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Santa Catarina confirma novo foco e reforça vigilância sanitária

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O setor avícola brasileiro volta a acender o sinal de alerta com a confirmação de um novo foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (H5N1) no município de Meleiro (237 km da capital, Florianópolis), em Santa Catarina.

O caso, identificado em uma criação de aves de subsistência, foi anunciado nesta quinta-feira (10.07) pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (SAR) e pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc).

A ocorrência ocorre poucas semanas após o Rio Grande do Sul ter sido oficialmente declarado livre da doença em granjas comerciais, o que levou à retirada do status de emergência zoossanitária no estado. No entanto, a nova detecção reforça a necessidade de vigilância contínua, principalmente em áreas com criações de fundo de quintal, que podem representar risco de disseminação do vírus.

Segundo a Cidasc, todas as medidas sanitárias previstas em protocolo já foram executadas na propriedade afetada. Técnicos da companhia também iniciaram ações de monitoramento nas granjas comerciais localizadas num raio de 10 quilômetros do foco, além de inspeções em outras criações não comerciais da região.

Em nota, o secretário estadual Carlos Chiodini destacou que o trabalho está sendo conduzido com agilidade e responsabilidade. “Seguimos protocolos técnicos rigorosos e contamos com o comprometimento dos produtores, que são aliados indispensáveis nesse processo. Santa Catarina está atenta à proteção de sua avicultura, que é referência dentro e fora do Brasil”, declarou.

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O novo caso em Santa Catarina ocorre em meio às tratativas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para a retomada das exportações de carne de frango à União Europeia, suspensas desde maio após um foco registrado no município de Montenegro (RS). Nesta quinta-feira, o ministro Carlos Fávaro participou de uma videoconferência com o comissário europeu de Saúde e Bem-Estar Animal, Olivér Várhelyi, para discutir os próximos passos.

A União Europeia impôs restrições temporárias mesmo após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) ter reconhecido o Brasil como livre da doença em granjas comerciais. No entanto, o bloco europeu exige medidas sanitárias adicionais, além dos critérios da OMSA, para reabilitar o status de exportador.

“Estamos atendendo prontamente às exigências técnicas adicionais solicitadas. Saio confiante de que, com a documentação complementar enviada, teremos o reconhecimento necessário para retomar as exportações”, disse Fávaro. O comissário europeu reconheceu o esforço e a rapidez das autoridades brasileiras na resposta aos focos, mas reforçou que o processo segue padrões aplicados igualmente a todos os países e estados-membros da UE.

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Apesar do novo registro em Santa Catarina, o Brasil mantém seu status sanitário favorável perante os órgãos internacionais. A rápida atuação dos serviços veterinários e a separação clara entre criações comerciais e de subsistência têm sido fundamentais para evitar um impacto mais amplo sobre o comércio exterior de proteína animal.

Ainda assim, nove países seguem com restrições temporárias às importações de carne de frango brasileira: Albânia, Canadá, Chile, China, Macedônia do Norte, Malásia, Paquistão, Peru e Timor-Leste.

O setor avícola segue vigilante. Embora a maioria dos focos tenha ocorrido em criações domésticas e isoladas, a proximidade de centros produtivos exige atenção redobrada. Santa Catarina, um dos maiores polos exportadores do Brasil, reforçou sua rede de fiscalização e monitora constantemente os plantéis para garantir que a doença não chegue às granjas comerciais.

Com o RS livre da gripe aviária e medidas rápidas sendo adotadas em SC, autoridades e empresas trabalham para preservar a confiança internacional na segurança da produção brasileira — um ativo essencial para a continuidade dos embarques e para a estabilidade da cadeia produtiva.

Fonte: Pensar Agro

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Lideranças alertam que crédito recorde é ineficiente sem juros menores e seguro rural

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O anúncio do Plano Safra 2026/27, marcado para a próxima terça-feira (30.06), chega ao produtor rural em meio a um clima de ceticismo. Enquanto o governo federal projeta um volume recorde entre R$ 570 bilhões e R$ 652 bilhões, as lideranças do setor alertam que, em um cenário de juros elevados e margens de lucro espremidas, o montante nominal importa menos do que a efetividade das taxas de equalização. O que o campo busca não é apenas liquidez, mas uma estratégia de sobrevivência que contemple o endividamento acumulado nos últimos ciclos.

Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o plano precisa ir além do anúncio de “recordes” orçamentários. A crítica central das bancadas é que o governo carece de uma visão estrutural de longo prazo: enquanto o custo de capital subiu, a subvenção ao seguro rural foi tratada como variável de ajuste orçamentário. Sem proteção contra intempéries, o crédito acaba financiando o risco, e não a produtividade, perpetuando o ciclo de inadimplência que já preocupa o Banco Central.

A Aprosoja Mato Grosso ecoa o descontentamento com a falta de previsibilidade. Para a entidade, de nada adianta um volume robusto se as linhas de investimento — essenciais para armazenagem e modernização — permanecerem travadas ou de difícil acesso para o médio produtor. O setor produtivo aponta que a paridade de importação e os custos de produção em patamares históricos exigem que o Plano Safra seja, antes de tudo, um instrumento de competitividade internacional, e não uma peça de marketing político que ignora a realidade técnica das fazendas.

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Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Engenheiro Agrônomo Isan Rezende (foto), o setor está diante de uma encruzilhada. “O governo insiste em focar no volume total de crédito como se isso, por si só, garantisse a estabilidade da safra, mas esquece que o custo desse dinheiro tornou-se proibitivo para grande parte dos produtores. Não precisamos de um recorde de bilhões disponíveis se as taxas de juros não forem condizentes com a realidade de um setor que, nos últimos dois anos, foi duramente atingido por quebras climáticas sucessivas e pela volatilidade dos preços internacionais. O produtor hoje precisa de fôlego, não de novos passivos impagáveis”, afirmou Rezende.

“O agronegócio não pode ser tratado como um setor auxiliar que recebe atenção apenas quando a balança comercial precisa de socorro. Precisamos que o Plano Safra 2026/27 venha acompanhado de uma política clara de renegociação de dívidas e de um comprometimento real com o Seguro Rural. Sem isso, estamos apenas postergando um colapso financeiro que vai atingir desde o pequeno produtor até a economia das cidades que dependem diretamente do sucesso da nossa safra”, disse Isan.

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“A nossa expectativa é de que, no dia 30, o anúncio não seja apenas um conjunto de números desenhado pela Fazenda para cumprir calendário. Queremos ver, de fato, a implementação de uma estratégia que proteja a nossa capacidade de investimento. Se o governo continuar tratando a equalização como um gasto primário e não como o investimento estratégico que é, estaremos condenando o próximo ciclo a uma estagnação perigosa. O agronegócio é o motor que mantém o Brasil respirando, e ele exige o respeito de ser tratado com política econômica técnica, e não com medidas paliativas que não resolvem o gargalo do custo do crédito na ponta”, concluiu o presidente do Instituto do Agronegócio.

Fonte: Pensar Agro

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