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Impasse sobre aumento do IOF preocupa setor produtivo

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O impasse entre o governo federal e o Congresso Nacional sobre o aumento das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) continua sem solução. A audiência de conciliação promovida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (15.07) terminou sem acordo entre as partes envolvidas, mantendo a insegurança jurídica que afeta diretamente setores que dependem de crédito para manter o ritmo de investimentos, como o agronegócio.

A reunião, convocada pelo relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, tinha o objetivo de tentar costurar uma saída consensual para a disputa iniciada após o Legislativo barrar decretos do Executivo que buscavam reestruturar a cobrança do imposto. Durante a sessão, Moraes indagou se haveria espaço para concessões mútuas que viabilizassem um entendimento entre as partes, mas a resposta foi negativa. Segundo os participantes, “apesar da importância do diálogo e da iniciativa dessa audiência, preferiram aguardar a decisão judicial”.

A controvérsia gira em torno de decretos do governo que aumentaram o IOF sobre operações de crédito, câmbio, seguro e títulos ou valores mobiliários, sob a justificativa de adequar a arrecadação às metas fiscais. O Congresso, no entanto, entendeu que tais mudanças deveriam passar por avaliação legislativa e derrubou os dispositivos.

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A ausência de consenso mantém em suspenso a definição sobre a legalidade do reajuste, deixando setores econômicos — especialmente o agro — em compasso de espera. Isso porque a elevação do IOF encarece linhas de financiamento e operações de custeio, o que compromete o planejamento financeiro de produtores e empresas rurais.

A audiência contou com a presença do ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, representantes do Ministério da Fazenda, Ministério Público Federal, Câmara dos Deputados, Senado Federal e de partidos como PL e Psol. O tema agora volta para análise do STF, que poderá decidir de forma monocrática ou submeter o caso ao plenário.

A indefinição preocupa especialmente os agentes do campo, que já enfrentam desafios com crédito rural mais caro, margens pressionadas e incertezas climáticas. A expectativa do setor é que o Supremo estabeleça um desfecho claro e previsível, evitando novos entraves tributários que afetem a estabilidade dos investimentos no agro.

Fonte: Pensar Agro

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Comissão aprova proteção a crédito rural em áreas sob demarcação indígena

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A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que impede a imposição de restrições administrativas, técnicas ou cadastrais a produtores rurais que ocupam áreas em processo de demarcação de terras indígenas.

A proposta busca evitar que a simples inclusão de um imóvel em procedimentos demarcatórios impeça o acesso a crédito rural, seguro agrícola e outras políticas públicas antes da conclusão definitiva do processo.

O texto aprovado altera a Lei do Marco Temporal e estabelece que as restrições somente poderão ser aplicadas após a conclusão da demarcação e o pagamento das indenizações devidas aos ocupantes. Na avaliação dos parlamentares que defendem a proposta, a medida busca garantir segurança jurídica aos produtores enquanto o processo administrativo ainda estiver em andamento.

O projeto original é de autoria do deputado Rodolfo Nogueira, mas foi aprovado na forma de um substitutivo apresentado pelo relator, deputado Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Além de manter a proteção ao acesso dos produtores às políticas públicas, Lupion ampliou o alcance da proposta ao incluir, de forma expressa, o direito à indenização pela terra nua. Atualmente, a legislação assegura o pagamento apenas pelas benfeitorias realizadas de boa-fé em áreas posteriormente reconhecidas como terras indígenas.

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Segundo o relator, a proposta não interfere nos processos de demarcação conduzidos pelo poder público nem altera os direitos dos povos indígenas previstos na Constituição. O objetivo, afirmou, é impedir que produtores sofram restrições antes da conclusão do procedimento administrativo e da definição sobre eventual desocupação da área.

“A simples inserção de imóvel rural em cadastro vinculado a procedimento demarcatório, sem decisão final e sem indenização, não pode resultar, por via reflexa, na inviabilização da atividade produtiva”, afirmou Pedro Lupion durante a votação.

Na justificativa do projeto, os parlamentares argumentam que produtores incluídos em áreas sob estudo para demarcação têm enfrentado dificuldades para contratar financiamentos, renovar operações de crédito, acessar seguros rurais e participar de programas oficiais, mesmo quando continuam exercendo regularmente a posse da propriedade.

Se a proposta avançar nas próximas etapas da tramitação, bancos, cooperativas de crédito, seguradoras e demais órgãos públicos não poderão impor restrições apenas em razão da existência de um processo de demarcação ainda não concluído.

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O texto seguirá agora para análise das comissões da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Como tramita em caráter conclusivo, o projeto poderá seguir diretamente para o Senado caso seja aprovado nas comissões e não haja recurso para votação no plenário da Câmara dos Deputados.

A iniciativa integra um conjunto de propostas defendidas pela bancada do agronegócio para ampliar a segurança jurídica no campo e reduzir os impactos administrativos enfrentados por produtores rurais durante processos de regularização fundiária envolvendo terras indígenas.

Fonte: Pensar Agro

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