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CNE orienta redes de ensino sobre organização do calendário escolar durante a Copa do Mundo Feminina de 2027

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EDUCAÇÃO

A Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou, por unanimidade, o Parecer CNE/CEB nº 7/2026, que dispõe sobre a aplicação do artigo 67 da Lei nº 15.421/2026 e a organização dos calendários escolares das redes pública e privada para o ano letivo de 2027. O documento orienta os sistemas de ensino sobre a organização dos calendários escolares em razão da realização da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027 no Brasil, programada para ocorrer entre os dias 24 de junho e 25 de julho de 2027. 

A manifestação atende a consultas encaminhadas ao colegiado por entidades representativas do setor educacional e de gestores municipais e estaduais, como Foncede, Undime, Anec e FNP. 

Impacto local – Nos municípios que receberão partidas da Copa e nas regiões metropolitanas ou áreas diretamente impactadas pela realização do Mundial, os sistemas de ensino deverão promover os ajustes necessários nos calendários escolares, considerando as particularidades locais e o calendário oficial da competição. 

A orientação também prevê autonomia para estados e municípios que não serão diretamente impactados pelos jogos. Nesses locais, os sistemas de ensino poderão decidir pela adoção, total ou parcial, das medidas previstas na legislação, de acordo com suas realidades e necessidades educacionais. 

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A orientação permite, portanto, que a organização do calendário escolar considere o impacto efetivo da competição em cada território. Nas oito cidades-sede e áreas diretamente envolvidas com os jogos, os sistemas de ensino deverão considerar a programação da Copa no planejamento das atividades escolares. Nas demais localidades, caberá às redes avaliarem as medidas mais adequadas à sua realidade. 

As cidades-sede são Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. 

Compatibilização com a LDB – O posicionamento do CNE fundamenta-se no artigo 23, § 2º, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB – Lei nº 9.394/1996), que faculta aos sistemas de ensino a adaptação do calendário às peculiaridades locais. O colegiado reforça que os ajustes temporários para 2027 devem abranger os cursos de qualificação e de educação profissional técnica de nível médio, assegurando rigorosamente o cumprimento do número mínimo anual de dias letivos e da carga horária estabelecida na legislação educacional. 

Trâmite e vigência – A súmula do Parecer CNE/CEB nº 7/2026 foi publicada no Diário Oficial da União. Para que o parecer passe a produzir efeitos formais em âmbito nacional, o ato aguarda a homologação por parte do Ministério da Educação (MEC). 

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Precedente da Copa de 2014 – A orientação para 2027 segue um procedimento já adotado pelo CNE na preparação para a Copa do Mundo de 2014, também realizada no Brasil. 

Em 5 de dezembro de 2012, o CNE aprovou o Parecer CNE/CEB nº 21/2012, que tratou dos ajustes dos calendários escolares durante o período da Copa do Mundo FIFA 2014.  

Naquele ano, as redes de ensino também adotaram diferentes formas de organização. Algumas ampliaram o período de férias para abranger a competição, enquanto outras optaram pela suspensão das aulas nos horários ou dias de jogos. 

Assessoria de Comunicação Social dos Ministérios da Educação e do Esporte, com informações do CNE  

Fonte: Ministério da Educação

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De aluno a reitor: a trajetória de quem voltou à escola para ensinar

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Aos 16 anos, Wally Menezes deixou Baturité, no interior do Ceará, para estudar em Fortaleza, capital do estado. Na época, a antiga Escola Técnica Federal do Ceará era uma referência para jovens que, como ele, precisavam sair do interior para encontrar novas oportunidades de formação. Décadas depois, a trajetória do estudante que atravessou o estado em busca de educação ganhou um novo capítulo: Wally tornou-se professor e, atualmente, é reitor em segundo mandato do Instituto Federal do Ceará (IFCE), instituição que marcou sua formação. 

A história começou antes mesmo de sua chegada à escola. Wally acompanhou os irmãos mais velhos deixarem Baturité, um depois do outro, para estudar na capital. Um cursou eletrotécnica; outro, edificações; outro, telecomunicações. A experiência deles ajudou a despertar no jovem o desejo de seguir o mesmo caminho. “Não havia escola técnica no interior. Então, a gente tinha que sair para dar sequência aos estudos. Foi isso que nos mobilizou”, recorda. 

Filho de um marchante e de uma mãe que produzia alimentos para vender, Wally cresceu em uma família que via na educação uma possibilidade concreta de ampliar horizontes. O pai havia estudado somente até os primeiros anos da educação básica, mas fez esforços para que os filhos tivessem oportunidades diferentes das que ele próprio tivera. “Eu vi meus irmãos estudarem, conseguirem bons empregos, passarem em concurso público. Então pensei: se eles conseguiram, eu também quero”, conta. 

 Assista ao vídeo:

O primeiro contato educação profissional – A primeira visita à escola técnica ficou marcada na memória. Antes mesmo de escolher o curso, Wally se surpreendeu com a estrutura que encontrou: laboratórios, quadras esportivas, campo de futebol, piscina e um grande auditório eram novidades para quem vinha de uma escola do interior. “Quando cheguei à escola técnica, vi piscina, quadra, campo de futebol, laboratórios. Não sabia nem se estava dentro da escola, de tão maravilhosa e grande que era aquela instituição. Meus olhos brilharam ainda mais”, lembra. 

Em uma palestra de apresentação dos cursos, ouviu professores falarem sobre as diferentes áreas de formação. Primeiro, escolheu o curso de estradas. Depois de cursar o primeiro semestre, decidiu prestar novamente o processo seletivo e ingressou em telecomunicações. Foi ali que começou uma trajetória acadêmica e profissional que seguiria muito além do curso técnico. 

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“O curso técnico em telecomunicações abriu todas as janelas de oportunidades da minha vida. Para mim, ele é muito mais importante que o meu diploma de doutorado, porque foi quem me deu uma visão de mundo”, compartilha. 

A formação, segundo ele, ia além dos conteúdos técnicos. A experiência incluía atividades esportivas, artísticas e práticas que ajudaram a ampliar sua percepção sobre o mundo do trabalho e sobre as possibilidades profissionais. “A formação não é só técnica. Existe uma formação humana, em artes, em esporte. Você tem uma visão de mundo rara. Não é só apertar parafuso ou fazer um programa; é ter uma visão de liderança, de mercado e de oportunidade”, explica.

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Foto: Divulgação/IFCE

Da formação à sala de aula – Depois de concluir o curso técnico, Wally ingressou no mercado de trabalho e continuou os estudos. Cursou física na Universidade Federal do Ceará (UFC) e seguiu sua formação acadêmica até o mestrado e o doutorado, na área de instrumentação e engenharia.

Anos depois, voltou ao Instituto Federal do Ceará, dessa vez como professor. A mudança de perspectiva foi significativa: o estudante que um dia havia entrado na escola em busca de oportunidades passou a ocupar a posição de quem ajudaria outros jovens a encontrá-las. “Quando me tornei professor e entrei em uma sala de aula, vi aqueles estudantes e me vi neles. Pensei: você pode ser igual a mim, pode ser maior do que eu”, relembra.

A sala de aula também lhe permitiu acompanhar a transformação de seus próprios alunos. Alguns seguiram carreira acadêmica e retornaram à instituição como professores. “Hoje passo pelos corredores e encontro antigos alunos que foram meus estudantes e que se tornaram professores. Eles foram meus alunos e hoje são inspiração para outros jovens, assim como eu também fui”, celebra. 

 A trajetória ganhou outra dimensão quando Wally assumiu a reitoria do IFCE. A função administrativa não o afastou completamente da docência. Ele continua ligado à atividade acadêmica, inclusive na pós-graduação. “Quem está conversando com você é o estudante que amadureceu, que virou reitor, mas que não perdeu a alma de estudante”, revela. 

A interiorização que muda trajetórias – A história pessoal de Wally também se conecta a uma transformação que ele acompanha como professor e gestor: a ampliação das oportunidades de formação para estudantes que vivem fora dos grandes centros. Ele próprio precisou deixar Baturité para estudar. Hoje, acompanha estudantes do interior que conseguem permanecer em suas cidades e avançar na formação acadêmica. 

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Entre seus alunos de pós-graduação, estão estudantes oriundos de diferentes campi do IFCE no interior do estado. “Ter mestrados e doutorados no interior do estado, e não só no grande centro, significa ampliar as possibilidades para quem antes precisava sair de sua cidade para continuar estudando”, comemora. 

Para Wally, as políticas públicas que garantem a permanência e o êxito dos estudantes são fundamentais. “Os auxílios permitem que a gente avance nesse caminho”, enfatiza. 

Uma história que voltou ao ponto de partida – Ao olhar para a própria trajetória, Wally identifica uma espécie de círculo: o menino que saiu do interior para estudar tornou-se professor daqueles que percorrem caminho semelhante e, posteriormente, passou a dirigir a instituição que transformou sua própria vida. 

Em suas palavras, a função de reitor não apaga a experiência do estudante que um dia precisou de uma oportunidade. Pelo contrário. A memória daquele jovem continua presente na maneira como ele enxerga a educação. “Ser professor e reitor de um instituto federal, para mim, é a comprovação de que a rede dá certo”, afirma. 

A lembrança dos pais também acompanha essa trajetória. O esforço da família para garantir sua formação permanece como uma das referências mais importantes de sua vida profissional. “Toda vez que vou tirar uma foto com um aluno, eu o puxo para perto e digo: ‘vem cá, vamos mostrar para mamãe que deu certo’. Eu mostro para minha mãe que deu certo. Deu certo a escolha dela de me apontar a educação. Deu certo o esforço que meu pai fez por causa da educação”, declara. 

Para a semana em que se celebra o Dia dos Professores, a história de Wally reúne diferentes momentos de uma mesma trajetória: o aluno que descobriu novos horizontes, o profissional que continuou estudando, o professor que se reconheceu nos estudantes e o gestor que voltou à instituição onde tudo começou. 

No fim, ele resume a própria história em uma frase curta, dirigida à mãe que sempre insistiu para que os filhos estudassem: “mamãe, deu certo, nós conseguimos!”, concluiu. 

Assessoria de Comunicação Social do MEC com informações da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec)   

Fonte: Ministério da Educação

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