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Agro segura o PIB mais uma vez, mas juros e inflação preocupam

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As projeções para o crescimento da economia brasileira em 2025 subiram ligeiramente: o mercado agora espera uma alta de 2,02% no Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do Boletim Focus. Embora seja uma melhora discreta, ela indica que o Brasil pode manter um ritmo modesto de expansão — puxado, mais uma vez, pelo agronegócio.

A previsão de crescimento do setor agropecuário foi ajustada para cima, passando de 6% para 6,3%, impulsionada pelas boas estimativas para as safras de soja, milho e arroz. “É o agro segurando a balança novamente. A produção agrícola continua sendo o esteio da economia brasileira. O crescimento do PIB só está sendo sustentado por causa da força do campo”, analisa Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA).

Mesmo com uma leve desaceleração nos últimos dois meses, a inflação ainda preocupa. O IPCA fechou abril com alta de 0,43%, pressionado principalmente pelos alimentos e remédios. No acumulado de 12 meses, a inflação soma 5,53% — bem acima do teto da meta para o ano.

A expectativa para 2025 também não é das melhores: 5,5%, de acordo com o mercado. Isso exige cautela por parte do Banco Central, que tem adotado uma política de juros altos para tentar conter os preços.

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“O produtor rural sabe que inflação alta corrói o poder de compra e aumenta o custo dos insumos. Mesmo com boa produtividade, o lucro aperta se o custo disparar”, afirma Isan.

A taxa básica de juros, a Selic, segue em 14,75% ao ano e deve permanecer assim até o fim de 2025. É o sexto aumento seguido, reflexo das incertezas econômicas e da tentativa do governo de frear a inflação. Mas juros nesse nível dificultam o acesso ao crédito e reduzem o ritmo da economia.

“Com o crédito travado, fica difícil renovar máquinas, investir em tecnologia ou até fazer o custeio da próxima safra. Isso acaba desestimulando a expansão da produção”, comenta o presidente do Instituto.

Para 2026, a estimativa é que a Selic recue para 12,5%, com novas quedas previstas até 2028. Mas até lá, o aperto continuará sendo sentido especialmente pelo pequeno e médio produtor.

A previsão para a cotação do dólar no fim de 2025 é de R$ 5,82, podendo chegar a R$ 5,90 em 2026. Uma moeda americana valorizada pode beneficiar as exportações do agro, mas também encarece os insumos, que muitas vezes vêm de fora.

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“O câmbio é faca de dois gumes. Se por um lado melhora o preço da soja, do milho e da carne no exterior, por outro, joga para cima o custo de fertilizantes, defensivos e peças de reposição”, alerta Isan Rezende.

Apesar da previsão de crescimento do PIB, o segundo semestre de 2025 pode trazer uma desaceleração. A economia global segue instável, e os juros altos devem continuar pressionando o consumo e os investimentos.

“Quem planejar bem e controlar os custos vai sair na frente. O momento é de gestão eficiente, olhar atento ao mercado e uso inteligente dos recursos. A oportunidade está aí, mas é preciso agir com estratégia”, conclui Isan Rezende.

Fonte: Pensar Agro

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Embrapa investe quase R$ 60 milhões em nova unidade para o Matopiba

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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vai investir R$ 58,9 milhões na reestruturação da sua unidade no Maranhão, em um movimento que reforça a presença da instituição no Matopiba — região que se consolidou como a principal fronteira de expansão agrícola do país.

O aporte inclui R$ 43,9 milhões do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), além de R$ 10 milhões do Governo do Maranhão e R$ 5 milhões da bancada federal do estado.

A nova sede será instalada no campus Maracanã do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), em São Luís, e integra o processo de reorganização da Embrapa no estado, que também prevê a contratação de 50 novos empregados aprovados em concurso público.

O projeto está inserido em uma estratégia mais ampla de fortalecimento da pesquisa aplicada ao Cerrado e à Amazônia Legal, com foco especial no Matopiba — que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

A região representa hoje cerca de 33% do território maranhense e se consolidou como uma das áreas mais dinâmicas da expansão agrícola brasileira, com forte avanço de soja, milho e algodão nas últimas duas décadas.

Embora o Brasil já seja o maior produtor mundial de soja, com produção próxima de 180 milhões de toneladas por safra, o crescimento recente da oferta tem sido puxado justamente por novas áreas do Cerrado, com destaque para o Matopiba.

No Maranhão, esse processo convive com forte dualidade: de um lado, o avanço da agricultura moderna e mecanizada; de outro, indicadores sociais ainda baixos, com o estado entre os menores Índices de Desenvolvimento Humano do país e elevada concentração de pobreza rural.

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A nova estrutura da Embrapa será equipada com laboratórios de alta complexidade, incluindo centrais analíticas, unidades de bioinsumos, agroindústria piloto e um laboratório voltado à redução de emissões de metano na pecuária — o primeiro do tipo na Amazônia e no Nordeste.

O Matopiba — formado por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — é hoje uma das áreas de maior expansão agrícola do Brasil e já reúne uma produção estimada em cerca de 32 a 35 milhões de toneladas de grãos por safra, segundo levantamentos setoriais recentes, com forte concentração em soja, milho e algodão.

Na soja, principal cultura da região, a participação do Matopiba já gira em torno de 10% a 14% da produção brasileira, dependendo da safra e da metodologia de cálculo, com crescimento acelerado sobre áreas de Cerrado antes consideradas de baixa aptidão agrícola.

O Brasil, maior produtor global de soja, colheu cerca de 180 milhões de toneladas na safra mais recente, segundo dados consolidados da Conab. Nesse contexto, o avanço do Matopiba tem sido um dos principais vetores de aumento de oferta, especialmente nas últimas duas décadas.

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Além da soja, a região tem ganhado relevância na produção de milho segunda safra e algodão, com destaque para áreas do oeste da Bahia e sul do Maranhão, onde a agricultura altamente mecanizada se consolidou com uso intensivo de tecnologia, correção de solo e integração de sistemas produtivos.

Apesar do avanço, o Matopiba ainda concentra gargalos estruturais importantes. Logística de escoamento, dependência de corredores como Norte-Sul e Arco Norte, e limitações de armazenagem seguem como pontos críticos que impactam o custo final da produção e a competitividade em relação a regiões tradicionais como Centro-Oeste e Sul.

É nesse cenário que a ampliação da presença da Embrapa ganha peso estratégico. A instituição é responsável por desenvolver tecnologias adaptadas ao Cerrado, como cultivares mais tolerantes a solos ácidos, sistemas de plantio direto e manejo de baixa emissão de carbono, fundamentais para sustentar a expansão agrícola na região.

A nova estrutura no Maranhão deve reforçar esse eixo de pesquisa aplicada, aproximando o desenvolvimento tecnológico das áreas de expansão produtiva, onde o crescimento da agricultura ocorre em ritmo mais acelerado do país.

Na prática, o Matopiba já se consolidou como uma das últimas grandes fronteiras agrícolas ainda em expansão no território nacional, com papel direto na ampliação da oferta de grãos e na sustentação do crescimento das exportações do agronegócio brasileiro.


Fonte: Pensar Agro

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