VÁRZEA GRANDE
Pequena produtora inspira empreendedorismo rural em Várzea Grande
VÁRZEA GRANDE
No sítio Nossa Senhora das Graças, localizado na comunidade São Miguel, região do Sadia 3, em Várzea Grande, a rotina começa cedo. Entre o cuidado com os animais, a produção de queijos e, mais recentemente, o cultivo de maracujá, a produtora rural Ana Lúcia Moraes de Souza, de 54 anos, representa a força e a dedicação das mulheres que ajudam a sustentar e desenvolver a agricultura familiar no município.
Reconhecida pela premiada produção de queijos artesanais, doces e derivados de leite, Ana Lúcia inicia agora um novo capítulo em sua trajetória no campo. As mudas de maracujá plantadas em outubro do ano passado já começaram a frutificar, trazendo a expectativa de incremento na renda da propriedade e consolidando a fruticultura como uma alternativa estratégica de diversificação da produção.
Ao lado do esposo, José Imbraim Marcos da Souza, ela conduz as atividades do sítio e demonstra, na prática, como a união familiar e o apoio técnico podem fortalecer pequenos produtores rurais.
Da cidade para o campo – Antes de se tornar produtora rural, Ana Lúcia construiu uma história bem diferente. Por mais de duas décadas, ela trabalhou como cabeleireira no bairro Chapéu do Sol, em Várzea Grande, onde era conhecida como “Lúcia do Salão”.
A mudança para a zona rural aconteceu após a realização de um sonho do marido. “Eu fui cabeleireira por mais de 20 anos. Aí nós migramos para a zona rural. Meu esposo sempre falava que quando fizesse 50 anos iria morar no campo. Quando chegou a idade, deu certo da gente comprar essa propriedade e viemos”, conta.
No início, a mudança foi mais por companheirismo. “Eu vim por causa dele, para acompanhar. Mas hoje eu gosto muito de estar aqui”, afirma.
Com o tempo, Ana Lúcia encontrou na produção de queijos artesanais uma nova paixão. Após participar de cursos de capacitação, incluindo formações do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), ela começou produzindo queijo fresco e, gradualmente, ampliou a variedade de produtos.
O talento logo foi reconhecido em concursos estaduais e nacionais. “Para minha surpresa, no primeiro concurso que participei ganhei medalha de prata com queijo coalho e bronze com queijo trança. Depois, em um concurso de Mato Grosso, ganhei ouro com manteiga de garrafa. Foi muito bom, eu não esperava”, relembra.
Produção regularizada e mais oportunidades – Agora, a produtora busca um novo avanço: a regularização sanitária da produção por meio do cadastro no Serviço de Inspeção da Agroindústria de Pequeno Porte (CAPP).
A médica veterinária da prefeitura de Várzea Grande, Kelly Enciso, responsável pelo Serviço de Inspeção Municipal (SIM), acompanha o processo e explica que o registro traz mais segurança para consumidores e produtores.
“Ela nos procurou para registrar o produto. Como é uma unidade familiar, com produção própria e sustentável, orientamos sobre o CAPP, que é uma modalidade estadual sem custos e adequada para pequenos produtores”, explica.
Segundo a veterinária, Ana Lúcia está na fase final de avaliação. “Ela está na etapa da segunda avaliação. Depois de algumas adequações estruturais, poderá obter o registro, garantindo um produto com segurança alimentar e rastreabilidade”, afirma.
Com a certificação, a produtora poderá ampliar a comercialização dos queijos não apenas na região do Sadia 3, mas também em outras cidades de Mato Grosso.
Para o consumidor, o selo representa confiança. “O produto registrado garante rastreabilidade e segurança alimentar, diferente de produtos sem procedência conhecida”, ressalta Kelly.
Presença feminina na feira da família – A produção de Ana Lúcia também chega diretamente aos consumidores por meio da Feira da Família, realizada pela prefeitura de Várzea Grande. A produtora participa do evento há mais de um ano, vendendo seus queijos e derivados.
A feira se tornou um espaço importante de geração de renda e protagonismo feminino. Cerca de 95% dos feirantes são mulheres, muitas delas responsáveis pela produção e comercialização dos alimentos.
A força da mulher no campo – Para o secretário Ricardo Amorim, histórias como a de Ana Lúcia demonstram a importância da presença feminina no desenvolvimento da agricultura familiar.
“Em um mundo em que ainda encontramos muitas ações machistas, vemos na mulher uma força necessária para o trabalho e o desenvolvimento. A sensibilidade da mulher é diferente. Ela transforma a necessidade em força motriz”, destaca.
Segundo ele, muitas produtoras rurais em Várzea Grande assumem a liderança das propriedades e das atividades comerciais. “Temos muitas mulheres à frente do próprio negócio na agricultura familiar. Elas aprendem, buscam capacitação, correm atrás de fomento, logística e mercado. Um exemplo claro é a Feira da Família, onde 95% das bancas são conduzidas por mulheres”, afirma.
O secretário reforça que a prefeitura tem ampliado o apoio às produtoras rurais com capacitação, equipamentos agrícolas e assistência técnica. “Neste mês de março, quando celebramos o Dia Internacional da Mulher, queremos fortalecer ainda mais as ações voltadas às mulheres do campo, que produzem com dedicação e entregam muito para nossa cidade”, diz.
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Escolas de Várzea Grande transformam eleição simulada em aula prática de cidadania
A eleição saiu das urnas e ganhou as salas de aula da Rede Municipal de Ensino de Várzea Grande. Nesta sexta-feira (2), alunos da EMEB Jaime Veríssimo de Campos Júnior, o Jaiminho, e da EMEB Júlio Domingos de Campos participaram de atividades educativas que transformaram o processo eleitoral em uma experiência prática de aprendizado, participação e cidadania.
Nas duas unidades, os estudantes tiveram a oportunidade de vivenciar, de maneira lúdica, etapas que fazem parte de uma eleição. Eles conheceram os candidatos, acompanharam a apresentação de propostas, receberam títulos de eleitor e participaram da votação para escolher seus representantes.
No Jaiminho, a atividade foi organizada pela professora Victoria Virgínia, com a participação da equipe gestora e da comunidade escolar. A escola montou uma estrutura semelhante à de uma eleição oficial e utilizou um aplicativo para simular a apuração dos votos. A tecnologia permitiu que os alunos acompanhassem, em tempo real, a contagem e o resultado da votação.
Mais do que uma brincadeira, a proposta foi utilizada como ferramenta pedagógica para aproximar as crianças de temas como democracia, participação social, responsabilidade e respeito às diferentes opiniões.
Durante a atividade, os estudantes também tiveram espaço para apresentar suas próprias ideias. Os candidatos defenderam propostas relacionadas ao cotidiano escolar e às necessidades dos alunos, mostrando que participar de uma eleição também envolve ouvir, apresentar ideias, discutir soluções e fazer escolhas.
O entusiasmo tomou conta das unidades durante a votação. A expectativa pelo resultado, a movimentação dos “eleitores” e a apresentação das propostas fizeram com que os estudantes participassem ativamente de cada etapa da experiência.
A secretária municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Maria Fernanda de Figueiredo, acompanhou de perto a ação no Jaiminho e destacou a importância de trabalhar a formação cidadã desde os primeiros anos escolares.
“Quando a escola cria uma experiência como essa, ela está ensinando muito mais do que como funciona uma eleição. Está ensinando nossas crianças a ouvir, a respeitar opiniões diferentes, a apresentar suas ideias e a entender que toda escolha traz responsabilidades. Hoje eles estão participando de uma eleição simulada, mas estamos formando cidadãos que, no futuro, terão condições de compreender o papel dos políticos e a importância das decisões para a nossa cidade e para a sociedade”, afirmou.
Para a professora Victoria Virgínia, a ideia foi tornar um assunto que pode parecer distante da realidade das crianças em algo concreto e divertido.
“Queríamos que os alunos entendessem o que é uma eleição e percebessem que cada voto tem importância. Por isso, criamos todo esse ambiente, desde os candidatos apresentando suas propostas até o título de eleitor e a apuração. Eles participaram, se divertiram e, ao mesmo tempo, aprenderam sobre responsabilidade, escolha e cidadania”, explicou.
Aprendizado que também chegou à EMEB Júlio Domingos de Campos
A mesma proposta também foi desenvolvida na EMEB Júlio Domingos de Campos, onde os estudantes participaram de uma eleição simulada como parte das atividades pedagógicas da unidade. A iniciativa permitiu que os alunos conhecessem, de forma adequada à faixa etária, conceitos relacionados ao processo eleitoral e à participação cidadã.
Assim como no Jaiminho, a atividade buscou transformar o conteúdo em uma experiência concreta, fazendo com que as crianças deixassem de ser apenas espectadoras e assumissem o papel de eleitores.
A realização das atividades nas duas escolas reforça a possibilidade de trabalhar a educação cidadã dentro do ambiente escolar de maneira leve, participativa e próxima da realidade dos estudantes.
Além de compreenderem como funciona uma votação, os alunos foram estimulados a desenvolver valores que fazem parte da convivência em sociedade, como respeito, diálogo, responsabilidade, escuta e participação.
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