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AGRONEGÓCIO

Calor e grande público surpreendem na abertura da Expointer

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A 48ª Expointer abriu neste sábado (30.08) em Esteio (25 km da capital Porto Alegre) com sol forte, termômetros acima dos 30 °C e corredores lotados logo nas primeiras horas. O calor não afastou os visitantes: o movimento inicial surpreendeu organizadores e expositores, que projetam cerca de 800 mil pessoas circulando pelo parque até 7 de setembro.

Mais do que o público, o olhar está voltado para os negócios. A expectativa é de repetir ou superar o recorde de R$ 8,1 bilhões movimentados em 2024, puxados pela venda de máquinas e implementos agrícolas, que sozinhos responderam por mais de 90% do total no ano passado. O segmento da agroindústria familiar, que registrou R$ 10,9 milhões em vendas na edição anterior, também chega fortalecido, com 456 empreendimentos presentes, o maior número já registrado.

A presença de 6,7 mil animais em exposição reforça a dimensão da feira como vitrine da pecuária nacional. Julgamentos, leilões e provas funcionam como palco de negócios que movimentam genética, melhoramento e tecnologia no campo. A classificatória do Freio de Ouro, maior competição da raça crioula, volta a ser um dos pontos altos para o público.

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Na abertura, o governador Eduardo Leite destacou que a Expointer deste ano simboliza também a resiliência do agronegócio gaúcho após as enchentes que atingiram o estado no primeiro semestre. “A feira é a resposta de um setor que não parou e continua sendo motor da nossa economia”, afirmou.

Além das negociações, a agenda cultural terá mais de 50 apresentações de música e dança, com destaque para a estreia da Ópera Gaúcha e o espetáculo O Legado de um Povo. A mistura de tradição, tecnologia e negócios deve reforçar o papel da Expointer como um dos principais encontros do agro na América Latina.

Serviço – Expointer 2025

  • Data: 30 de agosto a 7 de setembro de 2025

  • Local: Esteio (25 km da capital Porto Alegre), Rio Grande do Sul

  • Programação: Exposição de animais, julgamentos, leilões, palestras técnicas, venda de máquinas e produtos da agroindústria familiar, atrações culturais e competição Freio de Ouro

  • Expectativa: R$ 8 bilhões em negócios e 800 mil visitantes

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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