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Câmara Setorial da Enfermagem debate saúde mental e condições de trabalho dos profissionais no estado

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A saúde mental dos profissionais de enfermagem foi o tema central da 2ª reunião ordinária da Câmara Setorial Temática da Enfermagem, realizada nesta quinta-feira (7), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). A iniciativa é conduzida pela presidente da Câmara Setorial, enfermeira Merielly Cristina Nantes, e foi proposta pelo presidente da ALMT, deputado Max Russi (PSB), com o objetivo de promover políticas públicas voltadas à valorização da categoria.

O encontro foi marcado por reflexões profundas sobre a precarização das condições de trabalho e pelo apelo por mais empatia e reconhecimento para aqueles que estão na linha de frente do cuidado com a população. Vereadores de seis municípios estiveram presentes, além de representantes de conselhos, Tribunal de Contas do Estado (TCE) e lideranças da enfermagem de várias regiões do estado.

Logo no início da reunião, uma homenagem (in memoriam) ao técnico de enfermagem Hélcio José dos Santos, de 53 anos, emocionou os participantes. Hélcio foi encontrado morto no banheiro do Hospital Metropolitano de Várzea Grande, no último dia 21 de julho, após ficar desaparecido por mais de 20 horas durante um plantão.

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A filha dele, Danieli Santos, também técnica de enfermagem, fez um comovente depoimento sobre o episódio, que escancarou a falta de atenção e cuidado com os próprios profissionais de saúde. “Meu pai enfrentava depressão e ansiedade. Estava afastado pelo INSS, mas teve a perícia negada. Era um profissional que, como tantos, foi tratado como uma máquina. Não estou aqui para culpar ninguém, mas para questionar: como isso se tornou normal? Onde está o cuidado com quem cuida?”, disse, ao destacar o papel da Câmara Setorial como espaço de escuta e mobilização da categoria.

O conselheiro do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-MT), Thalisson de Oliveira, também participou da reunião e fez um alerta importante. Segundo ele, antes da pandemia, a maioria dos afastamentos da categoria era provocada por doenças físicas, como lesões por esforço repetitivo (LER). Hoje, o cenário é outro: os afastamentos estão, majoritariamente, ligados a transtornos psíquicos, como ansiedade e depressão.

“Discutir saúde mental é também falar de vínculos trabalhistas, valorização salarial e reconhecimento profissional. A ausência de um piso salarial implementado de forma real, como salário base, força os profissionais a manterem múltiplos vínculos, gerando jornadas exaustivas e comprometendo sua saúde mental”, pontuou.

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A fala do conselheiro foi reforçada por relatos de profissionais presentes, que compartilharam experiências de sobrecarga e frustração. Muitos afirmaram que, devido ao excesso de trabalho, não conseguiram sequer acompanhar o crescimento dos filhos. A precariedade das relações de trabalho, a ausência de tempo para o lazer e o baixo poder aquisitivo foram apontados como fatores que agravam o sofrimento psíquico da categoria.

“Demos um passo importante ao entender, com mais clareza, o que está de fato acontecendo com a enfermagem em Mato Grosso. Tivemos a presença expressiva de representantes do interior, o que reforça nosso objetivo: fazer com que as vozes da enfermagem ecoem por todo o estado”, afirmou a presidente da Câmara Setorial.

Merielly Nantes também destacou a importância da articulação com instituições estratégicas, como o Cosems e o TCE, que têm contribuído com o debate e fortalecido o compromisso com a construção de políticas públicas voltadas à categoria. “Saímos da reunião confiantes de que estamos no caminho certo para garantir avanços concretos e melhorias reais para os profissionais da enfermagem”, concluiu.

Fonte: ALMT – MT

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Dr. João destaca possibilidade de revisão em demissões do Samu e abertura de diálogo com Pivetta

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O deputado estadual Dr. João (MDB) destacou como um primeiro passo importante a abertura de diálogo com o governo do estado sobre a situação dos 56 servidores desligados do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na Baixada Cuiabana. A sinalização ocorreu durante reunião da Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), realizada nesta terça-feira (28), com a presença de representantes do Ministério da Saúde e do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), para discutir alternativas que evitem o enfraquecimento do serviço em Cuiabá, Várzea Grande e região.

Integrante da comissão e um dos principais defensores dos profissionais desde o início da crise, Dr. João vem acompanhando de perto o caso desde que os servidores procuraram a Assembleia para pedir intermediação junto ao governo estadual. Em março, os trabalhadores recorreram ao Parlamento após o anúncio da exoneração de 56 profissionais, alertando para impactos imediatos no funcionamento do atendimento de urgência e emergência.

A reunião desta terça-feira contou com a presença de Fernando Figueira, diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência do Ministério da Saúde, que veio a Mato Grosso para conduzir as negociações com a Secretaria de Estado de Saúde e buscar uma saída para o impasse no Samu. A agenda foi desdobramento direto das denúncias de possível desmonte do serviço e das articulações feitas pela Comissão de Saúde da ALMT junto aos órgãos federais.

Durante o encontro, o governador em exercício Otaviano Pivetta (Republicanos), que participava de outra agenda na Assembleia, foi até a comissão a pedido dos deputados e ouviu os servidores. Na ocasião, afirmou que pretende chamá-los para uma nova reunião ainda nesta semana e admitiu a possibilidade de rever a situação dos contratos encerrados. Segundo Pivetta, o objetivo é evitar sobreposição de serviços e decidir conjuntamente a melhor solução para o Estado.

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Foto: ANGELO VARELA / ALMT

“Faremos isto sem nenhum problema. Podemos rever. Foram contratos que venceram, podemos fazer um aditivo, renovar, não tem nenhum problema. Vamos decidir isso juntos, para o bem do estado de Mato Grosso”, destacou o governador.

Para Dr. João, o gesto representa um avanço concreto em meio a um problema que, na avaliação dele, jamais deveria ter chegado a esse ponto. O deputado voltou a criticar mudanças bruscas em uma estrutura que já funciona e defendeu que o caminho é fortalecer o que existe, melhorar condições de trabalho e buscar integração, não ruptura.

“É tão difícil entender tudo isto. É algo muito estranho. Parece que estão inventando a roda, algo que já funciona, que precisamos melhorar, dar condições de trabalho e, de repente, vem uma situação para mudar tudo. Estamos aqui para resolver uma coisa tão óbvia. Talvez a maior marca que nós temos no Brasil chama-se Sistema Único de Saúde”, afirmou.

Desde o começo do impasse, Dr. João tem sustentado que não há incompatibilidade entre o trabalho do Samu e o do Corpo de Bombeiros, desde que a atuação ocorra de forma harmônica, técnica e complementar. O parlamentar cita como exemplo Tangará da Serra, onde os dois serviços atuam no atendimento pré-hospitalar sem prejuízo à população, e defende que esse modelo de cooperação seja discutido com responsabilidade em Mato Grosso. Essa linha também tem aparecido no debate público conduzido pela comissão, que cobra cooperação verdadeira entre as estruturas, e não substituição pura e simples de um serviço por outro.

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Na semana passada, a ofensiva da Assembleia já havia produzido outro resultado: uma equipe técnica da direção nacional do Samu e do Ministério da Saúde esteve em Cuiabá para vistoriar bases, veículos e a estrutura do atendimento, diante das denúncias formalizadas pela Comissão de Saúde da ALMT e pelo sindicato da categoria. O objetivo da inspeção foi consolidar um relatório técnico sobre a situação do serviço no estado.

Antes mesmo da reunião desta terça, a Comissão de Saúde já havia deliberado por cobrar a revisão das demissões, apurar por que cinco unidades do Samu deixaram de funcionar e ampliar o debate sobre a cooperação técnica entre a Secretaria de Estado de Saúde, o Samu e o Corpo de Bombeiros. Esses pontos foram definidos após audiência anterior da comissão sobre a crise do atendimento pré-hospitalar em Mato Grosso.

Dr. João afirma que seguirá atuando ao lado dos servidores e da comissão até que haja uma solução definitiva que preserve o atendimento e garanta segurança à população. “Fortalecer o Samu é, acima de tudo, proteger vidas e reafirmar o compromisso com o acesso universal e integral à saúde”.

Fonte: ALMT – MT

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