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Coxipó do Ouro celebra 305 anos da primeira missa de MT e do Centro-Oeste

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Na manhã deste sábado (21), às 8h, a comunidade do Coxipó do Ouro, em Cuiabá, voltou às suas origens para celebrar um dos marcos mais significativos da história religiosa e cultural de Mato Grosso: os 305 anos da primeira missa celebrada no Centro-Oeste brasileiro.

A data remete a 21 de fevereiro de 1721, quando o padre Jerônimo Botelho celebrou a primeira eucaristia em solo mato-grossense, em um território ainda em formação, antes mesmo da construção de um templo. O gesto marcou o início da evangelização na região e se tornou um símbolo da formação espiritual e identitária do povo cuiabano.

Uma memória que virou lei

O reconhecimento histórico ganhou força institucional em 2025, quando o prefeito Abilio Jacques Brunini Moumer sancionou a Lei nº 7.242, que instituiu o dia 21 de fevereiro como data comemorativa oficial no calendário do município. A medida consolidou a celebração como patrimônio simbólico da capital.

Para o secretário municipal de Orçamento, Nivaldo de Almeida Carvalho Júnior, prestigiar o evento é “mais do que uma honra; é um dever como agente público, cuiabano e católico”. Ele destacou que a atual gestão compreende a religiosidade como parte da alma do povo cuiabano. “A cidade caminha para seus 307 anos e, apenas dois anos após sua fundação, já havia uma igreja. Isso mostra o quanto a fé foi determinante para o destino e a identidade da nossa história”, afirmou, ressaltando que o reconhecimento oficial fortalece a preservação da memória para as futuras gerações.

A celebração foi presidida pelo padre Raul Felipe da Cruz Berto, que fez questão de reconstruir, historicamente, a liturgia celebrada em 1721. Cerca de 60 pessoas participaram da missa, número que reforça o caráter comunitário da celebração e aponta para o potencial de crescimento nos próximos anos.

Em sua homilia, ele explicou que pesquisou o calendário litúrgico da época para compreender quais leituras foram proclamadas naquela primeira missa. “Celebrar os 305 anos é voltar às nossas origens e entender aquilo que constitui o ser cuiabano: fé, devoção e entrega a Jesus Cristo. Quando redescobrimos nosso ponto de partida, compreendemos melhor quem somos hoje”, afirmou.

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Entre os textos proclamados em 1721 estava a passagem da Segunda Carta aos Coríntios, com a exortação: “Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que se manifesta a força de Cristo”. Para o sacerdote, a frase pode ter se tornado um lema espiritual para aquele povo isolado, que aguardava há anos a presença de um padre para celebrar os sacramentos.

O Evangelho recordado foi a Parábola do Semeador, no trecho do Evangelho de Lucas. A imagem da semente lançada à terra serviu como metáfora da própria história regional. “Aqui foi plantada uma semente. E essa semente frutificou. O que começou em um chão simples, antes mesmo de existir igreja, espalhou-se por todo o oeste brasileiro”, disse o padre.

Ao final da celebração, ele avaliou o momento como extremamente positivo, destacando a presença de pessoas que conheceram a importância da data pela primeira vez. Também agradeceu ao prefeito e aos poderes públicos pelo reconhecimento jurídico do marco da nossa história. “Quando o poder público reconhece oficialmente essa data, ele ajuda a garantir que essa memória não se perca”, pontuou.

Tradição mantida

Embora a igreja atual tenha sido construída apenas em 13 de dezembro de 1825, conforme documento existente na Cúria Metropolitana, o local já era referência espiritual muito antes disso. Segundo o coordenador do Museu da Imagem e do Som de Cuiabá (MISC), Francisco das Chagas Rocha, a preservação da celebração ganhou força a partir de 1971, por iniciativa de Adolfo Vilela de Miranda, que passou a organizar, todos os anos, uma reza na data exata de 21 de fevereiro, “fizesse sol ou chuva”.

A tradição foi assumida pela comunidade e atravessou gerações.

Entre os fiéis, o sentimento era de pertencimento e gratidão. Aos 103 anos, o senhor Gregório Fernandes Pedroso emocionou os presentes. “Representa uma renovação e o compromisso de não falhar com a nossa fé. Sinto-me renovado e com muita alegria por estar aqui”, afirmou.

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Moradora há décadas, dona Celeste Soares de Oliveira, 68 anos, falou com orgulho da própria trajetória no bairro. “Nasci, cresci e estou aqui até hoje. Participar desta missa traz uma sensação maravilhosa. É momento de gratidão por cada ano de vida e por tudo que Deus nos concede”.

Oreliano Soares de Oliveira, 77 anos, que frequenta a igreja desde 1966, reforçou que a data “não pode ser esquecida; precisa ser sempre lembrada”. Já Abner Amâncio Ferreira, 71, destacou que o 21 de fevereiro é um dia de valorização da comunidade.

Para Antônio Virgílio da Silva, também morador antigo, a retomada da tradição ajuda a fortalecer o turismo histórico da região, mas precisa caminhar junto com a preservação ambiental, especialmente do rio Coxipó do Ouro, considerado um dos maiores patrimônios naturais locais.

Patrimônio e identidade

A principal referência religiosa da região é a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, também conhecida como antiga Penha de França, onde as missas ocorrem no primeiro e terceiro sábado de cada mês. Outras capelas históricas, como a de Nossa Senhora da Penha de França (Coxipó Mirim) e a da comunidade Ponte de Ferro, compõem o roteiro de fé que atravessa o território.

Ao final da celebração, foram distribuídas lembranças comemorativas aos participantes, um gesto simples, mas simbólico, para eternizar o momento.

Mais do que um ato litúrgico, a celebração dos 305 anos reafirmou que a história de Cuiabá não se construiu apenas com marcos políticos e econômicos, mas também com espiritualidade, resistência e comunidade.

Como na parábola recordada na homilia, a semente lançada há três séculos encontrou terra fértil. E continua produzindo frutos.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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Além da Sala de Aula: Projetos de contraturno transformam a rotina de alunos em Cuiabá

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Projetos desenvolvidos no contraturno escolar estão contribuindo para o desenvolvimento de crianças da rede municipal de Cuiabá, com atividades que estimulam habilidades, aprendizado, convivência e disciplina. Em 2026, 22 unidades educacionais integram o Programa Educação Integral em Tempo Integral, com ações de cultura e arte, teatro, música, capoeira, artes marciais, horta, acompanhamento pedagógico, entre outras, conforme a realidade de cada escola. Em alguns casos, os participantes também inspiram os demais colegas.

Na Emeb Nossa Senhora Aparecida, no bairro Novo Colorado, o Jiu-Jitsu tem feito a diferença na rotina de 52 crianças que participam do projeto.

Segundo o professor de artes marciais Álvaro Marinho, que atua como voluntário no projeto, o Jiu-Jitsu é uma ferramenta que ensina princípios e valores às crianças, ajudando-as a lidar melhor com o dia a dia, com a escola e com a família. “A prática também promove amizade, vínculos e maior capacidade de expressão, especialmente entre crianças que antes tinham dificuldade de se comunicar. A transformação vai acontecendo e tem despertado o interesse de novos alunos”, relatou.

Para a diretora Maristela Ribeiro Neto Conde, o mais importante é que o projeto ocupa o tempo das crianças, tirando-as da rua e oferecendo um espaço de acolhimento. “Elas aprendem sobre luta, valores e princípios que, muitas vezes, não têm em casa. As aulas de Jiu-Jitsu e Artes contribuem para o desenvolvimento da criatividade, da amizade, do relacionamento e do comportamento. Muitas delas têm dificuldades de convivência e até de aprendizagem, como não saber ler ou escrever. Com a participação no projeto, elas começam a desenvolver essas habilidades e também melhoram nos estudos. Para participar das atividades, é necessário ser um bom aluno em sala de aula, o que também incentiva o compromisso com a escola”, explicou a diretora.

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Miguel Henrique Fantin, de 11 anos, tem uma história no Jiu-Jitsu que inspira os colegas da equipe. “O projeto é uma oportunidade de aprender a fazer escolhas melhores, manter-se longe de situações negativas e desenvolver valores como disciplina, respeito, responsabilidade e colaboração. Eu melhorei muito na minha forma de agir e de me relacionar com as pessoas. Era bagunceiro, hoje me considero mais colaborativo e responsável e levo esses ensinamentos, aprendidos com o professor, para casa”, contou.

Ele já disputou vários campeonatos e lembra dos desafios e das emoções, entre eles o nervosismo e a forte pressão no peito antes das competições. Mesmo assim, conseguiu superar os desafios e alcançar bons resultados, percebendo que todo o esforço havia valido a pena. Já conquistou o 3º lugar em campeonato brasileiro, o 2º lugar no Estadual, o Cinturão do Sul-Americano, entre outros.

“Ao receber a medalha, foi uma grande emoção porque relembrei de tudo o que passei e aprendi. Mas trouxe alegria e orgulho também para minha família e me fez acreditar que posso desenvolver novas habilidades e ir mais longe no nosso esporte”, relatou.

Ester Valentina de França Conceição, de 10 anos, disse que o projeto a ajudou a desenvolver valores como respeito, organização, convivência e solidariedade.

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“Aprendi a respeitar mais as outras pessoas e consegui aplicar esse aprendizado no dia a dia, inclusive na organização da minha rotina. Também contribuiu para que eu crescesse no aprendizado e na dedicação e me fez enxergar que é possível alcançar novos níveis de desenvolvimento e ajudar outras pessoas.”

O Programa de Educação Integral em Tempo Integral é do Governo Federal. O município de Cuiabá aderiu em 2023 e renovou a adesão em 2025 e em 2026.

Artes

Na Emeb Nossa Senhora Aparecida, as 52 crianças também se revezam para participar das aulas de Artes. Enquanto uma está no Jiu-Jitsu, outra participa da atividade artística e vice-versa.

Segundo a professora de Artes e monitora Samara Balduíno, as atividades envolvem mais do que apenas pintar, pois trabalham técnicas, observação e expressão individual. Na ocasião, alguns dos alunos aprendiam a representar uma maçã utilizando luz, sombra e silhueta, enquanto outra aluna desenvolvia pinturas inspiradas nas obras de Romero Britto. Após concluir as propostas, alguns alunos fazem desenhos livres.

“Cada criança desenvolve seu próprio estilo e técnica, mesmo trabalhando a partir de uma mesma proposta. Essa diversidade é justamente uma das características mais interessantes e bonitas do trabalho, pois permite observar como cada aluno interpreta e realiza o desenho de maneira diferente”, avaliou.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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