelada, o diesel segue pressionado e o frete internacional acumula altas de até 20%. Isso aumenta o custo por hectare e exige mais dinheiro para plantar”. A avaliação é de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), ao analisar os efeitos da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre o agronegócio brasileiro.

Segundo ele, o encarecimento não começou agora, mas se intensificou nas últimas semanas e pesa diretamente nas decisões do produtor. Em lavouras de soja e milho, o aumento dos insumos pode elevar o custo total entre 8% e 15%, dependendo do nível de investimento. “O produtor já vinha apertado. Agora, o custo sobe de novo e o preço de venda continua incerto”, afirma.

O avanço dos custos está ligado à tensão no Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz levou o petróleo a superar US$ 111 o barril, mantendo o diesel em alta. Ao mesmo tempo, fertilizantes nitrogenados, que o Brasil importa em grande volume, ficaram mais caros e instáveis.

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Além do custo, há risco de perda de mercado. “O Irã comprou cerca de 9 milhões de toneladas de milho brasileiro em 2025. Se esse volume diminui, sobra produto aqui dentro e o preço cai”, diz Rezende.

Na logística, o impacto já aparece nos números. O frete marítimo para a Ásia subiu entre 10% e 20%, com aumento do seguro e cobrança de prêmio de risco. Na prática, isso reduz o valor pago ao produtor. “Quando o custo de levar o produto sobe, alguém paga essa conta — e parte dela volta para quem está produzindo”, afirma.

O efeito mais forte deve aparecer nos próximos meses, quando o produtor for comprar fertilizantes e fechar custos da nova safra. Se os preços continuarem elevados, será necessário mais capital para plantar a mesma área.

Para Rezende, há medidas que podem reduzir esse impacto. “O governo pode ampliar o crédito rural com juros menores, reforçar o seguro rural e alongar dívidas em regiões mais pressionadas. Um aumento de alguns bilhões na equalização de juros já ajudaria a reduzir o custo financeiro da safra”, afirma.

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Ele também aponta que o Brasil começa a dar passos para diminuir a dependência externa de insumos, mas ainda de forma insuficiente. “A retomada da produção de nitrogenados com a reativação da unidade de Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Araucária, no Paraná, ajuda, mas ainda não resolve o problema. O país continua dependente do mercado internacional, especialmente do Oriente Médio. Sem ampliar essa capacidade e melhorar a logística, o produtor segue exposto a choques externos”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

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