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ETANOL/CEPEA: Cotações registram forte queda no encerramento de agosto

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Cepea, 30/8/2022 – Os preços dos etanóis hidratado e anidro combustíveis caíram com certa força no estado de São Paulo na semana passada. Segundo pesquisadores do Cepea, a pressão veio do comportamento tímido dos compradores, que vêm adquirindo apenas pequenos volumes e de forma pontual no spot paulista e/ou recebendo o etanol de contratos de ano-safra. O posicionamento mais flexível de agentes de usinas – neste momento em que as vendas de combustíveis parecem estar mais voltadas para a gasolina C na ponta varejista – também influenciou as baixas nos preços. Dados da Unica confirmam o fraco desempenho das vendas de biocombustíveis na primeira quinzena de agosto. O volume de etanol hidratado vendido foi de 645,4 milhões de litros, queda de 6,32% em relação ao do mesmo período do ciclo anterior. Assim, de 22 a 26 de agosto, o Indicador CEPEA/ESALQ semanal do etanol hidratado fechou a R$ 2,4132/litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins – alíquota zerada), recuo de 6,83% frente ao período anterior. Para o etanol anidro, o Indicador CEPEA/ESALQ foi de R$ 2,9096/litro (líquido de impostos e PIS/Cofins – alíquota zerada), queda de 8,47%. No caso do Indicador diário, a média dos valores do Indicador ESALQ/BM&FBovespa foi de R$ 2.518,50/m³, baixa de 6,62% frente à da semana anterior. Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)

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Fonte: CEPEA

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Com dívidas superiores a R$ 1,3 trilhão, agro busca solução antes do início da safra 26/27

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Com o fim do vazio sanitário se aproximando e o plantio da soja previsto para começar a partir de setembro nas principais regiões produtoras, o endividamento rural voltou ao centro das preocupações do agronegócio brasileiro.

Estimativas do setor apontam que o passivo total da agropecuária brasileira já supera R$ 1,3 trilhão, dos quais aproximadamente R$ 188 bilhões correspondem a dívidas financeiras diretas dos produtores. Diante desse cenário, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou as articulações para acelerar a votação do Projeto de Lei 5.122/2023, considerado uma das principais apostas para permitir a renegociação de débitos e recuperar a capacidade de investimento no campo.

A preocupação cresce justamente no momento em que agricultores começam a planejar a safra 2026/27, negociando sementes, fertilizantes, defensivos e operações de custeio. Após anos de custos elevados, juros altos e sucessivas adversidades climáticas, muitos produtores chegam ao novo ciclo com margens reduzidas e dificuldades para acessar novas linhas de crédito.

O problema ganhou dimensão nacional principalmente entre os produtores de soja, principal cultura agrícola do país. Apesar de o Brasil caminhar para colher mais de 180 milhões de toneladas da oleaginosa, a rentabilidade das propriedades sofreu forte pressão nos últimos anos. Em algumas regiões, as margens brutas recuaram mais de 30%, reflexo da combinação entre queda nos preços internacionais, valorização dos insumos e aumento dos custos financeiros.

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Os reflexos desse cenário já aparecem nos indicadores do setor. Em 2025, o agronegócio registrou recorde de pedidos de recuperação judicial, enquanto a inadimplência rural avançou em diversas regiões produtoras. O ambiente mais desafiador levou instituições financeiras a endurecer critérios de concessão de crédito e exigir garantias adicionais, reduzindo a capacidade de financiamento de parte dos produtores.

Nesse contexto, ganhou força no Congresso Nacional o Projeto de Lei 5.122/2023. Embora tenha sido apresentado pelo deputado Domingos Neto, a proposta passou a ser uma das prioridades da Frente Parlamentar da Agropecuária, que atua para viabilizar instrumentos de renegociação de passivos, alongamento de prazos e recuperação da capacidade produtiva dos agricultores.

A avaliação de lideranças do setor é que a solução para o endividamento precisa ser definida antes do avanço do calendário agrícola. Isso porque grande parte da produtividade é construída antes mesmo do plantio, por meio de investimentos em correção de solo, fertilização, escolha de sementes e proteção fitossanitária. Sem acesso a crédito ou condições adequadas de renegociação, produtores podem reduzir aportes justamente em áreas que influenciam diretamente o desempenho da lavoura.

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O debate vai além das propriedades rurais. O Brasil é líder mundial na produção e exportação de soja, cadeia que movimenta centenas de bilhões de reais anualmente e sustenta segmentos como biodiesel, proteína animal, logística, armazenagem e agroindústria. Por isso, especialistas alertam que a recuperação financeira dos produtores será decisiva não apenas para a safra 2026/27, mas para a manutenção da competitividade do agronegócio brasileiro nos próximos anos.

Enquanto aguardam uma definição em Brasília, agricultores seguem fazendo contas e ajustando o planejamento da próxima temporada. No campo, a percepção é de que o crédito poderá ser tão importante quanto o clima para determinar os resultados da próxima safra.

Fonte: Pensar Agro

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