AGRONEGÓCIO
AgroShow em Barra tem expectativa de negociar R$ 30 milhões
AGRONEGÓCIO
Barra (cerca de 670 km da capital, Salvador), na Bahia, vai realizar, entre 4 e 6 de setembro, a primeira edição da Barra AgroShow com previsão de atrair mais de 12 mil visitantes e gerar entre R$ 20 e R$ 30 milhões em negócios, segundo estimativas dos organizadores.
O evento, que integra o calendário oficial do agronegócio no Médio São Francisco, surge como uma plataforma estratégica para aproximar produtores, empresas e instituições em torno da inovação e da fruticultura irrigada.
Com o tema “Era da Inovação”, a feira contará com exposição de máquinas, implementos agrícolas, tecnologia para irrigação e energia solar, além de soluções voltadas ao crédito rural, gestão sustentável e produção eficiente. O II Seminário de Fruticultura Irrigada, agora parte oficial da programação, reunirá debates técnicos e cases regionais de sucesso.
O formato da AgroShow foi concebido para atender a pequenos, médios e grandes produtores. Além de 60 expositores confirmados, haverá capacitações em agricultura de precisão, debates sobre logística e sustentabilidade, com foco na verticalização produtiva. A expectativa é consolidar a feira como polo de fomento à fruticultura, grãos e pecuária na região.
A escolha de Barra para sediar o evento reflete o crescimento da produção irrigada no Oeste baiano, especialmente de manga, uva, cacau e frutas diversas. A infraestrutura logística e o acesso estratégico a corredores de transporte reforçam o potencial de desenvolvimento da região, que já figura como nova fronteira agrícola do país.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Com dívidas superiores a R$ 1,3 trilhão, agro busca solução antes do início da safra 26/27
Com o fim do vazio sanitário se aproximando e o plantio da soja previsto para começar a partir de setembro nas principais regiões produtoras, o endividamento rural voltou ao centro das preocupações do agronegócio brasileiro.
Estimativas do setor apontam que o passivo total da agropecuária brasileira já supera R$ 1,3 trilhão, dos quais aproximadamente R$ 188 bilhões correspondem a dívidas financeiras diretas dos produtores. Diante desse cenário, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou as articulações para acelerar a votação do Projeto de Lei 5.122/2023, considerado uma das principais apostas para permitir a renegociação de débitos e recuperar a capacidade de investimento no campo.
A preocupação cresce justamente no momento em que agricultores começam a planejar a safra 2026/27, negociando sementes, fertilizantes, defensivos e operações de custeio. Após anos de custos elevados, juros altos e sucessivas adversidades climáticas, muitos produtores chegam ao novo ciclo com margens reduzidas e dificuldades para acessar novas linhas de crédito.
O problema ganhou dimensão nacional principalmente entre os produtores de soja, principal cultura agrícola do país. Apesar de o Brasil caminhar para colher mais de 180 milhões de toneladas da oleaginosa, a rentabilidade das propriedades sofreu forte pressão nos últimos anos. Em algumas regiões, as margens brutas recuaram mais de 30%, reflexo da combinação entre queda nos preços internacionais, valorização dos insumos e aumento dos custos financeiros.
Os reflexos desse cenário já aparecem nos indicadores do setor. Em 2025, o agronegócio registrou recorde de pedidos de recuperação judicial, enquanto a inadimplência rural avançou em diversas regiões produtoras. O ambiente mais desafiador levou instituições financeiras a endurecer critérios de concessão de crédito e exigir garantias adicionais, reduzindo a capacidade de financiamento de parte dos produtores.
Nesse contexto, ganhou força no Congresso Nacional o Projeto de Lei 5.122/2023. Embora tenha sido apresentado pelo deputado Domingos Neto, a proposta passou a ser uma das prioridades da Frente Parlamentar da Agropecuária, que atua para viabilizar instrumentos de renegociação de passivos, alongamento de prazos e recuperação da capacidade produtiva dos agricultores.
A avaliação de lideranças do setor é que a solução para o endividamento precisa ser definida antes do avanço do calendário agrícola. Isso porque grande parte da produtividade é construída antes mesmo do plantio, por meio de investimentos em correção de solo, fertilização, escolha de sementes e proteção fitossanitária. Sem acesso a crédito ou condições adequadas de renegociação, produtores podem reduzir aportes justamente em áreas que influenciam diretamente o desempenho da lavoura.
O debate vai além das propriedades rurais. O Brasil é líder mundial na produção e exportação de soja, cadeia que movimenta centenas de bilhões de reais anualmente e sustenta segmentos como biodiesel, proteína animal, logística, armazenagem e agroindústria. Por isso, especialistas alertam que a recuperação financeira dos produtores será decisiva não apenas para a safra 2026/27, mas para a manutenção da competitividade do agronegócio brasileiro nos próximos anos.
Enquanto aguardam uma definição em Brasília, agricultores seguem fazendo contas e ajustando o planejamento da próxima temporada. No campo, a percepção é de que o crédito poderá ser tão importante quanto o clima para determinar os resultados da próxima safra.
Fonte: Pensar Agro
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