POLÍTICA
Comissão de Saúde da ALMT encerra ciclo de audiências no norte do estado
POLÍTICA
Na última sexta-feira (18), a Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social ouviu autoridades e população de Colíder e Alta Floresta sobre a situação da saúde local. Audiências públicas com objetivo de debater a saúde na região norte do estado também foram realizadas Sorriso e Sinop na última semana.
Na reunião em Colíder, mais uma vez, gestores e vereadores disseram haver dificuldades com a falta de profissionais de algumas especialidades, como neurologia. O vereador de Nova Canaã do Norte, Odair Formigoni (Podemos) disse que é comum ver moradores da região fazendo rifas e arrecadando dinheiro com “vaquinhas” para ter acesso a consultas e outros procedimentos na rede particular. “Acho muito humilhante isso aí. Nós não temos neuro [neurologistas] aqui, neuropediatra também não. Se você tem de aguardar uma consulta pelo SUS, a demanda é muito grande. Até sair essa vaga, o paciente já morreu”, reclamou Formigoni.
Também a exemplo do que foi relatado em Sorriso e Sinop, uma das principais queixas diz respeito à demora de acesso a leitos hospitalares, de forma a sobrecarregar as unidades de pronto atendimento municipais. “Quando dependemos de regulação para pacientes que estão sendo atendidos na nossa UPA municipal, nós não temos suporte no município para manter esse paciente enquanto ele aguarda a vaga para um leito de hospital”, contou a secretária adjunta de saúde de Colíder, Odilce Pilonetto.
O mesmo problema foi discutido na audiência de Alta Floresta, na noite de sexta. O secretário de saúde do município, José Aparecido de Souza, ainda expôs que a necessidade de transporte de pacientes em ambulâncias, uma vez que as vagas para pacientes podem ser disponibilizadas em hospitais regionais de outros municípios, representa um custo alto para a cidade. “Antes a regulação era diferenciada. Nós estamos agora estamos entrando na Crue [Central de Regulação de Urgência e Emergência] e com isso a nossa demanda tá saindo para Sinop, pra Sorriso, pra Lucas, às vezes pra Mutum. Essa demanda tá ficando muito cara para o município de Alta Floresta. O transporte sanitário está sendo custeado por nós, a gente não tem nenhum financiamento, então isso dificulta. A verba para isso até o fim do ano já se encerrou”, afirmou.
Membro titular da comissão, o deputado licenciado Faissal (Cidadania) também participou do encontro. “Vamos levar todos os pedidos e reclamações para o secretário estadual de saúde0. Hospitais portas fechadas [que só atendem pacientes enviados pela regulação] têm dificultado muito os municípios. Está acontecendo uma superlotação nas unidades de saúde locais. É preciso aumentar o atendimento do hospital regional para que consiga atender toda a demanda”, avaliou Faissal.
“Muito triste a ausência do secretário de estado de saúde em todas as audiências, a ausência de uma representação da secretaria com poder de decisão administrativa e política. Os problemas são concretos e estão presentes. Não adianta o governador vir a Alta Floresta visitar as obras do Hospital Regional, ele tem que se deter ao problema concreto, a população tem hoje de dificuldade de acesso a atendimento em todas as regiões do estado”, reclamou o presidente da Comissão de Saúde, deputado Lúdio Cabral (PT).
O parlamentar também explicou o que será feito em seguida. “Nós vamos já sistematizar os relatórios das audiências, apresentar alguns requerimentos, alguns encaminhamentos, inclusive de diálogo com a Defensoria Pública, com o Ministério Público Estadual. E na primeira reunião da Comissão de Saúde que tivermos, nós vamos propor a convocação do secretário pra debater essas questões e vamos também agendar uma audiência específica para debater só a questão da regulação com todos aqueles que atuam no complexo regulador”, adiantou.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA
ALMT lança livro com indicadores climáticos e propostas para o futuro de Mato Grosso
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) lançou o livro Indicadores do Clima em Mato Grosso – Cenários da Crise Climática e a Formulação de Políticas Públicas na tarde desta segunda-feira (1º) A publicação é resultado dos trabalhos da Câmara Setorial Temática (CST) de Mudanças Climáticas, encerrada em 2025. A obra reúne estudos, diagnósticos e projeções sobre os impactos das mudanças climáticas no estado, além de apontar caminhos para a formulação de políticas públicas de mitigação e adaptação.
O deputado estadual Júlio Campos (União), que presidiu os trabalhos da câmara, destacou o caráter preventivo do documento. Segundo ele, o material foi construído com a participação de universidades, cientistas, órgãos públicos e organizações da sociedade civil.
“Estamos hoje publicando esse livro que mostra o cenário da situação que vai ocorrer a partir de agora, em especial a partir de 2030, quando haverá uma grande virada, com impacto no clima em todo o mundo e também em Mato Grosso”, afirmou o parlamentar. Campos também adiantou que pretende apresentar um projeto de lei para a implantação de um Plano Estadual de Mudanças Climáticas, como forma de iniciar um diálogo junto ao governo buscando a tomada de ações.
A secretária da CST e editora da obra, Juliana Arini, explicou que o objetivo é levar o debate para além dos espaços técnicos e aproximá-lo dos gestores municipais. “A proposta é tirar essa discussão da Assembleia e trazer para o gestor público, principalmente para prefeitos e vereadores, porque são eles que lidam diretamente com as consequências da crise climática”, destacou.
De acordo com Juliana Arini, o livro será distribuído aos 142 municípios mato-grossenses e às respectivas câmaras municipais. A publicação reúne, de forma acessível, o conteúdo debatido ao longo do funcionamento da Câmara Setorial. “Fizemos uma síntese das discussões para que o gestor público tenha acesso a esse conhecimento de forma facilitada, com uma linguagem menos técnica e mais compreensível”, explicou.
Entre os alertas apresentados na obra estão projeções de aumento das ondas de calor em todos os municípios do estado até 2030. “O calor a gente não tem como evitar, mas tem como mitigar. Precisamos discutir arborização urbana, transporte público climatizado e alternativas para proteger a população mais vulnerável”, observou Juliana.
A professora da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Carolina Joana da Silva, que participou da elaboração do material, ressaltou que a publicação reúne diferentes perspectivas sobre os impactos das mudanças climáticas nos biomas mato-grossenses. “É um documento que facilita a compreensão da população sobre um fenômeno global e mostra a necessidade de estarmos preparados para enfrentar essas mudanças. Isso demonstra o interesse da Assembleia Legislativa em discutir um tema importante para Mato Grosso e para o Brasil. É um material que reúne informações e alertas que precisam chegar à sociedade”, afirmou.
Já a suplente de deputada, Sheila Klener (PSDB), destacou que o estudo servirá como instrumento de apoio à tomada de decisões governamentais. “Essa publicação vai ajudar a preparar e desenvolver políticas públicas para enfrentar as mudanças climáticas, que estão cada vez mais perceptíveis no nosso dia a dia”, avaliou a geóloga, servidora da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). “Mato Grosso não tem o mesmo nível de emissão de CO₂ de estados mais industrializados, mas nós temos o desmatamento e a pecuária como fatores que precisam ser observados. As pessoas precisam entender que sem floresta e sem água não haverá produção”, alertou.
Durante o lançamento, os participantes reforçaram a importância da preservação ambiental, da proteção das nascentes e da adoção de estratégias de adaptação para enfrentar desafios como o aumento das temperaturas, períodos prolongados de seca e a pressão sobre os recursos hídricos. O livro apresenta indicadores climáticos, mapas e diagnósticos que poderão subsidiar ações de planejamento em diferentes áreas.
Fonte: ALMT – MT
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