AGRONEGÓCIO
Fórum em Cuiabá debate alternativas para enfrentar endividamento rural
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Produtores rurais de todo o Estado se reúnem nesta segunda-feira (15.09), em Cuiabá, para discutir um tema que preocupa cada vez mais o campo: o endividamento. O Fórum de Crédito e Endividamento Rural, promovido pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), pretende jogar luz sobre as causas da crise financeira no setor e apontar alternativas para quem luta para manter a atividade em pé.
O encontro ocorre em um cenário delicado. Altos custos de produção, preços mais baixos da soja e do milho e crédito mais restrito têm pressionado as contas do agronegócio. Dados recentes mostram aumento na inadimplência e no volume de renegociações de dívidas rurais. Muitos produtores já dependem de prorrogações para evitar execução de contratos, enquanto outros temem perder acesso ao financiamento no próximo ciclo.
A programação do fórum inclui debates sobre renda e faturamento nos últimos anos, aspectos legais para alongamento de dívidas, métodos consensuais de solução de conflitos e estudo de casos reais de produtores que enfrentaram dificuldades. A ideia é oferecer ferramentas práticas, desde ajustes de gestão até caminhos jurídicos, para aliviar a pressão sobre as propriedades.
Para a Aprosoja, o momento exige união. A entidade lembra que, embora nem todos os produtores estejam endividados hoje, a tendência do atual cenário é de que o problema se espalhe. A proposta do evento é construir coletivamente alternativas para renegociar prazos, melhorar o acesso a crédito e dar fôlego ao campo, sem quebras em larga escala.
O recado é claro: discutir o endividamento não é só resolver a situação de quem já está no vermelho, mas preparar o setor produtivo para enfrentar tempos de margens mais apertadas e crédito caro.
Fonte: Pensar Agro
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Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita
O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.
Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.
O “ladrão silencioso” no pasto
Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.
O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.
A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.
Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.
A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.
Fonte: Pensar Agro
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