POLÍTICA
O custeio com tratamento fora de domicílio foi de R$ 35,8 milhões em 2022
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Convocado pela Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, o secretário de Estado de Saúde, Gilberto de Figueiredo, afirmou que, em 2022, o Estado investiu R$ 35,8 milhões com o custeio às pessoas que precisam fazer tratamento fora de domicílio (TFD).
Desse total, o governo desembolsou R$ 3,5 milhões em ajuda de custo com hospedagem e alimentação. Para cada paciente, o valor concedido foi de R$ 100/diária; esse valor foi questionado pelos usuários. Mas o secretário Gilberto de Figueiredo afirmou que sua equipe técnica tem 30 dias para apresentar soluções para melhorar o financiamento.
“Nesse interim vou tratar junto ao governador da possibilidade de ampliação do financiamento. Como esse incremento não está previsto no orçamento, qualquer adicional que faça ao custeio da saúde, tem que haver uma suplementação no orçamento. A minha vontade é dar, daqui a 30 dias, notícias boas que esse valor será reajustado”, disse Figueiredo.
Questionado da possibilidade da diária ser reajustada para R$ 450, como foi sugerido pelo presidente da Comissão de Saúde, deputado Lúdio Cabral (PT), o secretário disse que a Secretaria de Estado de Fazenda e o governador Mauro Mendes (União Brasil) têm autonomia de conceder esse benefício.
“Cada decisão tomada no âmbito do governo significa que é um investimento grande. Não é pouca coisa. Não dá para pensar em uma decisão de forma isolada, que é mais R$ 5 milhões. Não é só isso. Esta semana, em ampliação de leitos de UTIs pediátricos, o governo vai investir mais de R$ 50 milhões. Não há a contrapartida do governo federal”, disse Gilberto Figueiredo.
Apesar disso, o parlamentar considerou a audiência pública bastante positiva. Segundo ele, foi deliberado que haverá uma reunião, na terça-feira (11), às 14h30, com as equipes técnicas da Secretaria de Estado de Saúde e da Comissão de Saúde e Previdência e os familiares dos pacientes que estão no TFD para buscar as soluções técnicas dos serviços prestados às famílias. A reunião acontecerá na SES.
“O valor das diárias é insuficiente para pagar a hospedagem, o traslado e a alimentação dos pacientes que vão fazer o tratamento em outros estados. A Assembleia tem um dever e, com isso, ouvir a população que precisa ter espaço para ter voz. Com isso, ouvir quem tem a responsabilidade de executar as ações para superar os problemas”, disse Cabral.
Para Lúdio Cabral, o Estado tem todas as condições financeiras de assegurar às pessoas em tratamento fora de domicílio. Segundo ele, em 2022, foram pagas mais de 51 mil diárias, que custaram R$ 100 cada uma, o que representa a quantia aproximada de R$ 5,1 milhões.
“Mas se o Estado paga a diária de R$ 450 para o servidor público – quando viaja fora do estado – se esse valor é digno para o servidor público, tem que ser digno para o paciente com doença grave que vai fazer o tratamento fora do domicílio, o custo disso seria de R$ 23 milhões, ou seja, apenas R$ 18 milhões a mais para os cofres do Estado”, disse.
Segundo Lúdio, o Estado tem guardado nos cofres públicos mais de R$ 13 bilhões e, por isso, o incremento de R$ 18 milhões é irrisório. “É um valor que vai dar dignidade a 19 mil famílias em Mato Grosso. Além do valor, vai agilizar esse pagamento da diária, que será feito de forma antecipada, antes da viagem, para que as pessoas não tenham que passar dificuldades quando estiverem em outra cidade”, disse o deputado.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA
Após atuação da ALMT, STF reconhece cumprimento por MT à apresentação de propostas sobre divisa entre Mato Grosso e Pará
A atuação da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) na discussão sobre a divisa entre Mato Grosso e Pará alcançou uma nova etapa no Supremo Tribunal Federal (STF). Em decisão proferida pelo ministro Flávio Dino, no último dia 11, na Ação Rescisória nº 2.964, o relator reconheceu como cumprida por Mato Grosso a etapa destinada à apresentação de propostas adicionais de acordo e determinou que o estado do Pará se manifeste sobre elas no prazo de 30 dias.
A decisão representa um avanço na estratégia institucional desenvolvida nos últimos meses pela ALMT. As propostas construídas pela Procuradoria-Geral da Assembleia foram incorporadas à estratégia de Mato Grosso para que a discussão não fique restrita à definição territorial e à regularização fundiária, mas alcance também os impactos concretos da mudança de divisa sobre a população.
Na Procuradoria-Geral da ALMT, a construção das teses e das manifestações apresentadas ao Supremo vem sendo conduzida pelos procuradores Ricardo Riva e Bruno Willames Cardoso Leite. Eles são responsáveis pela formulação da linha jurídica que colocou no centro da discussão a continuidade dos serviços públicos e a necessidade de uma transição organizada entre os dois Estados.
Desde o último mês junho, de acordo com Bruno Willames, a Procuradoria da Assembleia passou a defender perante o STF que a solução para o conflito territorial centenário não poderia se resumir à definição de quem é proprietário ou de qual estado determinada área pertence.
“Era necessário enfrentar também questões como saúde, educação, transporte escolar, estradas, segurança pública, sanidade animal, tributação, regularização ambiental, atividade produtiva, ressarcimento de despesas e continuidade dos serviços atualmente prestados por Mato Grosso e seus municípios”, afirmou o procurador.
De acordo com o procurador, a atuação tem respaldado a participação institucional da Assembleia Legislativa na discussão e aproximação com os municípios diretamente atingidos pelo conflito. “A estratégia da ALMT tem buscado levar ao processo não apenas argumentos jurídicos, mas informações produzidas pelas prefeituras, representantes das comunidades e setores econômicos que convivem diariamente com os efeitos da indefinição histórica da divisa”, afirmou.
Na nova decisão, o relator Flávio Dino registrou detalhadamente a proposta apresentada por Mato Grosso, incluindo a criação de uma Mesa Técnica de Trabalho Mato Grosso e Pará, com participação dos municípios, e a construção de uma solução piloto para a região da Serra dos Apiacás, envolvendo inicialmente Apiacás, Paranaíta e Alta Floresta, em Mato Grosso, e Jacareacanga e Novo Progresso, no Pará.
O ministro considerou que a manifestação apresentada por Mato Grosso em 31 de agosto, materializando o cumprimento da obrigação do acordo celebrado anteriormente entre os dois estados. Com isso, Flávio Dino determinou que o Pará seja intimado para se manifestar, em 30 dias, sobre as propostas.
Após a manifestação paraense, segundo o procurador, Mato Grosso terá prazo de 10 dias úteis. Em seguida, o processo retornará ao gabinete do relator para novas providências, havendo ainda previsão de que as partes possam requerer nova audiência de conciliação para tratar dos pontos que permanecerem controvertidos.
A decisão também reconheceu o avanço dos trabalhos na área fundiária. O ministro registrou a apresentação por Mato Grosso de cadeias dominiais, parecer técnico sobre a metodologia cartográfica histórica, mapas, cartografias, arquivos em formato shapefile e títulos definitivos emitidos pelo Intermat, considerando cumpridas pelo Estado as etapas correspondentes do acordo.
“Agora, caberá também ao Pará, no prazo determinado pelo STF, apresentar o compilado de dados dos imóveis necessário para que sejam requisitadas aos cartórios as respectivas cadeias dominiais”, afirmou o procurador.
Para o procurador Ricardo Riva, um dos responsáveis pela estratégia jurídica da ALMT no caso, a participação da Assembleia busca assegurar que a transição territorial seja acompanhada por soluções administrativas capazes de funcionar na prática.
“A regularização fundiária é indispensável, mas existe uma população inteira vivendo nessa região. Saúde, educação, estradas, segurança, produção e os demais serviços públicos precisam continuar funcionando durante e depois dessa transição. Foi essa preocupação que levou a Assembleia a ampliar a discussão perante o Supremo”, destacou Riva.
O procurador Bruno Willames Cardoso Leite ressalta que a nova fase permite transformar problemas identificados ao longo dos trabalhos em propostas concretas de cooperação entre os entes públicos.
“Desde o início defendemos que não seria suficiente resolver a terra e deixar as pessoas para depois. A definição territorial precisa vir acompanhada de uma transição segura, com responsabilidades claras e participação dos municípios que conhecem e atendem essa população diariamente. Agora o Pará terá oportunidade de se manifestar sobre essas propostas e apresentar também suas soluções”, afirmou o procurador.
A Assembleia Legislativa, de acordo com o procurador Bruno Willames, continuará reunindo informações dos municípios enquanto transcorre o prazo concedido pelo STF, a Procuradoria-Geral da ALMT continuará trabalhando na reunião de informações sobre a realidade da região, especialmente dados relativos aos serviços efetivamente prestados por Mato Grosso e pelos municípios às comunidades localizadas do lado paraense da divisa.
Documentos já obtidos demonstram, por exemplo, atendimentos realizados pela rede pública de saúde de Mato Grosso a moradores do Pará. Esse tipo de informação deverá auxiliar na construção de soluções para continuidade dos serviços e eventual divisão de responsabilidades entre os entes públicos.
A Assembleia também pretende continuar ouvindo prefeitos, gestores, produtores e moradores das áreas atingidas, fortalecendo a participação dos municípios na próxima etapa da conciliação.
Fonte: ALMT – MT
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