POLÍTICA
Ganha Tempo deverá ofertar atendimento com especialista em Libras
POLÍTICA
Foto: MAURICIO BARBANT / ALMT
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso vai analisar, nos próximos meses, o Projeto de Lei 136/2022 que assegura às pessoas com deficiência auditiva o direito ao atendimento por tradutor ou intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras), nas unidades do Ganha Tempo. De autoria do presidente da ALMT, deputado Eduardo Botelho (União Brasil), a proposta aguarda o parecer da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR).
Se aprovado, a nova lei deverá entrar em vigor na data da sua publicação. Botelho defende investimentos que promovam conforto e qualidade de vida à população. Esse projeto chama a atenção do Poder Executivo sobre o tratamento igualitário às pessoas com deficiência auditiva, nas unidades Ganha Tempo, que registra diariamente milhares de atendimentos, inclusive, à emissão de documentos.
Praticante de crossfit, a dona de casa Verônica dos Santos Pauli Pereira espera pela aprovação desse projeto. “Faço leitura labial e acho excelente essa proposta! Os surdos ficam limitados para resolver seus problemas. Já passei por isso várias vezes. Lembro que durante exame de rotina, falei com o atendente que sou deficiente auditiva. Pedi para o médico retirar a máscara, mas ele não retirou e fiquei sem entender nada do que falou durante a minha consulta. Naquele momento, me senti deficiente. Não porque tenho dificuldade de ouvir, mas porque os estabelecimentos não estão preparados para esse tipo de atendimento. Por isso, muitos lugares prefiro ir com o meu marido ou meu filho”, explicou Verônica, que tem perda auditiva moderada e severa.
É pela situação da Verônica e de milhares de deficientes auditivos que o deputado Botelho fará o amplo debate pela aprovação da nova lei. “A presença do tradutor e intérprete no atendimento às pessoas com deficiência auditiva permite o acesso às informações para garantia de direitos básicos perante a Administração Pública”, diz trecho do projeto.
Direito – Na proposta, Botelho cita a convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que considera fundamentais para a efetividade dos direitos humanos das pessoas surdas: o acesso e o reconhecimento da língua de sinais, o respeito pela identidade linguística e cultural, a educação bilíngue, o recurso aos intérpretes de línguas de sinais e outros meios de acessibilidade.
Também destaca a Lei 10.436/02 que oficializou a Língua Brasileira de Sinais como língua oficial brasileira. Essa mesma lei também determina que o Poder Público e empresas concessionárias de serviços públicos devem garantir formas institucionalizadas de apoiar o uso e a difusão da LIBRAS como meio de comunicação objetiva, cuja forma mais direta é o atendimento por tradutor ou intérprete quando o cidadão com deficiência auditiva recorrer ao Poder Público ou suas entidades para exercer seus direitos.
“Outro ponto que merece destaque em relação à inclusão de pessoas com deficiência auditiva é o fator da pandemia da Covid-19, que por causa do uso de máscara impede a leitura orofacial, corroborando com a necessidade de tradutor ou intérprete de LIBRAS nas unidades do Ganha Tempo”, alertou Botelho, no PL.
O Projeto de Lei foi apresentado na segunda Sessão Ordinária do dia 16 de fevereiro.
POLÍTICA
Deputada Eliane Xunakalo classifica dispensa de servidores e fechamento de unidades do Samu, como desmonte da política de saúde
A deputada estadual em exercício, Eliane Xunakalo (PT), classificou como desmonte da política pública de saúde a dispensa de 56 servidores (técnicos de enfermagem, enfermeiros e condutores socorristas) e o fechamento de cinco das 12 unidades do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) em Cuiabá e Várzea Grande. Com isso, o serviço perdeu quase a metade de sua capacidade operacional e um quarto de seus servidores.
“O Samu é o primeiro serviço que nós, cidadãos, temos acesso, desde o parto a problemas de saúdes e acidentes. Não é um investimento tão alto, como o governo do estado afirma, porque o custeio é tripartite: 50% do Governo Federal, 25% dos estados e 25% dos municípios. Ao transferir o serviço para o Corpo de Bombeiros, cujo custeio é de responsabilidade exclusivamente estadual, terá que desembolsar ainda mais, por ser preciso contratar e treinar novos profissionais. Já tivemos experiências anteriores, que não atenderam às demandas”, afirmou.
“Como fica a população, especialmente a mais vulnerável? O gestor público precisa pensar em serviços fundamentais. É preciso olhar as contas antes de fazer cortes num serviço tão importante como o Samu. Teremos pela frente uma estiagem prevista para o segundo semestre deste ano, com alto risco de secas severas e calor extremo. Vamos precisar, e muito, dos serviços oferecidos pelo Samu”, completou a parlamentar.
Eliane Xunakalo acrescentou que não só apoia como reforça a iniciativa de seu colega Lúdio Cabral (PT), a quem substitui por 30 dias, que enviou, no final de março, ofício ao Ministério Público Estadual pedindo para investigar as demissões e fechamento das bases do Samu pelo Governo do Estado. “É preciso que sejam tomadas medidas para assegurar a continuidade dos serviços prestados pelo Samu à população mato-grossense”, concluiu. (Por Jairo Pitolé)
Fonte: ALMT – MT
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