AGRONEGÓCIO
ETANOL/CEPEA: Cotações seguem em queda por mais uma semana
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Cepea, 24/01/2023 – As cotações dos etanóis anidro e hidratado recuaram novamente no mercado spot do estado de São Paulo na semana passada. De modo geral, compradores estiveram ausentes para novas negociações e mantiveram o abastecimento por meio de contratos e compras realizadas em períodos anteriores. Assim, a liquidez esteve baixa. Por outro lado, segundo pesquisadores do Cepea, há expectativa de que a demanda se fortaleça nos próximos dias, uma vez que os preços mais baixos nas usinas têm sido repassados aos valores nos postos. Além disso, com o retorno das aulas em fevereiro, o fluxo de automóveis nas cidades tende a aumentar. Entre 16 e 20 de janeiro, o Indicador CEPEA/ESALQ semanal do etanol hidratado no segmento produtor do estado de São Paulo fechou a R$ 2,5597/litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins – alíquota zerada), baixa de 1,15% frente ao do período anterior. Quanto ao anidro, o Indicador CEPEA/ESALQ fechou a R$ 2,9370/litro, valor líquido de impostos (PIS/Cofins – alíquota zerada), recuo de 4,73%. Em relação ao Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Paulínia – SP), a média da semana passada foi de R$ 2.649,60/m³, queda de 2,16% frente à da semana anterior. Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)
Fonte: CEPEA
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Investigação expõe disputa com China e acende alerta no mercado brasileiro
A abertura de investigação pelo governo brasileiro sobre possível dumping nas importações de proteína de soja chinesa ocorre em paralelo a um cenário mais amplo de tensão comercial envolvendo o principal produto do agronegócio nacional: a soja em grão. Embora o foco formal da apuração seja um derivado específico, o movimento expõe o grau de sensibilidade da relação comercial entre Brasil e China, destino de mais de 70% das exportações brasileiras do complexo soja.
O Brasil embarca anualmente entre 95 milhões e 105 milhões de toneladas de soja em grão, dependendo da safra, consolidando-se como o maior exportador global. Desse total, a China absorve a maior parte, com compras que frequentemente superam 70 milhões de toneladas por ano. Trata-se de uma relação de alta dependência: para o Brasil, a China é o principal comprador; para os chineses, o Brasil é o principal fornecedor.
O problema é que esse fluxo não é livre de mecanismos de controle. A China opera com um sistema indireto de regulação das importações, baseado principalmente em licenças, controle de esmagamento e gestão de estoques estratégicos. Na prática, isso funciona como uma espécie de “cota informal”. O governo chinês pode reduzir ou ampliar o ritmo de compras ao liberar menos ou mais permissões para importadores e indústrias locais.
Esse mecanismo ficou evidente nos últimos ciclos. Em momentos de margens apertadas na indústria chinesa de esmagamento, quando o farelo e o óleo não compensam o custo da soja importada, o país desacelera as compras. O resultado é imediato: pressão sobre os prêmios nos portos brasileiros e maior volatilidade de preços.
Além disso, há um fator estrutural. A China vem buscando diversificar fornecedores e reduzir riscos geopolíticos. Mesmo com a forte dependência do Brasil, o país mantém canais ativos com os Estados Unidos e outros exportadores, utilizando o volume de compras como ferramenta de negociação comercial.
No caso específico da proteína de soja, produto industrializado voltado principalmente à alimentação humana, o impacto direto sobre o produtor rural tende a ser limitado. Ainda assim, a investigação conduzida pela Secretaria de Comércio Exterior, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sinaliza um endurecimento na política comercial brasileira em relação à China, ainda que pontual.
O processo analisa indícios de venda a preços abaixo do custo de produção, prática conhecida como dumping, no período entre julho de 2024 e junho de 2025. Caso seja confirmada, o Brasil pode aplicar tarifas adicionais por até cinco anos.
O ponto de atenção é que, embora tecnicamente restrita, qualquer medida nessa direção exige calibragem. A China é, de longe, o maior cliente da soja brasileira e um dos principais destinos de produtos do agronegócio como carne bovina e de frango. Movimentos comerciais, mesmo que setoriais, são acompanhados de perto pelo mercado.
Para o produtor, o cenário reforça um ponto central: o preço da soja no Brasil não depende apenas de oferta e demanda internas, mas de decisões estratégicas tomadas em Pequim. Ritmo de compras, gestão de estoques e margens da indústria chinesa seguem sendo os principais determinantes de curto prazo.
Na prática, a investigação atual não muda o fluxo da soja em grão, mas escancara a dependência brasileira de um único mercado e o grau de exposição a decisões comerciais externas.
Fonte: Pensar Agro
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