Chega onde for Por teu próprio esforço Não corra sem parar Nem sem muito pensar Vá devagar até onde puderes Nem sempre onde pretendes Faça o que for preciso Nem sempre o que quiseres Come o que te faz bem Nem sempre o que gostas Bebe o que é saudável Nem sempre o que aprecias Conversa com quem te importa Não com quem convém aos outros Dê maior atenção ao que te interessa Não aos interesses alheios
Marcelo Porto Carrero
Deixa de ter pressa
Marcelo Porto Carrero
Deixa de ter pressa
Marcelo Porto Carrero
A Postura de André Mendonça
A Postura de André Mendonça
This is the Way não é um slogan. É uma âncora ontológica. Traduzido ao pé da letra, é “Este é o caminho”. Mas “Como deve ser” é mais devastador. Mais brasileiro. Mais verdadeiro.
Se Din Djarin, o protagonista da série The Mandalorian, da Disney, tivesse uma toga do Supremo, ele se chamaria André Mendonça. Na série, quando perguntam se ele concluiu a missão, ele não diz um “sim” elaborado. Diz apenas: como deve ser.
No STF, o lema seria o mesmo. Quando pressionado, quando encurralado pela máquina, quando a PGR pede, a Polícia Federal avança e os corredores do STF cochicham, a resposta dele não seria um parecer de 30 páginas. Seria uma postura.
Como deve ser.
Não por teimosia. É o Credo. É a verdade sobre o que, como e por que a coisa deveria ser feita.
O que deveria ser feito: guardar a Constituição, não a conveniência.
Enquanto a Corte foi se transformando em palco de inquéritos sem fim, de investigações de ofício e de censura travestida de defesa da democracia, a postura adequada de um ministro não é negociar o texto. É guardá-lo. Protegê-lo.
Mendonça faz o que deveria ser feito. Ele vota como deve ser. Ele pede vista como deve ser. Ele diverge como deve ser. Num tribunal onde a maioria já decidiu que o processo é o inimigo a ser destruído, ele é o único que ainda respeita o rito. Este é o ato mais revolucionário possível.
Como deveria ser feito: sem espetáculo, sem tuíte, sem vazamento.
Os inimigos dele no STF, na PGR e na Polícia Federal operam como deve ser no novo sistema: operação na madrugada, com nota na imprensa e manchete no Jornal Nacional.
Mendonça opera como deve ser no sistema antigo, no correto. Silencioso. Nos autos. Com voto técnico. Sem performance para a claque. Sem recado para a mídia.
É a ética mandaloriana aplicada à toga: o trabalho não precisa de plateia. Precisa de integridade. Quando todos querem holofote, ele é o único que ainda lembra o que é ser juiz. O único que fica na sombra do processo. Restrito.
Por que deveria ser feito: porque alguém precisa não só dizer, mas também mostrar que o correto existe e persevera.
Quando a PGR se torna partido de acusação política e a Polícia Federal se torna braço de inquéritos atípicos, o Supremo precisa de um homem que lembre que existe um caminho. Um caminho onde o direito de defesa ainda existe. Onde juiz não investiga. Onde o Ministério Público não milita. Onde a polícia não escolhe alvo por ideologia.
A postura firme de Mendonça é devastadoramente conclusiva exatamente por isso. Ele não discute. Ele não entra no jogo dos inimigos. Ele apenas afirma, com cada voto vencido, com cada divergência solitária:
Existe um jeito certo. E eu vou fazê-lo como deve ser.
E quando a história desse período for escrita, não vai importar quantas operações foram deflagradas ou quantos inimigos se levantaram contra ele no plenário. Vai importar quem manteve o Credo.
Como deve ser.
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